Coisas Judaicas: Elul

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1 de out. de 2020

20 de ago. de 2020

Elul é o sexto mês do calendário judaico

Elul é o sexto mês do calendário judaico

Elul é o sexto mês do calendário judaico     Segundo o Sêfer Yetzirah, cada mês do ano judaico tem uma letra do alfabeto hebraico, um signo do Zodíaco, uma das doze tribos de Israel, um sentido e um membro controlador do corpo que correspondem a ele.


Elul é o sexto mês do calendário judaico.
"Sou do meu amado e meu amado é meu"

Em Elul nos preparamos para a chegada dos Grandes Dias festivos, tocando o shofar todas as manhãs, tendo nossas mezuzot e nossos tefilin examinados para ter certeza de que ainda estão adequados, tendo mais cuidado com a cashrut e recitando selichot especiais (preces penitenciais) à medida que se aproxima o final do mês.

Por que fazemos tudo isso no mês de Elul? Não podemos esperar até mais próximo de Rosh Hashaná e Yom Kipur?

De qualquer forma, a maioria de nós "trabalha" melhor sob pressão!

Estas questões podem ser explicadas por uma bela parábola:

Uma vez por ano, um rei muito poderoso deixa seu palácio, seus guardas, seu luxo e vai até o campo para encontrar seus súditos.

No campo, as pessoas podem perguntar o que quiserem ao rei. Não precisam esperar em longas filas, passar por revistas de segurança, ser anunciados com cerimônia. Podem falar com ele sem hesitação.

No entanto, uma vez que o rei tenha retornado a seu palácio, os súditos terão novamente de passar por todos os tipos de protocolo para encontrá-lo. Portanto, obviamente, seus súditos aproveitam a oportunidade ao máximo.

Elul é chamado "mês do arrependimento", "da misericórdia" e "do perdão". Elul segue os dois meses anteriores de Tamuz e Av, os meses dos dois grandes pecados de Israel, o pecado do bezerro de ouro e o pecado dos espiões.

As quatro letras do nome Elul são um acrônimo para as letras iniciais da frase em Shir Hashirim (6:3): "Sou do meu amado e meu amado é meu."

"Sou do meu amado" em arrependimento e desejo consumado de retornar à raiz de minha alma em D’us. "E meu amado é meu" com expressão Divina de misericórdia e perdão.

Este é o mês que "o Rei está no campo". Todos podem aproximar-se d'Ele, e Seu semblante reluz para todos.

Elul é o mês de preparação para os grandes Dias Festivos de Tishrei. Foi neste mês que Moshê ascendeu ao Monte Sinai pela terceira vez por um período de quarenta dias, de Rosh Chôdesh Elul a Yom Kipur, quando ele desceu com as segundas "Tábuas do Pacto". Nestes dias D’us revelou grande misericórdia ao povo judeu.

Na guematria, Elul equivale a 13, aludindo aos 13 princípios da Divina misericórdia que são revelados no mês de Elul.

Letra: Yud

O yud é a primeira letra do tetragrama, o Nome essencial de D’us Havayah, o Nome de misericórdia. É também a letra final do Nome Adnut, o Nome que encerra o Nome Havayah para revelar e expressá-lo ao mundo. Assim, o yud é o início (da essência da Divina misericórdia, Havayah) e o yud é o fim (da manifestação da Divina misericórdia, Adnut).

Toda forma criada começa com um "ponto" essencial, de energia e força de vida, o ponto da letra yud. O fim do processo criativo é também um "ponto" de consumação e satisfação, um yud. "No princípio D’us criou…" é o ponto inicial; "e D’us concluiu no sétimo dia…" é o ponto final.

A palavra yud significa "mão". Nossos Sábios interpretam o versículo: "Até Minha mão fundou a terra, e Minha mão direita desenvolveu os céus" – que D’us estendeu Sua mão direita para criar os céus e estendeu Sua mão esquerda para criar a terra." A mão direita é o ponto de início; a mão esquerda é o ponto do final.

No versículo acima citado, a mão esquerda (à qual se refere como "Minha mão" sem qualquer designação definida de esquerda ou direita) aparece antes da mão direita. Isso combina com a opinião de Hillel de que "a terra precedeu [os céus]." A terra representa a consumação da Criação – "o fim da ação vem primeiro no pensamento".

O yud de Elul é, especificamente, a mão esquerda, o controlador do sentido do mês, o sentido da ação e retificação. Este é o ponto final da Criação atingindo seu supremo objetivo e fim, o yud de Adnut refletindo-se perfeitamente na realidade criada, o yud de Havayah.

Mazal: betulá (Virgem)

A betulá simboliza a amada noiva de D’us, Israel, a noiva do Shir Hashirim, que diz a seu noivo "Eu sou do meu amado e meu amado é meu".

A palavra betulá aparece pela primeira vez na Torá (e a única vez na descrição de uma mulher específica) em louvor de nossa matriarca Rivca, antes de seu casamento com Yitschac.

Na Cabalá, a união de Yitschac e Rivca simboliza o serviço espiritual de prece e devoção a D’us. Yitschac (Yitschac, 208) mais Rivca (Rivca, 307) = 515 = tefilá, "prece".

Na Chassidut, o versículo "Sou do meu amado e meu amado é meu" refere-se, especificamente, ao serviço de prece do mês de Elul.

A "virgem" de Elul (Rivca" dá à luz [retroativamente, com respeito à ordem dos meses do ano]) aos "gêmeos" de Sivan (Yaacov e Essav, os filhos de Rivca, como foi explicado acima). As primeiras Tábuas, dadas em Sivan, foram quebradas (devido ao pecado). As segundas Tábuas, dadas a Moshê em Elul (o mês do arrependimento) estão inteiras. O arrependimento é identificado na Cabalá com "mãe" (em geral, e Rivca em particular). "Mãe" é biná = 67 = Elul.

Na Cabalá, a "mãe" permanece para sempre (no plano espiritual) uma "virgem". Num contínuo estado de teshuvá e tefilá, sua "sempre-nova" união com o "pai" jamais cessa – "dois companheiros que jamais se separam." Com a vinda de Mashiach, assim será o estado do noivo inferior e da noiva. ("Pai" e "mãe" correspondem às primeiras duas letras de Havayah – "a união mais elevada"; "noivo" e "noiva" ou "filho" e "filha" correspondem às segundas duas letras de Havayah – "a união inferior").

A betulah simboliza também a "terra virgem", a Terra de Israel destinada a desposar o povo de Israel, como declara o profeta: "Como um jovem desposa uma virgem, assim os filhos te desposarão [a Terra de Israel]" (Yeshayáhu 62:5). Vemos aqui que os filhos se casam com a "mãe terra", que permanece " terra virgem ".

A terra representa a retificação da ação, o sentido do mês de Elul, como foi descrito acima.

Tribo: Gad

Gad significa "acampamento", como no versículo (a bênção de nosso Patriarca Yaacov a seu filho Gad): "Gad organizará [literalmente. acampará] os acampamentos [acampamentos do exército], e retornará com todos os seus campos" (Bereshit 49:29). O talento especial de Gad é organizar uma "legião".

O nome Gad significa também "boa sorte". É realmente a "boa sorte" de Israel ser a amada noiva de D’us, e sua "boa sorte" se revela através dos meios de nossas boas ações, especialmente aquelas cuja intenção é retificar nossas falhas e nos embelezar, como uma noiva para seu noivo.

A "boa sorte" de Gad tem relação, na Cabalá, aos treze princípios de misericórdia que são revelados no mês de Elul, a fim de despertar a alma de sua raiz (sua "boa sorte") para retornar a D’us.

Gad = 7. Gad foi o sétimo filho de Yaacov a nascer. Mazal, a palavra mais usada para "boa sorte" = 77. A letra do meio de mazal é zayin = 7. Quando as duas letras gimmel dalet que formam o nome Gad (=7) são substituídas pelo zayin (=7) de mazal, a palavra migdal, "torre", é formada. O versículo declara: "Uma torre [migdal = 77] de força [oz = 77] é o Nome de D’us, a ela correrá o tsadic e será exaltado." Na Cabalá, a "torre de força" representa a noiva, a betulah de Elul, a alma-raiz e mazal do povo judeu. O tsadic, o noivo, corre, com todas as suas forças, para entrar na "torre de força".

Sentido: ação


O sentido da ação é o "sentido" e "conhecimento" interior de que por meio de devotados atoa de bondade a pessoa sempre é capaz de retificar qualquer falha ou estado imperfeito da alma. Este é o sentido necessário para o serviço espiritual de Elul, o serviço de arrependimento e verdadeira teshuvá a D’us. O sentido da ação é assim o sentido de nunca desesperar. Este é o "ponto", o yud (de Elul), do serviço Divino. Sem ele a pessoa não pode sequer começar (ou terminar) uma ação.

O sentido da ação é a inclinação de consertar um objeto quebrado ("salvar" uma situação) em vez de jogá-lo fora.

Além disso, o sentido da ação é o sentido de organização e de gerenciamento de sistemas complexos (como Gad, a tribo de Elul significa "acampamentos" e "legiões").

Sobre a letra yud de Elul afirma-se: "D’us com sabedoria [o ponto do yud] fundou [retificou] a terra [o sentido da ação]."

Controlador: mão esquerda

Como foi mencionado acima, D’us estendeu Sua mão esquerda para criar a terra (e, como citado acima: "D’us com sabedoria fundou a terra" [Mishlê 3:19]).

A mão direita (a mais espiritual das duas mãos, que criou os céus – "Levante os olhos e veja Quem criou estes" – a dimensão interior, espiritual, da realidade) controla o sentido da visão, ao passo que a mão esquerda (mais física) controla o sentido da ação.

A mitsvá (mandamento da ação) de tefilin shel yad é cumprida com a mão esquerda (a mão direita o coloca sobre a mão esquerda, i.e., a "vê" sendo cumprida com a mão esquerda).

É a mão esquerda que toca o coração. Isso nos ensina que toda ação retificada deriva das boas emoções e intenções do coração.



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18 de set. de 2019

O Segredo de Elul

O Segredo de Elul

     
O Segredo de Elul
O mês de Elul é a chave para destrancar o significado interior e mais potente do coração. Como é sabido, as letras hebraicas para formar a palavra “Elul” – alef, lamed, vav e lamed, são um acrônimo para a frase (do Cântico dos Cânticos bíblico) ani l’dodi v’dodi li, que significa “Eu sou do meu amado e meu amado é para mim.
Essa frase linda e romântica é aquela que representa nosso relacionamento com o Criador, que é frequentemente comparado ao relacionamento entre marido e mulher, uma noiva e um noivo, em nossas vidas individuais.
O Zohar explica que no início de Elul estamos achor el achor, que significa “costas com costas”, e ao final de Elul estamos panim el panim, “face a face”. Mas como é possível que estejamos de costas? Isso não implicaria que D'us tem Suas costas viradas para nós também? Como podemos dizer isso, quando este é o mês no qual – como nos ensina o mestre chassídico Shneur Zalman de Liadi – “o Rei está no campo”? Não é o mês em que D'us está mais acessível do que nunca, quando Ele está esperando por nós para saudá-Lo, quando Ele está ali no “campo” da nossa vida cotidiana?
O fato de sermos descritos como “costas com costas” e depois “face a face” é uma lição incrível. Com frequência, quando nos sentimos irados, magoados, abandonados, qualquer que seja o motivo do nosso sofrimento, damos as costas. Quando estamos de costas, não temos ideia do estado do outro. E muitas vezes é mais fácil acreditar que não somos o único de costas. É mais fácil pensar que o outro também se virou, e que não está nos encarando, porque se fosse este o caso, então mesmo que nos virássemos isso não iria ajudar, então, por que se dar ao trabalho? Por que dar o primeiro passo, somente para se voltar e ver as costas do outro?
Porém, essa racionalização é a causa de muitas discórdias mal resolvidas, sentimentos magoados, e relacionamentos desfeitos. Como naquela cena clássica, que aparece muito em filmes, na qual o casal caminha um para longe do outro. À certa altura o homem se volta, querendo chamar o nome dela, pedir mais uma chance, implorar perdão. Ele está a ponto de falar, mas percebe que ela virou as costas. Ela está se afastando. Ele diz a si mesmo que é tarde demais, que ela simplemente não se importa. Então ele se vira de volta. Segundos depois, ela se volta para olhar para ele. Ela não deseja que tudo termine. Ela quer dizer algo, mas não consegue reunir coragem, não tem a força. E por que, por que deveria ela, se ele está de costas?
Ela olha para ele com saudade, mas isso não muda nada – ela presume que ele não se importa pois continua a se afastar dela. E nós, os espectadores, sentamos na beira do assento, esperando que talvez eles se virem os dois ao mesmo tempo, para finalmente entender que o outro se importa, e embora pareçam estar de costas, eles na verdade queriam estar frente a frente. Às vezes acontece o final feliz; outras vezes eles simplesmente continuam a caminhar em direções opostas, afastando-se da vida um do outro.
É o mês de Elul que nos ensina a necessidade de estarmos dispostos a nos voltar. O Rei está no campo, nosso Criador está ali, e não importa como possamos nos sentir, Ele nunca deu as costas. Tudo que precisamos fazer é nos virar para perceber que Ele está ali e esperando por nós. O “costa a costa” que vivenciamos no início do mês é baseado em nossas percepções equivocadas, nossos temores, nossas presunções. Somente quando nos viramos entendemos a verdade, a essência interior, e então ficamos “face a face”, o que não somente significa que podemos finalmente olhar um para o outro, mas além disso, podemos olhar um no outro – pois o radical da palavra face, panim é o mesmo que pnimiyut, que significa “interiorização”.
Portanto, agora a questão é como esta lição nos é ensinada, não somente no mês de Elul, mas por intermédio do próprio nome “Elul”. Um nome hebraico não é uma mera maneira de referir-se a alguma coisa, mas na verdade representa sua alma. A Chassidut nos ensina que todo pai ou mãe é dotado com inspiração Divina quando dá nome ao filho. É o nome que representa os aspectos mais profundos dessa pessoa. A Cabalá e a Chassidut nos ensinam que para revelar o significado essencial de uma palavra hebraica, precisamos analisar as letras que a formam, seu valor numérico, sua forma e significado.
Como dissemos acima, a palavra “Elul” é formada de um alef, seguido por um lamed, um vav, e a letra final, outro lamed. A primeira letra em Elul é também a primeira letra do alfabeto hebraico. O aleph é numericamente equivalente a um, o que representa a ideia da total unidade de D'us.
Portanto, agora podemos responder como tudo isso está relacionado ao coração. É aqui que nossos lameds são novamente definidos. À essa altura é importante pensar sobre o símbolo do coração e questionar sua origem. Portanto, não deveria ser surpresa que o significado desse símbolo mais uma vez será encontrado na própria palavra para “coração”.
Em hebraico, a palavra para coração é lev, que é escrita com lamed-beit. Rabi Avraham Abulafia, no ano 1291, escreveu um manuscrito com o nome de Imrei Shefer, no qual ele define o significado do coração.
Rabi Abulafia ensina que a palavra lev, lamed-beit, precisa ser entendida como dois lameds. Isso porque a letra beit é a segunda do alfabeto, e é numericamente equivalente a dois. Ele explica que a palavra precisa ser lida e entendida como “dois lameds”. Porém, não basta ter dois lameds. Como explica Rabi Yitzchak Ginsburgh, para que eles tenham um relacionamento, os dois lameds precisam estar conectados. Precisam estar face a face. Quando viramos o segundo lamed de frente para o primeiro, formamos a imagem de um coração judaico. Embora o coração, como estamos acostumados a ver, seja bem claro nesse formato, uma parte inteiramente nova do coração é também revelada.
O coração e o amor que ele representa podem prosperar, florescer, somente quando há uma totalidade em conexão. Isso porque a letra lamed é a mais alta de todas as letras do alfabeto hebraico. O motivo é porque o lamed representa o conceito de quebrar limites, de ir além do nosso potencial, de entrar no supraconsciente através do consciente.’O lamed também significa duas coisas simultaneamente, Significa tanto “aprender” como “ensinar”, o que nos mostra que os dois são interligados e ambos são essenciais. Num relacionamento, devo estar disposto a aprender com o outro, tornando-me um receptor. Porém, a outra pessoa também deve ser capaz de aprender comigo, o que me torna o professor, o doador.
Além disso, a imagem do lamed pode ser quebrada em três outras letras. A parte de cima é um yud, a menor das letras hebraicas, e representa a cabeça. A cabeça contém a mente, o intelecto, e também a face.
A próxima letra em Elul é um vav. Em hebraico, o vav serve como um “e” conjuntivo. Como palavra, vav significa “gancho” e seu formato parece um gancho. Portanto, neste caso o vav é o gancho que está conectando o yud, a mente, com a letra de baixo, o chaf, que representa o corpo. Fisicamente falando, simboliza o pescoço, que transporta o fluxo de sangue do cérebro para o coração.
Isso nos ensina que o coração, que o amor que ele representa pode prosperar, florescer, somente quando há uma totalidade na conexão. O coração judaico, o verdadeiro amor, representa uma conexão mente a mente, face a face, olho no olho, corpo a corpo, alma a alma. O vav, a conexão entre a cabeça e o coração, deve sempre estar saudável, com um fluxo claro. Se alguma coisa a interromper, o relacionamento não pode continuar. Como todos sabemos, uma das maneiras mais rápidas de matar uma pessoa é um corte direto no pescoço. O pescoço é a nossa linha da vida. Garante que nossa cabeça, nosso intelecto, governa acima de nossas emoções, e que há uma troca saudável entre a mente e o coração.
O coração com o qual todos estamos familiarizados, o símbolo que representa o amor em todo o mundo, não tem o yud e o vav; está sem a mente e o pescoço. O símbolo popular representa apenas a conexão física entre os corpos.
Então é por isso e como Elul é o mês que começa de costas e termina face a face. No início do mês não estamos conscientes da realidade que “Eu sou para meu amado e meu amado é para mim.” Porém, trabalhando em nós mesmos durante o mês, estando dispostos a nos virar e fazer mudanças, começamos a entender que nosso Criador jamais virou as costas. Ele sempre esteve nos encarando, e apenas esperando que nos viremos. E quando o fazemos, então somos como dois lameds que estão face a face, que formam o coração judaico e que são a essência do mês de Elul.
Elul então deve ser entendido como um alef, representando D'us, seguido por um lamed, vav, lamed – um lamed que está conectado (vav) ao outro lamed.
E o coração judaico, esta ideia de amor como uma totalidade de conexão, não é meramente o trabalho para o mês de Elul, mas todo o objetivo de nossa criação. Esse coração judaico é um símbolo de por que fomos criados e o que devemos realizar. Pois a Torá é o projeto da criação, e o guia de como nos conectamos com o divino. E não é um livro com início, meio e fim, mas sim um rolo, pois somos ensinados que “o fim está ligado ao começo, e o começo ao fim.”
Então, o que encontramos quando o fim do rolo de Torá se junta ao início? Como a Torá termina e começa? A última palavra da Torá é Yisrael, que termina com a letra lamed; e a primeira palavra é bereshit, que significa “no princípio”, que começa com um beit. Quando juntamos a primeira e a última letra da Torá, temos lev, a palavra hebraica para coração.
Que sejamos abençoados com a capacidade de canalizar os poderes do mês de Elul, de reconhecer e revelar nossa capacidade de aprender e ensinar, e através disso, ficar face a face com nós mesmos, com nossos entes queridos e com nosso Criador, como somos ensinados pelo coração judaico.



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4 de set. de 2019

Elul – o mês do amor e compaixão

Elul – o mês do amor e compaixão

     Quando entramos no novo mês lunar de Elul – o mês do amor e compaixão – é um pouco difícil para alguns sentir beleza e esperança.
Sem dúvida , há muita beleza no mundo. Os seres humanos continuam a demonstrar nobres atos de galanteio. Em muitos cantos do mundo heróis desconhecidos brilham e iluminam seus arredores.
Mas coletivamente estamos vivendo tempos difíceis. A economia é apenas o último dos desafios a nós todos. Muitas pessoas ficaram sem trabalho, muitas estão sofrendo profundas perdas financeiras. Até mesmo aqueles com empregos e dinheiro foram profundamente afetados. O clima é de medo sobre um futuro incerto.
No cenário internacional, uma nuvem profunda paira sobre o globo – não somente para milhões de pessoas no Oriente Médio, mas para populações em praticamente todo hemisfério. O ar tóxico pode acender um novo ataque a qualquer momento, em qualquer lugar. Ninguém sabe quando e onde a próxima crise vai surgir. O Oriente Médio em particular, com a crescente revolta no Irã, permanece como um vulcão prestes a explodir.
Acrescente à equação as ansiedades pessoais e emocionais que as pessoas enfrentam diariamente, as forças psicológicas que nos sugam, e temos, digamos, um “fardo” (em yidish, um “pecale”) para lidar. Muita, muita bagagem, com tanto peso que nos derruba.
O poder compassivo de Elul parece muito distante.
Mas o que mais é novo? Elul nunca foi um processo fácil. A fonte da história e poder desse mês remonta a 3.321 anos, e nos conta a história inteira:
Moshê sobe ao Monte Sinai para receber a Torá. Após 40 dias retorna, somente para descobrir que o povo judeu desafiou a D'us construindo o Bezerro de Ouro. Moshê quebra as tabuas e retorna ao Sinai para rezar para que D'us perdoe o povo pela sua grave traição. Ele passa mais 40 dias no Sinai e seus esforços são em vão. Mas Moshê não desiste. Determinado, ele sobe a montanha pela terceira vez e implora por mais 40 dias. Dessa vez é bem sucedido. Moshê pede não apenas o perdão Divino, mas uma nova profundidade, uma dimensão mais intensa no relacionamento entre D'us e o povo.
Para alegria de Moshê, D'us responde com um presente inusitado. Ele revela os Treze Atributos da Compaixão – treze segredos da “personalidade” de D'us que carregam os mistérios da vida e o poder de consertar tudo que estiver quebrado. Esse terceiro período de 40 dias começou no primeiro dia do mês de Elul e terminou em Yom Kipur. Elul é portanto um mês potente repleto com o poder da esperança, amor e reconciliação. Os místicos nos dizem que os Treze Atributos Divinos da Compaixão irradiam durante o mês de Elul, quando revivemos a experiência de Moshê.
Por analogia, o Alter Rebe explica, no mês de Elul “o Rei está no campo.” O rei tinha viajado; ele tinha deixado seu palácio e ido para uma terra distante fora do seu reino. E agora ele está a caminho de casa. Está para entrar no seu palácio (em Rosh Hashaná e Yom Kipur) e fica fora no campo saudando seu povo. Quando o rei está no campo toda pessoa tem a oportunidade, sem pedir uma audiência, de saudá-lo e pedir tudo que precisa. O rei está sorridente, informal, e está predisposto a conceder todos os pedidos.
Durante o ano inteiro há muitas camadas que ocultam a presença Divina, que escondem sua própria essência de você mesmo; há uma divisão entre seu ser interior e o seu ser exterior – quem você realmente é e o que faz, seu espírito e suas atividades. Em Elul muitas dessas camadas são desfeitas. Você pode acessar, se quiser, seu verdadeiro ser, pois é parte da realidade mais elevada e a essência de toda a existência chamada D'us.
Elul não é um mês simples. É um complexo período no tempo quando temos o poder de encontrar esperança mesmo após a perda, de descobrir amor mesmo após a traição e reconstruir até mesmo depois de termos destruído. Todas as pessoas cometem erros. A questão é se os repetimos ou se os consertamos. Um relacionamento amoroso e de confiança é construído não sobre a perfeição, mas sobre confiança. Em Elul podemos corrigir nossos erros e exigir nosso verdadeiro legado.
A mensagem de Elul é relevante hoje mais do que nunca. Como um mundo assustado, temeroso de um futuro difícil, entra no compassivo mês de Elul, há alguma mensagem mais apropriada? Há muito a temer. Muitos erros foram cometidos. O futuro parece incerto. Mas Moshê desenhou um novo caminho – a estrada para a esperança. Moshê pavimentou novos caminhos, desenhou novas estradas, abriu novas portas, criou novas possibilidades. Tudo para quem? Para nós…
O mês de Elu – e os 40 dias seguintes concluindo com Yom Kipur – nos dá o poder de começar de novo, aprender com o passado, mergulhar mais profundamente e emergir com novas reservas de clareza e força.
Elul desperta nossa fé interior, esperança e crença num futuro melhor. Podemos não ter uma estratégia exata, mas se adotarmos uma atitude resignada, perderemos antes até de começarmos.Todo desafio, todo adversário deve começar com total fortaleza e crença na vitória. Fé que iremos prevalecer. Assim foi há 3.321 anos, e muitas vezes depois, e assim será.
As alegrias de Elul têm o poder de conter os ventos da incerteza. Portanto abra sua janela, respire o ar fresco, sinta o perfume das flores e a brisa de esperança que passa pela sua vida. Não há época melhor do que agora para abraçar essa jornada que nos ajuda a encontrar conforto em tempos incertos, força em meio à adversidade e fortaleza e direção para seguir em frente.



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19 de ago. de 2015

4 Elul, 5775

4 Elul, 5775

Quarta-feira, 19 Agosto, 2015
4 Elul, 5775

Leis e Costumes:
Observâncias de Elul

Elul é tradicionalmente uma época de introspecção e inventário – um tempo para rever as próprias ações e o progresso espiritual no ano que passou, e de preparar-se para os "Dias de Reverência" de Rosh Hashaná e Yom Kipur.

Sendo o mês do Perdão e da Misericórdia Divina, este é um tempo oportuno para teshuvá (retornar a D'us), prece e caridade na busca pelo auto-refinamento e para se aproximar mais de D'us. O mestre chassídico Rabi Shneur Zalman de Liadi compara Elul a um tempo em que "o rei está no campo" e, em contraste com o tempo em que ele está no palácio real, "todos que assim quiserem podem conhecê-lo, e ele recebe a todos com um semblante amigável e mostra a todos uma face sorridente."

Os costumes específicos de Elul incluem o toque diário do shofar (chifre de carneiro) como um chamado ao arrependimento. O Báal Shem Tov instituiu o costume de recitar três capítulos adicionais de Tehilim a cada dia, de 1º de Elul até Yom Kipur (em Yom Kipur os restantes 36 capítulos são recitados, completando assim o livro inteiro de Tehilim).

18 de ago. de 2015

Ansiando pelo meu  amado

Ansiando pelo meu amado

Ansiando pelo meu  amado  por Mendy Herson  
 
Rosh Hashaná e Yom Kipur são dias muito poderosos; têm uma aura especial. Não trabalhamos, passamos muito tempo nos serviços, muitas pessoas até se vestem de branco – simbolizando a pureza, etc. Em Yom Kipur, não comemos; somos quase como anjos, vivendo num casulo espiritual.

Porém esta não é a vida normal. Passamos nossos dias correndo para lá e para cá, equilibrando nossas responsabilidades, negócios, famílias, hobbies, etc. Somos apenas humanos. Agora temos estes feriados especiais. Como chegamos de cá para lá?

Falando praticamente, podemos virar a moeda – trocando do mundano para o [espiritualmente] monumental? A resposta é que temos um grande período de transição, que é vital para a significativa experiência das Grandes Festas. Chama-se Elul.

Posso ouvir alguns de vocês perguntando: “O que é Elul? Como é possível que eu jamais tenha ouvido falar?” Bem, Elul é um mês, de grande beleza. Eis aqui a ideia: o Calendário Judaico tem vários períodos de elevada sensibilidade e consciência espiritual. Podemos sempre nos conectar com D’us; porém alguns dias são mais propícios que outros. Em alguns dias há uma recepção mais clara. 

Pense dessa maneira: se estou numa sala, e não posso ver, pode haver dois motivos: meus olhos estão fechados, ou as luzes estão apagadas. Ou, talvez, os dois fatores podem ser verdadeiros; meus olhos estão fechados e as luzes estão apagadas. Podemos usar essa metáfora para nossa Divina percepção. Deixado por conta de si mesmo, o mundo é “escuro”; parece vazio e desconectado. Não há “luz” Divina para ver.

Portanto, precisamos de dois fatores. Primeiro, tenho de abrir os olhos. Afinal, é comum (pelo menos superficialmente) passar pela vida com os olhos fechados à luz espiritual. Portanto preciso me abrir para a presença do Divino dentro da realidade.

Mas, eu posso apenas apreciar a divindade que é revelada em minha órbita; ainda preciso que a luz esteja acesa. Quando D’us acende a luz e abro meus olhos, o relacionamento prospera.

Felizmente, D’us emana santidade para que a apreciemos. Porém nisso também há níveis e graduações. No Shabat, por exemplo, D’us projeta um senso celestial de Si mesmo – se conseguirmos nos conectar, “abrir os olhos”, interiorizá-lo. Outras festas judaicas são também “momentos sagrados” – fases raras nas quais podemos alcançar níveis de conexão que poderiam não estar disponíveis numa terça-feira comum.

Fontes cabalísticas ensinam que Elul é um período semelhante de intensa revelação Divina. Este é o presente de D’us para nós, permitindo-nos chegar aos Dias Festivos.

Porém a pergunta deve ser feita: os outros momentos sagrados do calendário parecem ser todos Shabat ou Festas (Yom Tov). Aqueles dias – nos quais não trabalhamos, quando vamos à sinagoga, o seder, o shofar, etc. – estes são os dias de revelação cósmica. Por que Elul não tem feriados? Por que Elul é um mês normal se a Divina projeção na verdade é tão impressionante?

Há uma resposta: quando você pensa a respeito, isso mesmo (a “normalidade” do mês) revela seu verdadeiro poder. Quando as pessoas estão encapsuladas na espiritualidade, mergulhadas na beleza de uma Festa Judaica, são aprimoradas pela experiência Divina. A Divindade se encaixa no modelo do dia. Por outro lado, a vida mundana parece fechada à Divindade. A santidade não se encaixa muito confortavelmente.



Porém D’us é infinito, sem fronteiras. Não aceitamos a ideia de que D’us não pode nos alcançar em nossa vida normal. É preciso simplesmente uma revelação mais profunda e mais potente para nos atingir naquele nível não convidativo.

Pense sobre isso: medimos a potência de uma lâmpada pela distância a que ela projeta sua luz. É preciso mais força para projetar a iluminação longe da fonte. O mesmo se aplica à Divindade. A revelação para aqueles em meditação não exige tanta “potência” quanto a revelação para aqueles num estado desconectado.

D’us nos concede este presente especial porque precisamos dele; estamos perto das Grandes Festas. Portanto D’us – misericordiosamente – nos dá um mês de inspiração. Precisamos que as nossas vidas mundanas sejam transformadas. Precisamos transcender a superficialidade da vida material, elevando-nos para nos conectar com sua santidade latente. 

Portanto D’us vem até nós, em nosso vertiginoso vórtice da vida física, para nos tocar, nos inspirar. D’us nos dá um pequeno “empurraozinho” para nos despertar – reconhecer nossa necessidade de um significado, de santidade, para Ele.

Para apreciarmos as Grandes Festas, temos de sair da nossa auto-absorção. Precisamos reconhecer nossas limitações e ansiar pela conexão com o Divino.

Elul é uma época na qual D’us nos ajuda a encontrar aquele anseio interior, altruísmo e santidade. Porém isso se afasta de nós; D’us nos prepara, mas temos de dar um passo nesse sentido. O “Cântico dos Cânticos” é uma metáfora para isso; anseio entre D’us e nós. Um dos versículos diz isso sucintamente: “Ani le dodi ve dodi li” – “Eu sou para meu Amado como meu Amado é para mim”.

Nossa tradição diz que estas quatro palavras hebraicas formam o acrônimo “Elul”, porque este é o tema de Elul. Elul é o tempo de encontrar aquele anseio interior. É por isto que é tradicional tocar o shofar todos os dias de Elul; o toque puro do shofar reflete o grito da alma por um significado.

Você pode fazer isto; a hora é agora. D’us ajuda você a encontrar aquele amor interior, especialmente neste mês. Você precisa apenas dar um passo para saudar seu Amado – cumprir uma mitsvá, comparecer a uma aula... apenas dê um passo.


 

31 de ago. de 2013

Domingo, 1 setembro, 2013

Domingo, 1 setembro, 2013


26 Elul, 5773

Leis e Costumes:
Elul observances

Elul é tradicionalmente uma época de introspecção e inventário – um tempo para rever as próprias ações e o progresso espiritual no ano que passou, e de preparar-se para os “Dias de Reverência” de Rosh Hashaná e Yom Kipur.

Sendo o mês do Perdão e da Misericórdia Divina, este é um tempo oportuno para teshuvá (retornar a D’us), prece e caridade na busca pelo auto-refinamento e para se aproximar mais de D’us. O mestre chassídico Rabi Shneur Zalman de Liadi compara Elul a um tempo em que “o rei está no campo” e, em contraste com o tempo em que ele está no palácio real, “todos que assim quiserem podem conhecê-lo, e ele recebe a todos com um semblante amigável e mostra a todos uma face sorridente.”

Os costumes específicos de Elul incluem o toque diário do shofar (chifre de carneiro) como um chamado ao arrependimento. O Báal Shem Tov instituiu o costume de recitar três capítulos adicionais de Tehilim a cada dia, de 1º de Elul até Yom Kipur (em Yom Kipur os restantes 36 capítulos são recitados, completando assim o livro inteiro de Tehilim).