11 de dez. de 2020

Com conversão ao islamismo crescendo, organização judaica quer ajudar aquelas que 'se perderam'



Mahmoud Mansour e Morel Malcha no dia de seu casamento (Foto: AFP Photo/Daniel Bar-On)

Os casamentos entre judeus e árabes já são vistos como problemáticos em um país, onde o conflito israelense-palestino afeta todos os aspectos da vida diária. Por essa razão, há uma organização que visa ajudar aqueles que "se perderam".

Em 2017, Noy Shitrit, uma jovem judia do sul de Israel, se converteu ao islamismo e se casou com um árabe israelense. Esta história chocou boa parte do país.

O público israelense, normalmente, não vê esses acontecimentos sob uma perspectiva positiva, devido ao antigo conflito israelense-palestino, ao sangue derramado ao longo dos anos, e ao incitamento mútuo. Com esse conhecimento, as massas se esforçaram para entender o que poderia ter empurrado uma mulher judia aos braços do "inimigo".

 Sputnik Internacional entrou em contato com representantes da organização que presta ajuda às mulheres nessa questão a retornarem "às suas raízes".

Antecedentes problemáticos

Ajudar essas mulheres "que se perderam" foi uma das razões pelas quais, em 2005, Anat Gopstein e seu marido fundaram a Lehava, uma organização que visa acabar com a assimilação de judeus em Israel.

"Muitas dessas jovens [que acabam se convertendo] vêm de origens problemáticas. Algumas são atraídas pela atenção que o homem dá a elas, outras ficam hipnotizadas pelos presentes que eles compram. Esses relacionamentos sempre começam com um 'uau', mas [quase] todos terminam com problemas."

'Ameaça' de assimilação

Atualmente, Anat afirma que recebe cinco pedidos de ajuda por dia. Alguns vêm de mulheres que se converteram e querem encontrar uma saída. Outros são enviados por familiares ou conhecidos que sabem sobre relacionamentos abusivos e querem ajudá-las a resolver o problema.

"É difícil dar números oficiais, mas sabemos que os casos de conversão estão aumentando, simplesmente porque o processo de assimilação em Israel também está aumentando."

Contudo, as palavras de Anat são apoiadas por estatísticas. Em 2003, por exemplo, números oficiais sugeriam que apenas 40 judeus israelenses se converteram ao islamismo. Já em 2006 esse número quase dobrou, com o país registrando 70 desses casos. Desde então, essa tendência não para de crescer. Entre 2005 e 2007, 250 israelenses se converteram oficialmente ao islamismo, sendo muitos deles mulheres.

"O que funciona é que as mulheres acabam se convertendo porque se casam com homens muçulmanos, e isso é um problema para nós visto que [...] tiram nossas mulheres do judaísmo". Da mesma forma, a assimilação religiosa também tem efeitos negativos para os frutos desses casamentos.

"[Por viverem com seus pais árabes] as crianças vão acabar se casando com árabes quando crescerem, e isso significa que vão abandonar o judaísmo. Mas, mesmo que deixemos isso de lado, pense nesses filhos. Eles nascem e são criados por duas sociedades em conflito, e muitas vezes são indesejados por qualquer uma delas", sendo este também outro fator que leva a organização Lehava a ajudar às pessoas convertidas que desejam retornar à sua fé original.

Em contraste, as tradições judaicas são menos rígidas a esse respeito. De acordo com o judaísmo, a descendência de casamentos mistos em que a esposa é judia continuará sendo judia, mas para Anat e a organização que ela representa, o mero conceito ainda é um problema.

Levaha: uma missão

Não está claro quantas pessoas trabalham para polêmica organização, mas segundo algumas estimativas, o movimento tem milhares de funcionários e voluntários. Apenas algumas dezenas de pessoas trabalham com o propósito específico de ajudar as mulheres a retornar ao judaísmo.

"Nós as ajudamos conversando e mostrando a elas uma saída. Por vezes, essas meninas precisam de um apartamento para onde correr e se esconder, e nós as ajudamos. Outras vezes, elas precisam de ajuda psicológica e nós tentamos apoiá-las. Estou ciente do fato da nossa atividade ser considerada racista, mas essa atitude não nos abala", diz Anat.


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