11 de nov. de 2020

Ultraortodoxos terão que prestar serviço militar

Ultraortodoxos terão que prestar serviço militar
A lei que isenta os judeus ultraortodoxos do serviço militar obrigatório em Israel será definitivamente anulada em fevereiro, decidiu a Suprema Corte na noite passada, que não dará ao Estado mais prorrogações para tratar de uma questão espinhosa que causou grave crise governamental.

O recrutamento da população ultraortodoxa, até agora em grande parte isenta de ir ao Exército, semeia polêmica entre o complexo arco político, provocou a queda do Executivo em 2018 e foi um dos principais elementos que mergulharam o país em um longo bloqueio político entre 2019 e 2020, com três eleições consecutivas em menos de um ano.

Os ultraortodoxos e os partidos que os representam – membros da coligação governamental – exigem uma reforma que garanta que boa parte dos seus eleitores fiquem isentos do serviço militar obrigatório, três anos para os homens e dois para as mulheres, mas formações laicas como o centrista Yesh Atid, de Yair Lapid, ou o nacionalista Israel Beitenu, de Avigdor Liberman, – ambos na oposição – exigem que o recrutamento seja universal.

A Lei do Serviço Militar de Israel foi reformada em 2017 para reduzir as cotas de participação dos ultraortodoxos por serem alunos de yeshivá (escolas talmúdicas), mas a Justiça cancelou a reforma por ser considerá-la inconstitucional e contrária ao princípio da igualdade.

Desde então, e a pedido do Estado, relutante em enfrentar a questão, deu até oito prorrogações para atrasar a execução da sentença. Mas agora comunica que a partir de 1º de fevereiro não concederá mais prorrogações.

Isso implica que, se as partes não concordarem em aprovar uma nova legislação nos próximos meses, os ultraortodoxos podem ser recrutados para o serviço militar em igualdade de condições com o resto da população judaica israelense.

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Esta decisão pode gerar tensões com o principal parceiro de governo de Benjamin Netanyahu, Benny Gantz, da formação centrista Cachol Lavan.

Netanyahu – que conta os ultraortodoxos como aliados tradicionais – “vem se esquivando” dessa questão “há cinco anos” e “chegou a hora de restaurar a distribuição equitativa do peso” do serviço militar, comentou Yair Lapid.

Foto: Adam Jones



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