12 de nov. de 2020

Empresário judeu brasileiro acusado da prática de pirâmide é preso após um ano de fuga

RIO DE JANEIRO, Brasil - Um empresário judeu brasileiro acusado de enganar investidores em dezenas de milhões de dólares, ganhando comparações com Bernie Madoff, foi preso no Rio de Janeiro depois de mais de um ano escondido.

Jonas Jaimovick, que se entregou à Polícia do Rio na segunda-feira, ganhou as manchetes por desaparecer com cerca de US $ 32 milhões no que está sendo chamado de maior esquema de pirâmide já feito no país da América

Jaimovick, 39, dono da firma de investimentos JJ Invest, lançou o suposto empreendimento ilegal na comunidade judaica depois de se insinuar lá ao patrocinar e promover vários projetos em sinagogas, clubes, escolas e outros lugares. Seus clientes - cerca de 3.000, segundo relatos - incluem celebridades e atletas famosos que acreditaram em suas promessas de altos ganhos.

A TV Globo noticiou a prisão mostrando Jaimovick segurando um rolo da Torá, provocando uma carta crítica de uma vereadora judaica do Rio, Teresa Bergher. O jornal O Globo usou a mesma foto no ano passado para ilustrar um artigo sobre Jaimovick intitulado “Conexões perigosas”.

“Como membro da comunidade judaica do Rio de Janeiro e presidente da comissão de direitos humanos da Câmara Municipal, gostaria de pedir para evitar o uso de símbolos judaicos ligados ao dono da JJ Invest”, escreveu ela.

Bergher disse que mostrar Jaimovick segurando a Torá, "o maior símbolo da religião judaica", poderia "gerar confusão e até mesmo uma onda de anti-semitismo".

Empresário judeu brasileiro acusado da prática de pirâmide é preso após um ano de fuga
Captura de tela de vídeo da vereadora do Rio de Janeiro, Teresa Bergher. (Youtube)

Iniciando seu suposto esquema em meados de 2016 na comunidade judaica - ele compartilhava fotos de funcionários, rabinos e amigos nas redes sociais - Jaimovick rapidamente se expandiu para além desses círculos. Apaixonado por futebol, o homem normalmente referido por suas iniciais, JJ, patrocinou diversos times e trouxe jogadores e ex-jogadores como clientes. Suas fotos com estrelas do futebol e celebridades da mídia se tornaram virais nas redes sociais e ajudaram a multiplicar seus negócios.

São inúmeras as ações judiciais buscando ressarcimento de Jaimovick e JJ Invest, segundo a Polícia do Rio, informou o portal de notícias UOL.

“Com sua prisão, chega ao fim a busca pelo maior operador de pirâmide do país”, afirmou a polícia em nota.

O esquema de US $ 19 bilhões de Madoff também incluiu a fraude de muitas organizações sem fins lucrativos judias, que sofreram grandes perdas. Madoff está cumprindo pena de 150 anos em uma prisão federal da Carolina do Norte.

Jaimovick foi acusado de fraude, entre outros crimes, e pode ser condenado a até 22 anos de prisão.

Jaimovick cresceu em uma comunidade judaica de 30.000 membros no Rio, frequentando a escola e participando de clubes e movimentos juvenis. Os bens de sua rica família desapareceram com a morte de seu pai em 2012 e problemas na empresa de transporte da família, noticiou o jornal O Globo.

No início de 2019, a mídia noticiou que Jaimovick estava sendo investigado, levando a tentativas generalizadas, mas sem sucesso, de clientes da JJ Invest de reaver seu dinheiro. Mas o paradeiro de Jaimovick permaneceu desconhecido. Reportagens diziam que ele estava escondido na Barra do Rio antes de se entregar.

Seus passaportes foram apreendidos e sua esposa foi impedida de viajar para Israel com o filho do casal minutos antes de embarcar em um avião.

“Jonas quebrou confiança, destruiu vidas, afetou uma comunidade com mais de 100.000 membros e imagens manchadas”, disse uma das vítimas que falou ao O Globo em anonimato no ano passado, alegando ter desenvolvido depressão, ansiedade e doenças cardíacas.


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