9 de nov. de 2020

10 Textos Sagrados do Judaísmo


10 Textos Sagrados do Judaísmo
Por Menachem Posner
Conhecidos como o povo do livro, judeus estão inextricavelmente ligados aos textos sagrados do Judaísmo, indo desde o Canon bíblico que remonta ao nascer do nosso povo até as novidades produzidas por eruditos contemporâneos. 

No Judaísmo, estudar esses textos (conhecidos coletivamente como Torá – “ensinamento”), é um ato sagrado no qual a pessoa se conecta com D'us no nível mais profundo. Embora haja milhares e milhares desses textos, selecionamos 10 que se espera encontrar numa biblioteca judaica básica.

1- Cinco Livros de Moshê (Torá)

Mencionados frequentemente apenas como a Torá, especialmente quando em formato de rolo, os Cinco Livros de Moshê são o alicerce do Judaísmo. Até o dia de hoje, o texto – que foi escrito em hebraico há mais de 3.000 anos – tem sido cuidadosamente preservado pelo povo judeu. É conhecido também como o Chumash ou Pentateuco (relacionado às respectivas palavras em hebraico e grego para “cinco”).
Como o nome indica, os livros foram escritos por Moshê, ditados pelo próprio D'us, e o povo judeu vê cada letra e nuance como uma comunicação sagrada de D'us, dotada de significado e importância. Eles contêm 613 mitsvot – mandamentos Divinos que moldam a vida do povo judeu em toda parte. Rabino Menachem Mendel of Lubavitch (1789-1866) certa vez declarou que se soubéssemos do poder dos Salmos, como suas palavras rompem e ascendem sem impedimentos para o Trono Celestial, certamente os recitaríamos todos os dias!

2- Salmos (Tehilim)

Os Cinco Livros de Moshê são seguidos por outros 19 livros que formam as Escrituras (Neviim) e Profetas (Ketuvim). Coletivamente o conjunto é conhecido como Tanach. Cada um desses livros é uma revelação preciosa da Sabedoria Divina, mas uma em particular encontrou um lugar especial no coração judaico: o Livro dos Salmos (Tehilim). Seus 150 capítulos – compilados pelo Rei David – expressam a profunda fé, anseio e júbilo que são uma parcela de ser um judeu.
Rabi Menachem Mendel de Lubavitch (1789-1866) disse que se apenas conhecermos o poder dos Salmos, como as palavras rompem todas as barreiras e ascendem sem obstáculo ao Trono Celestial, certamente os recitaremos todos os dias!

3– Meguilá (Livro de Esther)

Um dos últimos livros acrescentados ao canon bíblico é o Livro de Esther, também conhecido como Meguilá (“Rolo”). Uma das cinco meguilot incluída, Esther é o único comumente lido a partir de um rolo de pergaminho escrito à mão. Narra a dramática história de Purim, na qual a Rainha Esther é a heroína Divinamente colocada através de quem o povo judeu que vivia no Império Persa foi salvo do perverso esquema de aniquilação de Haman.
A Meguilá é lida duas vezes em Purim, à noite e novamente pela manhã.

4- Mishnah

Moshê recebeu a Torá junto com a Torá Oral – que revela e elucida a linguagem concisa da Escritura – e um conjunto de leis através das quais poderia ser analisada e explicada.
No decorrer dos anos, os sábios desenvolveram um conjunto de tradições orais para acompanhar as leis da Torá. Nos anos tumultuosos após a destruição do Segundo Templo em Jerusalém, Rabi Yehuda, o Príncipe, compilou muitas dessas tradições rabínicas num texto abrangente, conhecido como Mishná (“repetição” ou “aprendizado”). Dividida em seis “ordens” (volumes) a Mishná é o texto fundamental da lei rabínica.

5- Talmud

No decorrer de centenas de anos, os sábios (a maioria em Israel e na Babilônia) estudaram e analisaram a Mishná junto com outros textos rabínicos (beraiotot) que não foram incluídos no compêndio.
A tempo, isso cristalizou em dois corpos distintos de tradição: o Talmud Jerusalém e o Talmud da Babilônia. Espalhado em muitos volumes, o Talmud da Babilônia é o texto judaico mais amplamente estudado – um trabalho de amor que pode levar a vida inteira.
O tradicional texto do Talmud em Aramaico é impresso junto com os resumidos comentários de Rashi, Tosafot, cada um dos quais acrescenta uma perspectiva fundamental para o entendimento do texto.

6- Zohar

Uma página das notas de Rabi Levi Yitschac sobre o Zohar, escrita no exílio com tinta preparada pela Rebetsin Chana. Note as várias cores dessa tinta feita em casa.
Uma página das notas de Rabi Levi Yitschac sobre o Zohar, escrita no exílio com tinta preparada pela Rebetsin Chana. Note as várias cores dessa tinta feita em casa.
Um dos proeminentes sábios da Mishná foi Rabi Shimon Ben Yochai, que floresceu em Israel durante a era da opressão romana. Ele foi também professor mestre da Cabalá, a parte “oculta” da tradição judaica.
Muitos dos seus ensinamentos, especialmente aqueles feitos pouco antes do seu falecimento, foram coletados no Zohar, um texto aramaico que forma tipicamente três volumes e foi organizado para corresponder às porções semanais da Torá.

7- Mishnê Torá

Quando rabinos e judeus instruídos continuaram a refinar e revisitar os decretos do Talmud, as discussões aumentaram de forma tão ampla e intrincada que o leigo não conseguia acessar orientação prática para a vida do dia a dia (Halachá).
Para remediar isso, Rabi Moshê Maimônides (conhecido como Rambam) compilou aquilo que ele chamou de Mishnê Torá (“Revisão da Torá”), uma enciclopédia claramente organizada de regras haláchicas cunhadas de toda a literatura rabínica. Isso estabeleceu o padrão formando uma plataforma para ser seguida por muitas obras rabínicas relevantes.
Como parte de um esforço unificador para dominar toda a Torá, muitos estudam Mishnê Torá (ou junto com ela, Sefer Hamitsvot) num ciclo anual ou tri-anual.

8- Shulchan Aruch (Código da Lei Judaica)

Conhecido em hebraico como Shulchan Aruch (“Mesa Posta”), o Código da Lei Judaica fornece instruções do dia a dia extraídas do código de Maimônides e outros comentaristas. Foi escrito por Rabi Yosef Caro (1488-1575), um sábio sefaradita que viveu na cidade sagrada de Safed ao norte de Israel. Logo depois que foi publicado, Rabi Moshe Isserles, um rabino askenazita na Cracóvia, Polônia, acrescentou termos nos quais ele declara que a tradição askenazita difere das regras de Rabi Caro.
O texto unificado foi aceito por todos os segmentos do mundo judaico: seu próprio nome tornou-se sinônimo da lei judaica. Quando alguém deseja descrever um judeu cujo todo movimento está em sincronia com a halachah, poderia chamá-lo de um ou uma “Shulchan Aruch Yid.”

9- Sidur (Livro de Orações)

As preces judaicas foram compostas pela Anshe Knesset, Haguedolá, “Homens da Grande Assembleia” – um painel composto por 120 profetas e sábios formando a suprema autoridade religiosa no início da Era do Segundo Templo. Além da Amidá (“Prece Silenciosa”( e outras composições, as preces judaicas incluem seções da Escritura, notavelmente o Shemá e uma seleção de Salmos. Desde os tempos de Saadya Gaon (882-942), as preces judaicas têm sigo registradas no Sidur (livro de preces). Há milhares de Sidurim no mercado, refletindo as diferentes tradições de comunidades judaicas diversas bem como vários estilos de tradução e impressão.
O Sidur Chabad (Nusach Ari) foi compilado pelo primeiro Rebe Chabad, Rabi Shneur Zalman de Liadi, baseado nos ensinamentos do Arizal, o mais notável dos cabalistas da era renascentista.
Nos tempos modernos, o Sidur é um alicerce do lar judaico e o companheiro indispensável do judeu observante.

10- Tanya

O texto básico da abordagem do Chassidismo Chabad à vida, o Tanya, provê um mapa para a alma e conselhos inestimáveis para manter jubilo, inspiração, e consistência no decorrer dos desafios da vida. Escrito por Rabi Shneur Zalman de Liadi, é estudado pelos chassidim Chabad diariamente.

Por Menachem Posner
Rabi Menachem Posner atua como editor no Chabad.org, o maior site informativo judaico do mundo. Ele tem escrito, pesquisado e editado para Chabad.org desde 2006, quando recebeu seu certificado rabínico da Yeshiva Central Tomchei Temimin Lubavitch. Reside em Chicago, Illinois, com sua família.

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