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Festival de música judaica faz 10 anos e traz músicos do mundo todo

Festival de música judaica faz 10 anos e traz músicos do mundo todo

Estilo klezmer serve como intercâmbio cultural 
Evento inseriu São Paulo na rota mundial e estreia concurso em que jurados de vários países escolherão finalistas em canção, instrumental e videoclipe.
Eugenio Goussinsky,

A 11ª edição do Kleztival, Festival Internacional de Música Judaica, acontecerá de 17 a 25 de outubro de 2020, a partir da capital paulista, com uma  extensa programação online de apresentações e concertos musicais, workshops, palestras e masterclasses para músicos, profissionais, amadores e estudantes de música.

O estilo klezmer (em hebraico keléy zemer, instumentos musicais) hoje se tornou ele mesmo um instrumento de intercâmbio entre os povos, em um momento no qual a comunidade judaica, de uma maneira geral, encontrou acolhida na maioria dos países e tem Israel como seu principal representante. O festival reúne músicos brasileiros e de vários países do mundo, em um intercâmbio de estilos e sonoridades.

"A música klezmer enquadra-se na tradição dos séculos 18 e 19 de ocupar o espaço público nas pequenas cidades do norte e leste europeu, onde as celebrações ocorriam nas praças, nas celebrações coletivas e nas festas particulares. A informalidade e a presença de todos é que caracterizam o espirito do klezmer retratando a vida, o cotidiano e refletindo o espirito de cada ocasião. O klezmer é uma tradução do espirito e do sentimento de um povo em cada momento de sua história", diz Nicole Borger, diretora executiva do IMJ (Insituto de Música Judaica) Brasil e uma das responsáveis pela direção artística e musical do evento.

Durante os séculos 18 e 19, a música judaica expressava os sonhos e a identidade da população que morava nos guetos do leste europeu. No início, era interpretada, principalmente, pelo violino, cujo som pode remeter à angústia, à leveza, à esperança ou à tristeza daqueles que viviam isolados, oprimidos, mas buscavam se apegar a uma esperança, ancorados na tradição e em valores éticos.

O lendário musical "Um violinista no telhado", baseado em conto de Scholem Aleichem, é um dos frutos artísticos inspirados nesta época. A partir do século 20, esse estilo passou a ser conhecido como klezmer, no qual, em meio ao sofrimento e às valiosas conquistas do dia a dia nos vilarejos, as festas judaicas e celebrações contavam com a presença de músicos, geralmente amadores, que se juntavam, cada qual com um instrumento, para festejar e dançar.

"A presença judaica em várias partes do mundo e a sua integração nas diversas culturas se expressa nas mais diferentes formas, nos vários campos da atividade humana, seja na economia, nas artes, na medicina, etc. Assim, essa expressão artística, o klezmer, se integra também nas expressões musicais locais, como com o jazz nos Estados Unidos ou com o baião ou o choro brasileiros, através do trabalho de inúmeros artistas presentes em cada lugar", afirma Nicole.

Neste ano, a programação do festival, que completa 10 anos, terá a estreia do concurso Bubbe Awards, no qual jurados de diversos países escolherão 30 finalistas em três categorias: canção, tema instrumental e videoclipe. As finais ocorrerão em três noites a partir de 17 de outubro e o vencedor virá da escolha de um júri popular.

Inserido no calendário cultural da cidade de São Paulo, o festival, realizado no IMJ Brasil, colocou o País na rota dos eventos dessa natureza no mundo, ao lado de nações da América do Norte e Europa, que sediam festivais similares há mais tempo.

“Superando as expectativas, a ideia foi tão bem sucedida que a atração recebeu 135 inscrições de 22 países diferentes, da Austrália à África do Sul, de Israel à Europa, da Argentina à América do Norte”, conta Nicole.

A produtora afirma que muitas expressões artísticas da atualidade tornaram-se cada vez mais enquadradas em modelos comerciais e, assim, acabam em muitos momentos por perder a espontaneidade de sua própria arte. O objetivo do festival é, neste sentido, é valorizar a essência da música e integrar culturas a partir da experiência judaica dos séculos passados.

"O klezmer, embora também tenha se adaptado à modernidade e seu renascimento nas décadas de 1970 e 1980 tenha apresentado traços de virtuosismo e sofisticação, tenta manter exatamente esta possibilidade da improvisação, da relação direta com o público e da constante troca de sentimentos e certamente isso lhe confere um valor importante no cenário artístico", completa.

Confira a programação: (sujeita a alteração e transmitida pelo site do IMJ Brasil)

Dia 17/10 às 20h30 - apresentacao dos dez finalistas da categoria de Melhor Videoclip de Musica Judaica do Bubbe Awards

Dia 18/10 - 12h - apresentação do grupo carioca Viver com Yiddish

15h - Step Forverts Kids, mostra de jovens cantores de Yiddish de vários países, inclusive do Brasil, na faixa dos 3 a 16 anos.

19h - apresentação dos dez finalistas da categoria de Melhor Canção Yiddish original do Bubbe Awards

Dia 19/10 - 20h30 - apresentação dos dez finalistas da categoria de Melhor Tema Klezmer Instrumental original do concurso Bubbe Awards

Dia 20/10 - 20h30 - mostra de videoclips de musica judaica diferenciados

Dia 21/10 - 20h30 - show ao vivo (online) do Grupo Dobranotch de Sao Petersburgo, Russia

Dia 22/10 - 16h - Klezmer nos Pampas - debate ao vivo (online) com um compositor brasileiro, Claudio Levitan e outro argentino Natalio Sturla, cujas influencias musicais decorrem de suas raizes familiares nas colonias judaicas do Barao de Hirsh.

Dia 24/10 - 16h - Zingt un Dertseil - Cantar y Contar - programa preparado na Argentina, especialmente para o Kleztival, com a cantora Zulema Benveniste e a historiadora Esther Shwarcz.

20h30 – finalíssima do concurso Bubbe Awards - cerimônia de premiação dos vencedores.

Dia 25/10 - 12h - gravações Historicas da Canção Yiddish - palestra com os professores Abraham Lichtenbaum e Silvia Hansman, da  Fundacion IWO, centro de investigação histórica da comunidade judaica, de Buenos Aires.


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