A oração tem cara de mulher
Estamos quase em Rosh Hashaná e a oração é uma das três ações (teshuvá, tefilá, tzedacá – arrependimento, oração e ajuda aos outros -) que foram estabelecidas como as mitzvot que nos permitem ser inscritos no livro da vida.


No primeiro dia de Rosh Hashaná lemos sobre a esterilidade de Sarah, e, na Haftarah, sobre a esterilidade de Chana, a mãe do profeta Samuel.

Por que nos lembramos da esterilidade dessas mulheres em Rosh Hashanah?

Nas nossas fontes aparecem sete figuras das quais é mencionada a sua condição de estéril. São elas: Sara, Rivka, Rachel, Lea, Chana, a mulher sunamita que aparece mencionada no segundo livro dos Reis (capítulo 4: 1-7) e, por último, no profeta Isaías no capítulo 54 (1-2) é mencionada Sião «Roni akará». A cidade de Jerusalém deve alegrar-se por ter deixado de estar sozinha como uma mulher que não pode ter filhos. É uma mulher estéril que simboliza Jerusalém e também simboliza todo o povo de Israel quando os portões do céu se abrem para receber as suas orações.

Chana, a mãe do Profeta Samuel, com a sua tefilá (oração) a De’s na qual implora para ter um filho, ensina a todos nós como deve ser a nossa oração ao Altíssimo para alcançar o Seu perdão.

Em hebraico, «perdão» diz-se slichá, mas também existe o termo mechilá. Este termo tem dois significados: um é perdoar e o outro é cavar na pedra ou na montanha. Como se relaciona isso com a época do ano em que estamos? Temos que imaginar duas pessoas a cavar de cada lado de uma montanha, até se encontrarem. A mechilá é um convite para o homem encontrar a Rocha que é De’s. O que nos separa de De’s é apenas a medida do nosso desejo de encontrá-Lo, de nos aproximarmos Dele.

Diz a poetisa Lea Goldberg:
Não é o mar que nos separa
Não são as montanhas que nos afastam
Somos nós mesmos …
Chana, é ela mesma que decide rezar, é a oração desta mulher que permanece como modelo para as gerações, ela fá-lo em silêncio, mas é um silêncio que quebra os ouvidos!
Se acreditarmos no perdão, na mechila, devemos cavar na rocha das nossas almas para procurá-lo.
A esterilidade é uma qualidade do povo de Israel. É com este estado de carência e com a contrição de uma mulher que sente o útero fechado que devemos apresentar-nos perante o Altíssimo e elevar as nossas orações, num silêncio ensurdecedor, do fundo da nossa alma.

Edith Blaustein




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