Zona de InteresseEmbora já no final do século XIX, Theodore Herzl tenha lançado o programa sionista de retorno dos judeus à Palestina e em 1917, Lord Balfour, Secretário Britânico de Assuntos Estrangeiros tenha concordado com a existência de "um lar nacional "para os judeus na Palestina, foi somente a revelação das atrocidades cometidas pelos nazistas nos campos de concentração contra os judeus, que consolidou a ideia da existência de Israel.

Segundo Elizabeth Roudinesco (A parte obscura de nós mesmos - uma história dos perversos),"a singularidade de Auschwitz, diferente de todos os outros atos de barbárie do século XX, está no fato de que o nazismo inventou um modo de criminalidade que perverte não apenas a razão de Estado, como mais ainda, a própria pulsão criminal, uma vez que, em nome de tal configuração, o crime é cometido em defesa de uma norma racionalizada e não enquanto expressão de uma transgressão de uma norma não-domesticada".

Tudo que aconteceu em Auschwitz, registrado em milhares de documentos, só pode ser melhor percebido em todo seu horror, por incrível que pareça, não pela narração dos fatos reais, mas pela sua leitura pela arte.
     Zona de InteresseÉ assim que ele surge em  Zona de Interesse, o livro de Martin Amis, que ao narrar de forma literária os acontecimentos de Auschwitz parece se inspirar na conclusão de Hannah Arendt sobre as práticas nazistas: "é a banalização do mal".
Primo Levi, que esteve preso em Auschwitz durante um ano, escreveu: "Os criadores de Auschwitz são aplicados, tranquilos e superficiais. Suas discussões, declarações, testemunhos - presentes e póstumos - são frios e vazios" ao se referir o que os nazistas disseram, depois, durante seus julgamentos.
Para Levi, a aparência modesta e banal dos genocidas coincide plenamente com a racionalidade anônima e cega das grandes instituições modernas.

No livro de Martins Amis, a "Zona de Interesse" é o local onde os judeus, que chegam a Auschwitz, são recebidos ao som de instrumentos musicais e passam por uma triagem, processo que determinava se seriam destinados inicialmente aos trabalhos forçados ou enviados diretamente ás câmaras de gás.

O inferno de Auschwitz terminou em 1945, mas até quando suas consequências permanecem? A resposta a esta pergunta é o tema do último filme do diretor Atom Egoyam, nascido no Egito e naturalizado canadense, de 2015, Remember - Memórias Secretas (2015)
O filme conta a história de Zev (numa interpretação magistral de Christopher Plummer (Com dezenas de filmes em seu currículo, Christopher Plummer será sempre lembrado como o Capitão Trapp, do filme A Noviça Rebelde de 1965),que aos 80 anos, sofrendo do mal de Alzheimer, percorre boa parte dos Estados Unidos e Canadá, a procura de um  nazista, responsável pela morte de sua família em Auschwitz, que teria fugido da Alemanha após a guerra e viveria sob outro nome na América.

Nessa peregrinação em busca da memória perdida, Zev se orienta por uma carta escrita por outro sobrevivente, Max Zucker (Martin Landau), seu antigo companheiro num asilo de velhos judeus.

A engenhosa (talvez engenhosa demais) solução final do filme, não invalida a importância de que os eventos de Auschwitz sejam sempre lembrados para que não se repitam mais no futuro.





Blog Judaico 
Receba nossa newsletter
Comece o dia com as notícias selecionadas  Clique e assine.