25 de ago. de 2020

Sobre a normalização da paz e da esperança e sobre a normalização da destruição da democracia

Sobre a normalização da paz e da esperança e sobre a normalização da destruição da democracia
Por Tzipi Livni* - Publicado no Facebook em 24/8/20

A normalização com os Emirados Árabes Unidos é uma boa notícia para Israel. Ponto. Junto com isso, o adiamento / cancelamento da anexação é uma boa notícia em dobro.

Será que realmente a “inovação” agora em relação aos palestinos pode ser paz em troca de paz, sem abrir mão de territórios? “A vitória da tese da direita” como alguns alegam? Conversa fiada.

Não apenas porque os Emirados Árabes sim receberam algo em troca, na forma de cancelamento / adiamento da anexação, e não apenas por causa dos jatos de combate F-35. A verdade é que os Emirados Árabes abriram mão da condição de paz com os palestinos como condição para a normalização com eles e é bom que seja assim. É sim um evento histórico que altera a realidade, e espero que outros países sigam o exemplo, mas não altera a realidade entre nós e os palestinos, com quem temos um conflito também por território, o que não existe e nunca existiu com os países do Golfo.

Outros países podem abrir mão da solução do “problema palestino”, mas milhões de palestinos se encontram aqui, na Judéia e Samaria, e não nos Emirados Árabes ou em outro lugar. O problema palestino é um problema israelense. Se não o solucionarmos, através de nossa separação dos milhões de palestinos, ele ameaçará a identidade de Israel como país judaico e democrático e condenará nossos filhos-soldados a um conflito contínuo. É um claro interesse judaico israelense soluciona-lo e não sermos arrastados com regozijos de alegria para um estado único entre o mar e o Jordão.

Normalização em troca da destruição da democracia é o negócio que o primeiro-ministro propõe para o seu povo. Um desenvolvimento diplomático junto a outros países, por mais importante que seja, não vai embranquecer os terríveis desenvolvimentos contra a democracia dentro de casa. Não dá direito de destruir as bases da democracia, atacar os agentes da lei e da justiça, golpear o status especial do Conselheiro Jurídico do Estado e continuar a incitar irmão contra irmão.
A normalização do que não é normal - não apenas o primeiro-ministro de Israel ataca as instituições da lei e da justiça de seu país, mas a discussão que ele causa é a normalização do que não é normal, como se se tratasse de uma discussão legítima, o que não é !!!
As coisas mais básicas na democracia israelense não são assunto de posição política:
* Um indiciado não pode decidir quem conduzirá a acusação contra ele no tribunal ou negociará com ele um acordo judicial. É um gritante conflito de interesses. Indiciados não escolhem o investigador, o promotor e o juiz dos seus julgamentos, mesmo sendo primeiro-ministro.
* Quem decide acordos sobre conflitos de interesses de ministros, incluindo o primeiro-ministro, é o Conselheiro Jurídico do Estado. Um primeiro-ministro que não respeita essa autoridade também não respeitará a autoridade do juiz para julga-lo.
* Os promotores e os guardiões da lei não são funcionários que têm que obedecer a políticos. Eles têm que agir sem medo político e sem favoritismo. A politização dos sistemas da lei e da justiça significa não apenas vista grossa para a corrupção governamental, mas também um país em que se faz uso distorcido do sistema contra cidadãos e rivais políticos.

Isso é o óbvio que foi desgastado até mais não poder, em discursos e discussões supostamente objetivas, com premissas conspirativas, que mesmo que refutadas com documentos e datas, criam uma percepção de que Israel é um país em que se inventam processos criminais e os sistemas da lei e da justiça estão contaminados.

Fui Ministra da Justiça e até criei a corregedoria da promotoria, órgão que partia do princípio de que em todos os sistemas as pessoas podem cometer erros e há deficiências que precisam ser corrigidas. Isso é democracia. A alegação de que o sistema inteiro está contaminado vem de motivações políticas para extorquir os ministros responsáveis por ele, visa derrubar a confiança do público nos sistemas da lei e da justiça de Israel e nos levará à anarquia ou à ditadura.
Tzipi Livni | Biography & Facts | BritannicaE como na poesia de Alterman, eu escuto e repito de coração a linha: “você sabe que é mentira, mentira, mentira!”. Por enquanto, antes que vire a realidade de nossas vidas.

* Tzipi Livni é política, advogada e diplomata. Ocupou sete diferentes ministérios pelo Likud, Kadima e a União Sionista. Foi Ministra da Justiça, Ministra do Exterior e Vice-primeiro-ministro.



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