28 de ago. de 2020

Rabino Sacks condena mistura de religião com política

Rabino Sacks condena mistura de religião com políticaRabinos judeus americanos estão errando ao endossar – e se opor – ao presidente Donald Trump, de acordo com Jonathan Sacks, o ex-rabino-chefe da Grã-Bretanha que disse que sempre evitou cuidadosamente mostrar afinidade por qualquer candidato em particular.

Em uma entrevista à Agência Telegráfica Judaica (JTA), Sacks, que foi rabino-chefe de 1991 a 2013, disse que mesmo quando se aproximou e deu conselhos a líderes políticos de vários tipos, ele nunca endossou ou permitiu que rabinos sob sua supervisão se engajassem em defesa política ou campanha eleitoral.
“Eu posso ver que esse não é o caso na América. E temo que os judeus americanos estejam cometendo um grande, grande, grande erro”, disse Sacks. “Isso não é uma coisa pequena. É uma coisa muito, muito grande”.
Sacks fez os comentários em resposta a uma pergunta sobre Shmuel Kamenetsky, um influente rabino haredi ortodoxo que recentemente disse que os judeus deveriam votar para reeleger Trump por gratidão. Outro rabino ortodoxo, Aryeh Spero, abençoou Trump e sua campanha de reeleição nesta semana na Convenção Nacional Republicana.
Na esquerda, os rabinos frequentemente se envolvem em questões políticas partidárias e até defendem candidatos políticos específicos. (Organizações sem fins lucrativos dos EUA, incluindo casas de culto, enfrentam penalidades se se envolverem em atividades políticas proibidas como organizações.)
A consequência de confundir a linha entre política e judaísmo pode ser significativa, disse Sacks.
“Você mistura religião e política, você obtém política terrível e religião ainda pior”, disse ele, acrescentando mais tarde: “Receio não ter absolutamente o menor traço de simpatia por qualquer pessoa que, como rabino, diz às pessoas como votar”.
É uma linha difícil de seguir, (“Você mistura religião e política, você obtém política terrível e religião ainda pior”) especialmente quando você acaba de escrever um livro destacando o declínio dos valores fundamentais na sociedade que, durante a maior parte da história humana, estiveram inextricavelmente ligados à religião.
Em “Moralidade: Restaurando o Bem Comum em Tempos Divididos”, Sacks argumenta que a sociedade passou pelo que ele chama de “mudança climática cultural”, na qual o individualismo corroeu a moralidade coletiva. Tal como acontece com a mudança climática meteorológica, ele argumenta, existem forças alimentando uma mudança perigosa – ele aponta a mídia social como uma das principais – mas também há tempo para evitar desastres.
O caminho para se tornar moral, escreve Sacks, é ao mesmo tempo simples e um grande desafio: “Precisamos de encontros diretos com outros seres humanos. Temos que estar na presença deles, abertos à sua alteridade, alertas às suas esperanças e medos, envolvidos no minueto da conversa, no delicado vaivém de falar e ouvir”.
A Agência Telegráfica Judaica conversou com Sacks sobre como essa visão se enquadra na “cultura de cancelamento”, como Israel incorpora o ethos que deseja promover (e como não faz), o papel da religião na moralidade e outras questões levantadas em seu livro, que será lançado pela Basic Books nos Estados Unidos em 1º de setembro.



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