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A bandeira de Israel

     
Vamos esclarecer uma coisa: Israel é o Estado do povo judeu. Lá moram 9 milhões de pessoas. Entre elas, 2 milhões de não judeus entre eles muçulmanos, cristãos e drusos. Entre os israelenses, há pessoas de esquerda, centro, direita. Há socialistas e capitalistas. Há religiosos e laicos, há ricos e pobres, há heterossexuais e homossexuais e tudo isso forma o grande mosaico do estado de Israel. A bandeira de Israel, portanto, representa tudo isso. A Estrela de David representa a história judaica milenar. Ela está em sinagogas e nos artefatos sagrados da tradição judaica.
Entendo e sempre apoiei manifestações que protejam a existência de Israel e o direito de o país se defender do terrorismo. Também acho extremamente pertinente, quando deputados defendem Israel no congresso brasileiro frente a ataques de grupos que espalham notícias falsas ou fora de contexto sobre o país. Tudo isso, repito, é bem-vindo.
Porém, tal apoio não pode ser usado de qualquer forma e muito menos de forma indevida. Protestos sobre a política doméstica brasileira não deveriam incluir a bandeira de país nenhum, se não a do Brasil. Nem a bandeira de Israel, nem a dos EUA. Da mesma forma, protestos de parte da esquerda no Brasil não deveriam ter bandeiras de Cuba, da Venezuela ou da Palestina. Bandeiras são símbolos nacionais.
No caso da bandeira de Israel, especificamente, tenho visto com preocupação sua constante presença em manifestações brasileiras, nas quais há a tentativa de transformar o símbolo do Estado Judeu em algo diferente de sua natureza. Atribuem a essa bandeira um novo valor, seja ligado à religião, seja às discussões e polêmicas da última hora, muitas das quais não têm relação nenhuma com a sociedade, a história, a realidade israelense.
Num Brasil atualmente polarizado, minha preocupação se intensifica. Israel é uma democracia parlamentarista, efetuou umas das mais severas quarentas do mundo e agora reabriu sua economia, gradativamente e com várias medidas para não agravar a crise sanitária. Se alguém é contra a quarentena no Brasil, está no seu direito de protestar, mas usar a bandeira de Israel está errado. Afinal, repito, o governo de Israel, liderado pelo primeiro ministro Benjamin Netanyahu, um político de direita, implementou fortes medidas de isolamento social no país por mais de 45 dias.
Sempre condenei e continuarei condenado o uso da bandeira palestina por parte da esquerda, pois o conflito palestino-israelense não deveria ser um tema de oposição e coalizão. Israel representa valores democráticos e plurais, também presentes no Brasil e que precisam ser abraçados, cada vez mais, por distintos da política brasileira.
Se alguém se manifesta para enfatizar a amizade entre Brasil e Israel, pois o país está em guerras constantes e sua população civil está frequentemente sendo atacada por foguetes de grupos terroristas, ou por apoiar a transferência da Embaixada do Brasil para Jerusalém, que siga em frente. Proteste e leve a bandeira de Israel.
Porém, se o protesto é sobre política doméstica do Brasil e se ainda há alguma possibilidade de ele incluir gritos de radicais contra as instituições democráticas do Brasil, não leve a bandeira de Israel. Quem gosta mesmo do Estado Judeu não usa sua bandeira de modo leviano.
André Lajst
Oficial da reserva da Força Aérea de Israel



Blog Judaico 
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