06/03/2020

Tetzavê-Zahor- Purim

Tetzavê-Zahor- Purim      
וְאַתָּה תְּצַוֵּה אֶת בְּנֵי יִשְׂרָאֵל

Nossa Parashá começa com as palavras "e você". 
Rabi Hiya no Zohar nos conta que todo lugar na Torá que está escrito "e você" está nos indicando que a presença Divina está junto com ele
Ou seja, este "e" vem nos indicar "alguém e você", e esse "alguém" é a própria revelação Divina 
Rabi Itzhak no Zohar nos explica que essa linguagem aparece para nos indicar que nesse caso a luz de cima e a luz de baixo se unem se tornando uma só
A consequência disso nesse caso foi que Moshe Rabeinu simplesmente teve que cumprir a missão de repassar ao povo de Israel os assuntos relacionados à construção do Mishkan, mas na prática cada um teve a inspiração Divina causada por essa sincronização entre o mundo de cima e o mundo de baixo e fez o que precisava ser feito mesmo nos mínimos detalhes que Moshe Rabeinu não chegou a repassar a ponto de ele próprio se espantar com o fato de tudo ter sido feito como Hashem tinha mostrado para ele no Monte Sinai
Em Parashat Bereshit Hashem diz aos anjos "façamos o homem". Existem alguns motivos para o uso dessa linguagem.
Hashem não precisou falar para os anjos "façamos um boi ou façamos um cavalo, mas sendo que o nível do ser humano seria superior ao dos anjos Hashem teve que dizer para eles" façamos o homem", como uma mãe que já tem uma criança e vai dar a luz, diz para a criança que está indo ao hospital para trazer para ele um irmãozinho, e ela fala isso para que ele não fique com inveja. Outro motivo é porque os anjos teriam várias responsabilidades em relação à nós 
Sendo assim, se na nossa Parashá a intenção Divina na expressão "e você" é dizer "nós", porque o versículo já não diz explicitamente "nós" como no caso do versículo que fala sobre a criação do homem, e porque nesse caso parece que o "você" é a pessoa dominante nesse versículo e Hashem aparece simplesmente indicado indiretamente por um simples "e" ? 
Nessa mesma Parashá o Zohar traz uma regra profunda que por meio dela podemos entender claramente todos esses "porquês" 
Diz o Zohar que o mundo de baixo está sincronizado com o mundo e cima e está sempre dependendo de receber de lá tudo o que precisa, e o que receberemos vai depender de nós e não do mundo de cima.
Se aqui nesse mundo estamos com um sorriso no rosto, alegres e felizes, recebemos um sorriso lá de cima, e não precisamos mais nos preocupar com nada porque somos queridos no mundo de cima e todos os nossos problemas vão ser resolvidos com muito amor e carinho 
Por isso, diz o Zohar, está escrito no Tehilim que devemos servir à D'us com alegria, porque a alegria da pessoa traz para ela outra alegria superior 
Ou seja, quando você está triste você desperta o lado esquerdo do mundo superior, o lado da "guevurá", e atrai para você todos esses "dinim", todos os decretos ruins que vem purificar a sua Alma da pior maneira possível e consequentemente a mais dolorosa
Quando você se esforça e fica alegre mesmo não tendo o mínimo motivo para isso mas muito pelo contrário, você desperta o lado direito no mundo superior, o lado da "Hessed", e Hashem te dá verdadeiros motivos para ficar alegre.
Todos os seus problemas são resolvidos com muito amor e carinho e você recebe todos os motivos do mundo para ser feliz.
Sua Alma é purificada de uma maneira positiva, Hashem te dá muito dinheiro para dar para a Tzedaká, você consegue fazer muitos favores para muitas pessoas e purifica a sua Alma sem precisar sofrer
Mas isso não vai depender lá de cima mas sim de você. E por isso nossa Parashá coloca a palavra você como principal e a revelação Divina como algo que te acompanha.
Porque você vai decidir que tipo de revelação Divina vai te acompanhar, se Hashem vai se revelar para você como um pai ou como um rei, isso depende somente de você 
Conselho de amigo: Fique sempre alegre não importa a situação, você só tem a ganhar! 
😊😊😊😊😊😊😊😊😊
Purim
A festa de Purim esse ano 5780 tem início na noite de segunda-feira, 9 de março e continua até terça-feira, 10 de março de 2020 (e até quarta feira 11 de março em Jerusalém)
Por trás dos bastidores da Meguilá
Pergunta o Zohar: porque aquela geração teve que passar por um susto desses? E a resposta do Zohar é: porque eles tiveram o prazer em participar da festa daquele criminoso que era Ahashverosh, o Rei da Pérsia.
Mas esse motivo sozinho, diz o Zohar, ainda não seria o suficiente para justificar um susto dessa proporção. Então o próprio Zohar traz mais um motivo: Aquela geração é a mesma que tinha se prostrado na frente da estátua de Nabucodonosor antes dos persas conquistarem a Babilônia
Ou seja, aquela geração tinha uma pendência anterior de ter se prostrado na frente da estátua de Nabucodonosor mesmo sem acreditar nisso, e tiveram a oportunidade de retificar essa transgressão se não tivessem participado da festa que Ahashverosh fez para todos os habitantes de Shushan Habirá
Naquela festa Ahashverosh se vestiu com as roupas do Cohen Gadol e distribuiu vinho nos copos de ouro do Beit Hamikdash, expressando dessa maneira que a nossa religião é um assunto puramente cultural, somente um folklore, mas que não tem um D’us de verdade que interage com a sua criação dando um prêmio para quem faz o bem e um castigo para quem faz o mal
Então aparece um Haman que faz um decreto de morte à todos os judeus que professam a religião judaica colocando todo o nosso povo em uma situação de morrer como judeus ou salvar a própria vida trocando de religião
Por trás do decreto de Haman
A Meguilá nos conta que em Shushan Habirá havia um judeu, e o seu nome era Mordehai ben Yair ben Shim’i ben Kish e ele era da tribo de Biniamin
Surge a pergunta: Se ele era da tribo de Biniamin, porque ele é chamado de judeu que é alguém que pertence à tribo de Judá?
Explica a Guemará que a palavra “Judeu” recai sobre todos aqueles que não se prostram na frente da idolatria, e portanto tanto os Cohanim quanto os Leviim daquela época foram chamados de judeus pelo motivo de professarem a religião judaica e não se curvarem na frente da idolatria, e não pelo motivo de pertencerem à tribo de Judá
Tetzavê-Zahor- PurimO Midrash nos conta que Haman, à exemplo do faraó do Egito e de Nabucodonosor rei da Babilônia, se considerou um deus. E por isso Mordehai não se prostrava na frente dele mesmo sendo isso uma ordem do Rei
O Ralbag, um grande Rabino da idade média, nos conta que explicaram para Haman que Mordehai não pode se prostrar na frente dele por motivos religiosos, por ser judeu, e que por esse motivo Haman decidiu fazer um decreto de morte à todos os judeus,  ou seja, à todos os que professam a religião judaica!
Mas se um judeu se convertesse à outras religiões, para Haman ele não seria mais judeu, e esse decreto não recairia mais sobre ele
O povo de Israel se manteve firme na sua religião mesmo consciente de todas as consequências, sendo que aquele decreto foi feito para todos os 127 países do mundo que naquela época pertenciam ao império persa e não tinha para onde fugir. Ou seja, todos os judeus estavam dispostos a morrer pela nossa religião
Diz a Guemará que quando nós fazemos Teshuvá e voltamos a nos comportar de acordo com a Torá, descobrimos que D’us já tinha criado o remédio antes de criar a doença.
Ou seja, D’us cria a solução antes de criar o problema, e por meio da nossa Teshuvá Hashem nos revela a solução
Antes de Haman fazer o decreto contra o nosso povo aconteceram algumas coisas que somente depois do decreto vimos que aqueles acontecimentos tinham sido milagres sobrenaturais e indispensáveis para a nossa salvação
Vashti, a rainha da Pérsia, vinha de uma linhagem real, ela era a neta do rei da Babilônia.
Quando Ahashverosh se casou com ela, ele também entrou na família real, e portanto ela era o motivo da sua realeza e a última pessoa no mundo a quem ele teria interesse em prejudicar
No sétimo dia do banquete que Ahashverosh fez para os habitantes de Shushan, banquete no qual ele expressou que a profecia do profeta Yermiahu (Jeremias) de os judeus voltarem para Jerusalém depois de setenta anos não aconteceu e portanto esse profeta é falso e esse D’us não existe, ele mandou os sete ministros da Babilônia chamarem a rainha Vashti para mostrar toda a sua beleza no banquete dos homens
Aquele dia era Shabat. A rainha Vashti, uma antissemita diplomada e pós graduada que propositalmente contratava jovens judias para fazer com que elas profanassem o Shabat, e quando elas se recusavam eram obrigadas a desfilarem por toda a cidade nuas e montadas a um cavalo
Essa mesma rainha Vashti é chamada pelo Rei para desfilar totalmente nua no Shabat no banquete dos homens, revelando que esse D’us que está sendo proclamado nesse mesmo banquete como “inexistente” está interagindo no mundo e fazendo as coisas mais surreais acontecerem como se fossem as coisas mais naturais
Hashem fez um milagre e a rainha Vashti antes da sua “apresentação” tem uma grave doença estética e não pode se apresentar.
Um dos sete ministros, que de acordo com o Midrash era o próprio Haman, aconselhou o rei a matar a rainha por ter desobedecido o rei e ter dado um mau exemplo para o povo
O Rei, ao contrário da sua própria ideologia, manda matar a rainha Vashti, fazendo com que a profecia do próprio profeta Yermiahu sobre a Babilônia que incluía a morte da neta do rei da Babilônia acontecesse,
Yermiahu era esse profeta que o rei estava desacreditando no seu banquete pelo fato de o próprio rei ter errado na conta de setenta anos que o profeta Yermiahu fez, e não pelo profeta ter errado
Afinal das contas com esse grande milagre sobrenatural que aconteceu sem que ninguém percebesse, o “status quo” mais sólido da época foi destruído abrindo as portas para uma grande mudança
Quando passou a fúria do rei ele teve um grande remorso pelo que fez, por ter matado a sua rainha, demonstrando que tudo tinha acontecido por um motivo superior à própria vontade dele.
Vendo a tristeza do rei, seus servos o aconselharam a fazer um concurso de miss universo entre todos os 127 países para encontrar a mulher mais bonita do mundo e se casar com ela
A nova rainha, mais um milagre surreal
A Guemará nos conta que Ester era esverdeada e só por milagre alguém poderia achar ela bonita. Hashem fez um milagre surreal e todos acharam que ela era a mulher mais bonita do mundo
Ester era uma judia religiosa que não entendia nada sobre relações íntimas, e a parte mais importante desse concurso era passar uma noite com o rei.
Diz o Ari Zal que uma demônia em forma humana substituía Ester nessas horas e deixava o rei “louquinho”.
Ou seja, a artista principal é substituída por alguém muito parecida para as cenas de “perigo”, e nesse caso, essa personagem espiritual negativa se materializava na aparência perfeita de Ester
Bigtan e Teresh
Mordehai era membro do grande tribunal rabínico de Yerushaláim conhecido como Sanedrin. Lá cada pessoa era ouvida na sua própria língua, e o Sábio que não soubesse setenta línguas não era aceito como membro do tribunal
Dois funcionários públicos de Ahashverosh provenientes de um país distante com uma língua rara que ninguém conhecia a não ser quem era de lá, conversaram entre si na frente de Mordehai e planejaram assassinar o rei.
Ninguém conhecia essa língua, fora Mordehai, e a pessoa mais interessada no mundo em receber essa informação era o próprio Mordehai, e tudo isso acontece na frente dele por milagre surreal
Porque se eles assassinassem o rei que não tinha um filho para o suceder, a segunda figura na corte era Haman e o decreto contra o nosso povo aconteceria sem impecilhos. O único jeito de anular o decreto de Haman era por meio do rei, e esse rei quase foi assassinado se não fosse esse milagre.
Mordehai repassa essa informação para Ester que a repassa para o rei em nome de Mordehai, e esse fator vai ser importantíssimo para mudar o imutável “Status quo” de Haman ser a pessoa tomadora das decisões da única potência mundial  
Nossos profetas e o anel do rei
A Guemará nos conta que desde que o povo de Israel recebeu a Torá até a época em que aconteceu o milagre de Purim, nosso povo teve 48 profetas e sete profetizas que fizeram o possível e o impossível para nos trazer de volta ao judaísmo e não conseguiram, mas quando Ahashverosh tirou seu anel e o entregou à Haman para fazer os seus decretos, nosso povo fez Teshuvá
Mordehai pede para Ester pedir ao rei para anular o decreto. Ela responde que o rei não a chamou já faz um mês, e todo aquele que entrar no pátio do rei sem ser convidado é condenado à morte, e como sabemos, a rainha Vashti tinha sido executada por muito menos do que isso
Só há um jeito de a pessoa sobreviver, que é o rei abrindo uma excessão e estendendo seu cedro de ouro para aquela pessoa, e Ester não queria se arriscar.

Mordehai pede para ela fazer isso de qualquer maneira. Então ela pede para Mordehai reunir todos os judeus da cidade e fazer três dias de jejum e rezas, e ela e as suas jovens ajudantes também vão fazer igual

Todo o povo faz Teshuvá, e depois de três dias de jejum e rezas Ester entra no pátio do rei sem ser chamada

Sabemos que esse rei era obsecado por mulheres bonitas e não existe pessoa mais feia no mundo como alguém que está três dias sem comer, como nos lembram as “vacas magras” do Egito, feias e ruins

Hashem faz um milagre surreal e desperta no rei uma enorme paixão por Ester, e ele diz que ela pode pedir qualquer coisa até metade do império. Ela diz que veio convidá-lo para o banquete que ela fez para Haman…

O plano de Ester

Ester queria que o rei perguntasse à si próprio: será que uma pessoa normal arriscaria a própria vida para convidar alguém para uma festa que ela está fazendo para outra pessoa? E dessa maneira despertar os ciúmes do rei em relação à Haman.

O rei suspeitando de alguma coisa entre os dois entraria em pânico sendo que se o rei fosse assassinado e Haman se casasse com a rainha, o império continuaria funcionando sem nenhum problema, ninguém precisaria mais do rei e ele seria esquecido

No final do banquete o rei oferece à Ester até metade do reino, e ela pede para ele vir amanhã também no próximo banquete que ela vai fazer para Haman

Naquela noite o Rei não conseguiu dormir. Ele se questionou : “Porque ninguém passaria para ele a informação de que alguém poderia estar querendo assassiná-lo? “

Talvez alguma vez alguém já salvou a vida do rei e o rei não fez nenhuma honraria para aquela pessoa, e por isso ninguém mais estaria motivado para passar alguma informação que salvasse a vida do rei?

Com esses pensamentos atrapalhando o seu sono ele pede para lerem na frente dele o “diário” dos principais acontecimentos do reino. Com certeza muitas páginas se passaram desde que Mordehai salvou a vida do rei e nada foi dado à ele, e milagrosamente o longo pergaminho se abre por si só naquela página

O rei pergunta se Mordehai recebeu algo por ter salvo a vida do rei e a resposta é negativa. O rei pergunta se há alguém esperando ele no pátio, e lá estava só Haman esperando para pedir permissão ao rei para enforcar Mordehai em uma forca de vinte e cinco metros de altura que ele preparou no pátio da sua casa para enforcar Mordehai.

Por incrível que pareça o fato de ele ter mandado construir essa forca tão alta no pátio da sua casa para enforcar Mordehai também entra na lista dos milagres da Meguilá, porque se não fosse essa forca Haman não seria enforcado

O Rei pergunta para Haman o que fazer para a pessoa que o Rei tem interesse na sua honra. Haman imagina que obviamente está se tratando somente dele, e pode para vestir essa pessoa de rei, montá-lo no cavalo do rei e um dos maiores ministros levá-lo para um desfile em toda a cidade proclamando na sua frente que esse é o homem que o rei está interessado na sua honra, o homen que salvou a vida do rei. O rei pede para Haman fazer tudo isso para Mordehai

Naquela noite, no segundo banquete de Ester, o Rei pergunta à ela qual é o seu pedido até a metade do império. Aí ela declara que ela quer a própria vida de presente, porque ela e o povo dela foram vendidos para serem mortos

O Rei fica furioso e pergunta: quem teve a ousadia de fazer uma coisa assim? E ela diz: um homem sádico e inimigo, Haman, esse criminoso

O rei saiu um pouquinho para o Jardim, e quando volta vê Haman deitado sobre o divã de Ester pedindo desculpas para ela.

O rei que já estava com medo desse “relacionamento” desde que Ester arriscou a própria vida para convidar o rei ao banquete que fez para Haman, exclamou: e também violentar a rainha comigo em casa?

Sendo que essa palavra saiu da boca do rei, já seria um bom motivo para Haman ser condenado, mas sendo que o “status quo” de Haman como primeiro ministro da Pérsia era muito sólido, o rei ainda poderia se acalmar e entrar em um acordo com Haman.

Nessa hora vimos o milagre de Haman ter feito a forca para Mordehai. Hashem faz mais um milagre surreal e Eliahu Hanavi aparece em forma material de um dos encarregados do rei, aponta para a forca de 25 metros visível da casa de Haman e diz ao rei: olha também a forca que fez Haman para Mordehai que salvou a vida do rei, 25 metros de altura.

O reflexo imediato do rei é ordenar o enforcamento de Haman na forca que ele preparou para Mordehai, nos mostrando que: se faltou criar alguma parte do “remédio antes da doença” Hashem dá um jeitinho e sempre manda Eliahu Hanavi em um caso de emergência

Mais um milagre surreal, o decreto do Rei não pode ser revogado e os judeus são obrigados a matar os antissemitas

Você poderia imaginar que simplesmente fomos salvos mas que os 127 países do império persa seriam como nosso estado de Israel de hoje com setenta anos de existência e cada vez mais atentados terroristas. Mas não,o milagre foi muito maior do que isso

Ahashverosh não tinha como revogar o próprio decreto de morte aos judeus incluindo sua própria rainha, e por isso deu o seu anel para Mordehai fazer o decreto contra os antissemitas que era o único jeito de resolver o problema.

O rei deu a casa de Haman para Ester e Ester colocou nela Mordehai. Haman tinha sido enforcado, e quando os 127 países receberam o decreto do rei escrito por Mordehai autorizando aos judeus de matarem todos os seus inimigos e compararam com o decreto de Haman vigente para a mesma data aonde os inimigos dos judeus poderiam matar os judeus, levaram em conta que Haman estava enforcado, a rainha era judia e o novo primeiro ministro da Pérsia era o Rabino Mordehai que recebeu da rainha a casa de Haman, e com certeza ninguém queria se complicar com esse novo governo.

Nem precisamos dizer que nosso povo se defendeu dos seus inimigos, 75.800 antissemitas foram mortos e todos os povos de todo o império ficaram nossos amigos

Os mandamentos da Festa de Purim

Purim, celebrada no 14o dia do mês de Adar, é A data mais alegre do ano judaico. Comemora a milagrosa salvação do Povo Judeu na antiga Pérsia da trama de Haman para “destruir, matar e aniquilar todos os judeus, jovens e idosos, crianças e mulheres, em um único dia”.

São quatro as mitzvot (mandamentos Divinos) básicas associadas com a festa de Purim. Apesar de não ser um Yom Tov, um dia sagrado – já que não há restrições como no Shabat ou nas festas bíblicas (Rosh Hashaná, Yom Kipur, Sucot, Pessach e Shavuot) –, deve-se, se possível, tirar o dia de folga do trabalho para celebrar essa festividade alegre e, assim, poder cumprir seus mandamentos de forma adequada.

É importante lembrar que no calendário judaico, o novo dia começa ao pôr-do-sol. Purim, portanto, que é uma festa de um só dia, se inicia ao anoitecer e termina no dia seguinte, com o cair da noite. Excetuando-se o mandamento de ouvir a leitura da Meguilá, que deve ser lida à noite e novamente no dia de Purim, os outros três mandamentos da festa são realizados durante o dia.

1º mandamento: Ouvir a leitura da Meguilá

A Meguilat Esther, um dos livros do Tanach (Torá, Profetas e Escritos Sagrados) conta-nos a história de Purim. Como mencionamos acima, há o mandamento de ouvir a leitura da Meguilá duas vezes durante a festa: na noite e, novamente, no dia de Purim.

O mandamento de ouvir a leitura da Meguilá se aplica a homens e mulheres. É preferível que seja feita na presença de um minyan. Como uma das razões para a leitura é divulgar os milagres celebrados nesse dia, o fato de ser feita na sinagoga permite que o mandamento seja cumprido da melhor forma.

Ouvir essa leitura é tão importante que tem precedência sobre o cumprimento de todos os demais mandamentos positivos da Torá. Isso significa que mesmo quem estuda a Torá durante o dia todo, deve interromper seus estudos para ouvir a Meguilá. A única mitzvá que não é suspensa para a leitura da Meguilá é o enterro de uma pessoa que foi encontrada morta e não tem quem a enterre.

A leitura é feita a partir de um rolo de pergaminho escrito à mão. Para cumprir o mandamento, é necessário ouvir cada uma das palavras. O ideal é que todos os que estão na sinagoga tenham uma Meguilá manuscrita sobre pergaminho diante de si para poder acompanhar a leitura. Desta forma, tem-se a certeza de que mesmo quem não conseguiu ouvir uma ou outra palavra, poderá ler sozinho e, assim, cumprir o mandamento. Quem não tiver uma Meguilá manuscrita, deverá ler de uma impressa.

2º mandamento: Dar presentes aos carentes (Matanot LaEvyonim)

Um dos temas primordiais de Purim é a união do Povo Judeu. O notório antissemita Haman, primeiro-ministro do rei persa Achashverosh, tentou matar todos os judeus, sem exceção – homens, mulheres e crianças. Não fazia distinção entre os judeus; para ele, todos eram iguais – e cada um deles tinha que ser exterminado. Pouco lhe importava se eram religiosos, eruditos, bem-sucedidos – ou não. Como todos eles viviam sob o domínio do Rei Achashverosh, a “Solução Final para a Questão Judaica” de Haman se aplicava a cada um deles. E juntos, eles enfrentaram essa ameaça à sua existência. Oraram e jejuaram juntos. E juntos prevaleceram contra seus inimigos. Assim, em Purim, todos os judeus celebram juntos. Se Haman, o Hitler da Antiguidade, nos ensinou algo, esse algo foi que, apesar de nossas diferenças e discórdias – nosso grau de observância religiosa, nossas tendências políticas, se somos sefaraditas ou asquenazitas, se vivemos em Israel ou na Diáspora –, nós, judeus, somos um povo indivisível. Nossos inimigos – antigos e atuais – não fazem distinção entre nós. Às vezes, como nesse caso, até a maldade personificada tem algo a nos ensinar – ou seja, que não há distinção real entre os judeus, pois todos os Filhos de Israel constituem um só organismo.

Outro tema importante em Purim é a sobrevivência física do Povo Judeu. Se Chanucá celebra o triunfo do Judaísmo, Purim comemora eventos bem mais dramáticos e extremos. Haman não estava interessado em converter ou assimilar nosso povo, como os sírio-gregos. Ele queria realizar o que seu “filho espiritual” quase conseguiu, dois milênios mais tarde: extirpar todos os judeus da face da Terra. Assim sendo, enquanto Chanucá celebra uma vitória militar em guerra travada por razões espirituais, Purim comemora a existência física do Povo Judeu.

Como Purim comemora a sobrevivência física do Povo Judeu, celebramos essa festa contribuindo para o bem-estar físico dos demais judeus, em especial, dos mais necessitados. O mandamento da Tzedacá, a mitzvá mais importante da Torá, se aplica a todos os dias do ano nos quais a Torá nos permite usar dinheiro. O judaísmo nos ordena ser generosos e empenhar-nos em ajudar os demais ao nosso máximo – a judeus e não judeus. Mas em Purim, o mandamento da Tzedacá é especialmente enfatizado; temos que ser generosos com todos os que buscam ajuda.

Um dos quatro mandamentos dessa festa é dar Matanot LaEvyonim, literalmente, “presentes aos carentes”. Devemos dar Tzedacá a duas pessoas necessitadas, no mínimo. Isso pode ser cumprido por meio de qualquer tipo de presente: dinheiro, alimento, bebida ou roupa. O ideal é que seja um presente substancial. Os Matanot LaEvyonim devem ser dados durante o dia de Purim e, de preferência, na parte da manhã, para que quem os recebe possa usufruí-los durante a festa. A quantia dada deve ser suficiente para que comprem alimento e bebida, dessa forma possibilitando que tenham uma refeição festiva nesse dia. Contudo, quem recebe o presente não é obrigado a gastar o dinheiro em Purim: pode usá-lo em outra data e da forma que quiser.
Os Matanot LaEvyonim não devem ser dados antes de Purim, para que quem os recebe não os utilizem antes da festa – pois nesse caso, o doador não teria cumprido o mandamento.
Quem não deparar com pessoas carentes em Purim, deve doar o dinheiro a uma sinagoga que esteja arrecadando fundos com esse propósito. É necessário que o dinheiro dado em Purim seja destinado aos necessitados: não pode ser usado para nenhum outro propósito, por mais nobre ou sagrada que seja a finalidade.
Em Purim, doamos dinheiro a quem o pede: não fazemos perguntas nem procuramos saber se quem pede a Tzedacá realmente a necessita ou não.
O mandamento de Matanot LaEvyonim é dever de todos os judeus – homens, mulheres e até crianças.

3º mandamento: Enviar presentes de alimentos para amigos (Mishloach Manot)
Como explicamos acima, Purim celebra a unidade judaica e a sobrevivência física do Povo Judeu. Por isso, os mandamentos relativos à festa enfatizam e buscam promover a amizade e o senso de comunidade. Uma das formas de o fazer é cumprir o mandamento de Mishloach Manot: o envio de presentes de alimentos a amigos e conhecidos.
Essa mitzvá é cumprida mediante o envio de um presente contendo, no mínimo, dois tipos diferentes de alimentos prontos ou bebidas a, pelo menos, um amigo ou conhecido. Para cumprir essa obrigação, os alimentos devem ser prontos para o consumo, como biscoitos, frutas, doces, vinho ou outras bebidas. É importante observar que esse mandamento não pode ser cumprido com dinheiro ou outro tipo de presentes. É louvável enviar os Mishloach Manot ao máximo de amigos possível. E mais, é adequado que sejam substanciais ao ponto de denotar respeito. Portanto, devemos atentar para não enviar um presente de alimentos qualquer para que não seja insulto a quem o recebe.
É importante ressaltar que ao cumprirmos os mandamentos de Purim, devemos ser mais generosos nos presentes para os carentes do que nos presentes de alimentos para os amigos. Devemos priorizar os Matanot LaEvyonim ao alocar a verbaque iremos gastar no cumprimento dessas mitzvot. É muito mais importante ser generoso com os necessitados do que enviar Mishloach Manot elegantes e caros aos amigos.
O mandamento de Mishloach Manot deve ser cumprido durante o dia de Purim, não na noite da festa. Os homens enviam Mishloach Manot a homens; as mulheres, a mulheres. É preferível que os presentes de alimentos sejam entregues por um terceiro – e não diretamente. Apesar de haver uma regra geral na Torá de que é preferível cumprir a mitzvá em pessoa a delegá-la a um terceiro, esse mandamento é diferente, pois a expressão Mishloach Manot usada na Meguilat Esther implica que essa mitzvá em particular é mais adequadamente cumprida se realizada por meio de um intermediário. (Mishloach significa envio). No entanto, se a pessoa entregar seus presentes de alimentos pessoalmente, terá cumprido plenamente o mandamento.
4º mandamento: Refeição festiva no dia de Purim (Seudat Purim)
Um dos mandamentos da festa é fazer uma refeição festiva – uma Seudat Purim. Isso celebra o fato de que na história de Purim, a queda de Haman ocorreu durante um banquete organizado pela Rainha Esther. Essa refeição deve ocorrer durante o dia; aquele que realiza uma Seudat Purim durante a noite da festa não cumpriu o mandamento. No entanto, após ouvir a leitura noturna da Meguilá, deve-se também festejar e fazer uma refeição mais elaborada que de costume.
É importante observar que como Purim não é um Yom Tov, não se recita o Kidush nessa festividade. Contudo, antes de iniciar a Seudat Purim, deve-se lavar as mãos com a bênção de Netilat Yadayim e comer pão. Após a refeição, recita-se o Birkat Hamazon (Oração após as Refeições), incluindo-se a passagem de Ve’Al Hanissim – que menciona o milagre de Purim.
A Seudat Purim deve começar antes do pôr-do-sol. Merece louvores quem convida amigos para seu banquete. Se Purim cai numa 6a feira, a refeição festiva é realizada mais cedo e tem que estar concluída bem antes do Shabat para que se possa desfrutar da refeição do dia sagrado com prazer; contudo, há quem tenha o costume de fazer a refeição de Purim bem mais tarde na 6a feira, estendendo-a até a chegada do Shabat: coloca-se, então, a toalha própria na mesa, recita-se o Kidush de Shabat e segue-se com a refeição – que passa, então, a ser duplamente festiva, tanto em honra de Shabat quanto de Purim.
Deve-se comer carne e tomar vinho na Seudat Purim. Também é costume comer legumes, comemorando o fato de que a Rainha Esther comia legumes e verduras enquanto vivia no palácio real, pois se recusava a comer a comida não casher servida no palácio.
Deve-se notar que a refeição festiva de Purim é outro mandamento que enfatiza o plano físico: essa mitzváé cumpridacom alimento e bebida. O mandamento de Seudat Purim enfatiza, novamente, o tema geral



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