19/03/2020

Netanyahu e Edeltein ameaçam democracia israelense

    Outra tradução de Jose Menasseh Zagury


Por Ben-Dror Yemini*. - Publicado no Ynet em 19/3/20

É hora do ativismo judicial conter as tentativas da minoria na Knesset, liderada pelo presidente interino da casa e o primeiro-ministro, de desconsiderar o resultado das eleições democráticas que não lhes foi favorável e mostrar a eles que seus esforços para se agarrar ao poder não serão bem sucedidos.

Enquanto a pandemia de coronavírus grassa, Israel enfrenta um desafio a sua democracia do tipo que muitos países mais temem, um partido no poder que se recusa a a aceitar o resultado das eleições que não lhes foi favorável.

Liderando essa marcha está o presidente da Knesset que está de saída do cargo, Yuli Edelstein, que subverte as práticas parlamentares para segurar sua própria posição de poder e se recusa a permitir que a maioria da recém eleita Knesset vote contra ele. Ele está desconsiderando a maioria e isto é mais do que um ato simbólico.

Edelstein suspendeu toda a atividade da Knesset. Não há comissões, nem debates, nem trabalho legislativo e nem fiscalização do governo. Para ele, o resultado das eleições pode ir para o inferno.

O presidente da Knesset está inclusive usando o surto de coronavírus como uma desculpa para seu perigoso comportamento. Até o Presidente Rivlin, ele mesmo um ex-presidente da Knesset, apelou para ele.

Embora eu tenha sempre sido um crítico do ativismo judicial, com a Suprema Corte sobrepondo sua autoridade e interferindo em ações políticas e governamentais, alegando estar protegendo a minoria sem força, agora eu peço que esse ativismo judicial apareça com força total e proteja a maioria contra a tirania da minoria, afirmando o seu poder e não deixando que isso siga assim.

Edelstein não está sozinho nisso. Os políticos atingiram o fundo do poço. A necessidade de um governo de união é clara e reflete a vontade do povo. Um quarto ciclo de eleições neste momento de pandemia é suicídio e mesmo assim nossos líderes eleitos persistem em seus jogos políticos.

Netaniahu é mais culpado do que qualquer outro. A maioria dos israelenses votou contra ele nas eleições de março. Ele tem que se afastar e permitir que novos líderes assumam as rédeas.

Mas ele insiste que somente ele pode governar. Ao inferno com a democracia. Mesmo que um governo de união seja formado, com rotação de primeiro-ministro, ele quer ser o primeiro e por dois anos. Por que se deveria permitir que ele se imponha, se o povo se manifestou nas urnas e votou contra ele?

Eu às vezes escuto advertências terríveis de que Netanyahu é um perigo para a democracia. Eu detesto acreditar nisto. Mas o comportamento tanto de Edelstein quanto de Netanyahu é certamente uma indicação de que estamos caminhando nessa direção.

* Ben-Dror Yemini é um dos mais respeitados jornalistas da direita democrática em Israel



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