12.3.20

EUA passam a chamar palestinos de Jerusalém de 'árabes' ou 'cidadãos não israelenses

     Esmagadora maioria dos mais de 340 mil palestinos de Jerusalém Oriental se identifica como tal; líderes palestinos criticaram mudança.

A mudança na terminologia ocorre em meio a crescentes disputas sobre a cidade, após a divulgação do plano de Donald Trump para o Oriente Médio   , que diz que Jerusalém deve “permanecer a capital soberana do Estado de Israel”, sob qualquer acordo de paz entre israelenses e palestinos.

Elogiado por Israel e veementemente rejeitado pelos palestinos e seus aliados, a proposta de Trump reduz substancialmente o território de um futuro Estado palestino e dá a Tel Aviv o  para anexar partes da Cisjordânia Enquanto os relatórios de 2018 e 2019 se referiram aos palestinos de Jerusalém Oriental como “residentes palestinos de Jerusalém” em seções sobre procedimentos judiciais civis, discriminação e liberdade de movimento, as mesmas seções do documento de 2020 falam em “residentes árabes" ou “cidadãos não israelenses”

Líderes palestinos criticaram a mudança

— Os palestinos de Jerusalém são palestinos e moram lá há séculos ; disse Hanan Ashrawi, alta funcionária da Organização de Libertação da Palestina (OLP), que possui uma permissão de residência em Jerusalém. — Decidir erradicar sua identidade, história e cultura, e renomeá-los à vontade, não é apenas absurdo, é inescrupuloso.

No mês passado o primeiro-ministro de Israel   , Benjamin Netanyahu     , anunciou que vai retomar o plano para construir 3 mil novas unidades habitacionais em colônias israelenses  na cidade, retomando, assim, um projeto que estava paralisado após críticas da comunidade internacional. A proposta foi condenada por palestinos, que a chamaram de mais um golpe para impedir a criação de um Estado independente e de uma manobra eleitoral.

'O plano de Trump não ofereceu nenhum Estado aos palestinos', diz ex-negociador israelense

Os palestinos em Jerusalém possuem permissões de residência em Israel, mas poucos têm cidadania israelense, que considera toda a cidade santa como sua capital. Atualmente, mais de 600 mil israelenses vivem em assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. A colonização desses territórios, ocupados desde 1967 por Israel, se acelerou nos últimos anos sob o impulso de Netanyahu e de seu aliado em Washington Também nesta quarta, a  Comissão Eleitoral divulgou o resultado definitivo e oficial das eleições legislativas israelenses de 2 de março, que confirmam um leve avanço do primeiro-ministro em relação às duas eleições anteriores, que terminaram inconclusivas.

 O Likud de Netanyahu recebeu 29,46% dos votos, o que representa 36 cadeiras no Parlamento — o premier precisará de mais três deputados para conseguir formar o governo Netanyahu e seu rival centrista Benny Gantz estão negociando com os demais partidos para buscar apoios porque nenhum dos dois alcançou a marca de 61 parlamentares necessários para formar o Executivo. O presidente Reuven Rivlin tem até 17 de março para designar a pessoa responsável por formar o governo. 



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