18/02/2020

Fuga de informações de israelenses

Fuga de informações de israelenses      Ronen Zvulun, Reuters

Israel pode estar perante o mais complexo caso de fuga de informação da sua breve história enquanto país. Os dados de 6,5 milhões de eleitores - nomes completos, números de bilhete de identidade, cartas de condução, moradias, etc - poderão ter ido parar às mãos de agências de informações inimigas, em particular dos serviços secretos iranianos.

De acordo com o Haaretzos serviços de informações da Mossad e das operações especiais são pontos sensíveis da organização israelense que poderão agora estar expostos a interesses inimigos nesta fuga de dados de 6,5 milhões de cidadãos.

O jornal escreve que os serviços de informações da Mossad e das operações especiais são pontos sensíveis da organização israelense que poderão agora estar expostos a interesses inimigos nesta fuga de dados de 6,5 milhões de cidadãos.

O deslize ocorre a escassas três semanas de um ato eleitoral crucial para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e envolve a Elector Software, uma pequena empresa que desenvolveu uma app para os celulares com vista às campanhas e que estão a ser usadas pelo Likud de Netanyahu e outros partidos. O cruzamento de dados poderá permitir identificar pessoas vivas ou falecidas cujas identidades estão a ser usadas em missões secretas para ocultar ou dar credibilidade a cenários de encobrimento.

Esta app permite aceder a todo o caderno eleitoral e é usada para pôr as eleições em andamento e manter o contacto com vai votar. É neste contexto que são revelados todos os dados sobre os eleitores: nomes completos, número dos bilhetes de identidade, gênero, números de telefone e moradas.

Haaretz refere aqui o problema que esta violação de sigilo representa para milhares de funcionários da Mossad e do Shin Bet, os principais serviços de informações israelenses. Em causa igualmente departamentos como a comissão israelense da energia atômica ou as forças armadas (IDF – Israel Defense Forces), em particular pilotos, pessoal dos serviços secretos, forças especiais e cientistas nucleares.

Trata-se aqui de uma falha de segurança que poderá, em última instância, obrigar o aparelho israelense a chamar a casa agentes infiltrados em outros países e reconfigurar toda a rede de espionagem no estrangeiro. Os receios serão os de terem sido queimados agentes através da revelação de dados que poderão levar – uma vez que muitas das vezes os espiões recorrem a identidades que não as suas – à sua identificação através do cruzamento com outros dados.Elector Software. A questão faz lembrar o escândalo com a britânica Cambridge Analytica, que interferiu em vários processos eleitorais, sendo o mais célebre o norte-americano que resultou na eleição de Donald Trump.

site israelense sugere mesmo que este leak constitui uma mina de ouro para inimigos como os serviços de informações iranianos e o Hezbollah, não desprezando a valia que têm igualmente para agências com relações mais ou menos amistosas com Israel.

Haaretz lembra que “nas últimas três décadas agentes da Mossad ficaram expostos enquanto viajavam com passaportes falsos” de várias nacionalidades que não a de Israel.

No quadro desta fuga em massa de dados, a questão que mais parece preocupar é a possibilidade de ligar as identidades do registro eleitoral com atividades levadas a cabo por israelenses no estrangeiro. Em causa ficam as operações e a segurança dos agentes envolvidos.

O referido cruzamento de dados pode levar agências hostis a identificar não apenas pessoas vivas como também pessoas falecidas cujas identidades estão a ser usadas em missões secretas para ocultar ou dar credibilidade a cenários de encobrimento.

No imediato, poderá verificar-se desde logo uma intromissão no processo eleitoral israelense, crucial para o primeiro-ministro Netayahu, que enfrenta várias acusações que poderiam levá-lo a prisão efetiva em caso de condenação. Mas, claro, para enfrentar o julgamento, Benjamin Netanyahu terá, antes de tudo, perder a proteção da sua imunidade enquanto chefe do Governo.

Numa dimensão que não a da segurança israelense, a questão da app da Elector Software faz ainda lembrar o escândalo Cambridge Analytica, a empresa britânica que durante anos interferiu de forma decisiva em vários processos eleitorais, o mais célebre a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.

E tudo começava para a Cambridge Analytica com o aproveitamento de dados pessoais, provenientes de fugas, de recolhas, de compra ou de roubo informático. A fase seguinte era manipulação e a fabricação de receitas personalizadas para reverter o sentido de voto na direção dos candidatos que recorriam aos seus serviços de consultoria.

A empresa enfrentou processos legais que levaram ao seu encerramento. Alguns dos seus principais colaboradores reconheceram o caráter ilegal da sua ação durante os processos eleitorais em que estiveram envolvidos e o perigo que a Cambridge Analytica representava para a democracia.



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