Minhas experiências acerca do judaísmo e a relação longa e íntima entre Israel e o Brasil     Porta de uma padaria em Jerusalém
Israel. Quando eu pensava nessa palavra, a vinculava à bandeira com a estrela de David. Imaginava pessoas rezando no Muro das Lamentações. Pensava no conflito entre Israel e Palestina. A existência das três religiões mais populares no mundo num país de 20.000 km quadrados (O Brasil ocupa 8.5 milhões quilômetros quadrados em comparação) ilustrava o quanto nosso mundo é diverso. A dinâmica entre religião e cultura em Israel se diferencia de todos os outros países ainda que se refira ao rótulo “Terra Santa”. Não duvido que os leitores deste artigo agora pensem em algum símbolo, conceito ou ideia que possa representar a nação de Israel que tenham aprendido através da história, dos meios de comunicação, ou da experiência pessoal. Nunca pensei que meu interesse em assuntos religiosos fosse se misturar com minha paixão de conhecer mais sobre minha herança brasileira.  
Essas ideias sobre Israel sempre circulavam na minha mente porque eu fui criada em Boca Raton, Flórida, onde se concentra a terceira maior diáspora judaica dos Estados Unidos. Eu era amiga de muitas meninas judias na escola primária e secundária, e o destaque das suas vidas então foram as suas cerimônias de Bat Mitzvah. Normalmente, ocorrem quando as meninas fazem 12 ou 13 anos, e este dia marca a transição à feminilidade na religião judaica. O evento comemora uma cerimônia onde leem o Torá (o texto religioso do judaísmo), oram, e cumprem vários rituais importantes. No entanto, o destaque era festa depois da cerimônia devido à sua celebração extravagante. Eu já fui convidada a quatro destas celebrações, e cada aniversariante teve um tema diferente para a festa que ressaltava sua personalidade ou coisa favorita na época; temas como praia, chocolates, joias Tiffany, entre outros. Após o meu primeiro ano na Universidade da Flórida (UF), eu participei num programa de intercâmbio de língua e cultura no Rio de Janeiro por seis semanas entre julho e agosto, e fui hospedada por uma família anfitriã. Já que a maioria dos meus parentes mora no Brasil e os visito frequentemente, eu supunha que minha experiência no Rio com uma família anfitriã não ia se diferenciar. No entanto, minha “família anfitriã” foi somente a Dona Dirce. Ela é uma mulher idosa que mora sozinha com sua cachorra em Copacabana, e também é judia. Nunca soube que havia uma população judaica ativa no Brasil, porque é uma minoria. Segundo a fonte do Museu do Povo Judaico em Tel Aviv, Israel, só 0.06% da população brasileira se identifica como judia, enquanto 84% se identifica como cristã (64% católica e 20% protestante). Toda minha família é católica, e parecia que muitos nas comunidades onde minha família mora vão para igreja ou falam sobre Deus nas suas conversas quotidianas. Eu não reconheci a presença das outras religiões no Brasil, e a Dona Dirce esclareceu muito a minha ignorância através do seu estilo de vida. Cada sexta-feira ela ia para a sinagoga à tarde para celebrar Shabat. A celebração começa com um jantar em casa ou na sinagoga sexta-feira e continua até sábado para comemorar o dia Santo para Deus. Neste dia, os que observam o dia descansam do trabalho e das responsabilidades. Ainda há certos grupos dentro de judaísmo que comemoram este dia de outra forma. Cada fim de semana, a Dona Dirce hospedava um casal judeu ortodoxo que viajava duas horas para celebrar Shabat na sinagoga em Copacabana. Eles não podiam iniciar nada que pode ser considerado trabalho. Por exemplo, eles não acendem as luzes porque requer força do mecanismo de energia. Eu expandi o meu conhecimento da religião em si e aprendi sobre um outro aspecto da cultura brasileira.
Eu tive a oportunidade de ir para Israel este verão passado com uma organização que se chama Passages. Baseada nos Estados Unidos, esta organização monta passeios a Israel para estudantes universitários que são cristãos. Os objetivos destas viagens, de acordo com Passages, são que todos possam conhecer as raízes da sua fé cristã em primeira mão e que possam aprender sobre o ambiente complexo de Israel como país. Estas viagens incluem visitas aos lugares históricos da Bíblia e locais relevantes à história da criação de Israel. Os participantes também assistiram palestras de especialistas que ajudam estudantes a entender a cultura israelense, a política e a economia do país, o conflito entre Israel e Palestina, e os contextos geopolíticos de segurança. Todas as minhas experiências em Boca Raton e no Rio de Janeiro junto a minha formação católica pessoal foram úteis durante esta viagem. Eu consegui conectar lugares históricos às minhas experiências, o que enfim mudou a minha perspectiva da universalidade da nossa sociedade. Por exemplo, nosso grupo visitou o Templo de Jerusalém, onde Deus se manifestou, segundo o judaísmo e o cristianismo. Aprendi, também que Jesus pisou neste mesmo Templo para instruir as comunidades sobre o propósito da sua vinda à Terra através de Deus. Eu entendo mais a importância das semelhanças entre religiões e da necessidade de entendermos uns aos outros como seres humanos para esclarecer dúvidas e diminuir a ignorância.  
Algo que me surpreendeu em Israel foram os grupos de turistas brasileiros. Nos hotéis onde ficávamos, eu escutava pessoas falando português em cada canto. Eu até consegui falar com brasileiros dentro do elevador do hotel. Eu também os surpreendi por falar português apesar de ser uma americana e estar num grupo de estadunidenses. A maioria pertencia a uma demografia de pessoas mais idosas. Comecei a ver marcas brasileiras (pequenas e aleatórias) em partes diferentes de Israel. Cada vez mais, a minha curiosidade em saber por que o Brasil tem essa conexão misteriosa aumentou. Um dia durante o passeio com Passages, eu entrei dentro de um mercado de lembrancinhas em Jerusalém, e vi no meio dos ímãs um que tinha a bandeira brasileira e a bandeira israelense cruzadas. Imediatamente, eu reconheci que devem existir relações internacionais de longa data entre Israel e Brasil. Quando pesquisei, eu descobri vários fatos. Em primeiro lugar, a população judaica no Brasil é a nona maior do mundo com aproximadamente 108.000 pessoas, de acordo com o censo de 2010. A conexão entre os dois países se formou antes do começo da criação de Israel. De fato, esta conexão começou quando o Brasil apoiou a população judaica durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1942, o Brasil decidiu cortar completamente os laços diplomáticos com a Alemanha Nazi. Logo depois, o Brasil contribuiu bastante para o estabelecimento de Israel. Um dos conceitos fundamentais que aprendi quando estive em Israel foi que o propósito da criação daquele país foi estabelecer uma pátria territorial para a população judaica. Essa população tem sofrido exílio e persecução desde o nascimento do povo judaico aproximadamente 4.000 anos atrás, quando Deus criou uma promessa eterna com Abraão, como citam os textos religiosos. O Brasil foi presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas em 1947, e proclamou o plano para dividir o território que se chamava Palestina e dar aproximadamente metade para a criação da pátria judaica. Desde estes eventos marcantes, Israel e Brasil mantêm relações econômicas, militares, políticas e tecnológicas bem próximas.  
No momento atual, os termos de relações internacionais entre os dois países são muito interessantes por causa dos presidentes de cada nação. Israel e Brasil estão passando por uma mudança de liderança política. O fato que o Presidente Bolsonaro visitou Israel no começo da sua presidência, 2 meses após a posse do cargo, mostra como a relação entres os países continua ativa e íntima. Espero que essas mudanças resultem numa aliança cada vez mais forte que beneficie tanto as nações quanto os seus cidadãos.
[Veja artigo completo em acheiusa.com] Texto produzido por Lorena Reis (University of Florida) –, com supervisão da Professora Andréa Ferreira e da redação.
Original: https://www.acheiusa.com/Noticia/conexao-uf-minhas-experiencias-acerca-do-judaismo-e-a-relacao-longa-e-intima-entre-israel-e-o-brasil-75076/

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