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22/11/2019

O calendário judaico

O calendário judaico     

O Ciclo Lunar

O calendário judaico é baseado nos ciclos lunares.1 Rumo ao início do ciclo da lua, aparece como um fino crescente. Este é o sinal para um novo mês judaico. A lua cresce até ficar cheia, no meio do mês, e então começa a diminuir até que não pode ser vista. Permanece invisível por cerca de dois dias2 – e então o fino crescente reaparece, e o ciclo recomeça.
O ciclo inteiro leva cerca de 29 dias e meio.3 Como um mês precisa consistir de dias completos, um mês às vezes tem vinte e nove dias de duração (como um mês é conhecido como “faltando”), e às vezes trinta (malei, “cheio”).
Saber exatamente quando o mês começa sempre foi importante na prática judaica, porque a Torá marca as festas judaicas segundo os dias do mês.

O primeiro dia do mês, bem como o trigésimo dia de um mês malei, é chamado Rosh Chodesh, a “Cabeça do Mês”, e tem status semi-festivo. Veja por que é Rosh Chodesh às vezes um dia e às vezes dois?

Os Meses Judaicos

Nissan é o primeiro mês no calendário judaico. Antes de os judeus deixarem o Egito, no primeiro dia de Nissan, D'us falou a Moses e Aaron: “Este chodesh (lua nva, ou mês) será para vocês a cabeça dos meses.”4
Assim a peculiaridade do calendário judaico: o ano começa em Rosh Hashaná, o primeiro dia do mês de Tishrei (o aniversário da criação de Adam e Eva), mas Tishrei não é o primeiro mês. Rosh Hashaná é na verdade mencionado na Torá como “o primeiro dia do sétimo mês.”5

Os Meses Judaicos e Suas Datas Especiais


Mês Judaico
Data Secular Aproximada
Datas Especiais Deste Mês
Nissan
Março-abril
Pêssach
Iyar
Abril-maio
Lag B’Omer
Sivan
Maio-junho
Shavuot
Tammuz
Junho-julho

Menachem Av
Julho-agosto
Tisha B’Av
Elul
Agosto-setembro

Tishrei
Setembro-outubro
as Grandes Festas (Rosh Hashaná e Yom Kipur), Sucot, Shemini Atseret e Simchat Torá
Marcheshvan
Outubro-novembro

Kislev
Novembro-dezembro
Chanucá
Tevet
Dezembro-janeiro
final de Chanucá
Shevat
Janeiro-fevereiro
Tu B’Shvat
Adar
Fevereiro-março
Purim

Santificando o Mês

“O Eterno falou a Mosshê e Aharon na terra do Egito, dizendo: ‘Este mês [chodesh] será para vocês a cabeça [rosh] dos meses.’” (Shemot 12:1-2)
Das palavras deste versículo “será para vocês”, os sábios deduziram que a responsabilidade de destacar e consagrar o chodesh, a lua nova crescente, foi confiada aos líderes da nossa nação, o Sanhedrin, a suprema corte rabínica de toda geração.
Originalmente, não havia calendário fixo. Não havia como determinar adiantado o dia exato de um feriado vindouro ou bar mitsvá, porque não havia maneira para determinar com antecedência quando o mês iria começar. Cada mês novo, o Sanhedrin determinava se o mês teria 29 ou 30 dias – dependendo de quando a lua nova do mês seguinte fosse avistada primeiro – e santificariam o novo mês.

Atualmente

No 4º século EC, o sábio Hillel II previu o desmantelamento do Sanhedrin, e entendeu que não poderíamos mais seguir um calendário baseado no Sanhedrin. Portanto Hillel e sua corte rabínica estabeleceram o calendário perpétuo que é seguido hoje.
Segundo este calendário, todo mês do ano, excdeto três, tem um número determinado de dias:
  • Nissan – 30
  • Iyar – 29
  • Sivan – 30
  • Tamuz – 29
  • Av – 30
  • Elul – 29
  • Tishrei – 30
  • Cheshvan – 29 ou 30
  • Kislev – 29 ou 30
  • Tevet – 29
  • Shevat – 30
  • Adar – 29 (nos anos bissextos, Adar I tem 30 dias)
Os rabinos do Sanhedrin iriam questionar as testemunhas em ordem de chegada. Eles sabiam quais as respostas corretas às suas perguntas deveriam ser, e portanto eram capazes de rapidamente identificar alegações fraudulentas. Começando com o mais idoso de cada dupla, eles perguntavam:6 “Diga-nos como você viu a lua:
  • Em qual direção estava ela em relação ao sol?7
  • Estava ao norte ou ao sul?
  • A que altura a lua no céu parecia estar?
  • Em qual direção estavam as pontas da crescente?
  • O quanto era larga?”
Depois que eles tinham terminado de interrogar a primeira testemunha, traziam seu parceiro e o questionavam de maneira semelhante. Se as duas respostas corroborassem, a prova era aceita.8
Aquele dia, o trigésimo, era agora declarado Rosh Chodesh do novo mês. O líder do Sanhedrin proclamava: “Mekudash!” (Santificado!) e todos respondiam: “Mekudash! Mekudash!” O mês anterior era agora determinado retroativamente como tendo apenas vinte e nove dias.

Anunciando a Lua Nova

Na noite seguinte (a segunda noite do mês), enormes fogueiras eram acesas em topos de montanhas escolhidas. Vigias que estavam em outros cumes de montanhas viam que um fogo tinha sido aceso, e acendiam suas próprias fogueiras. Esta cadeia de comunicação ia até a Babilônia, para que até comunidades distantes soubessem que o dia à frente tinha sido declarado Rosh Chodesh.
A respeito dos meses variáveis de Kislev e Cheshvan, há três opções: 1) Ambos podem ter 29 dias (o ano é chaser), 2) ambos têm 30 (o ano é malei), ou 3) Cheshvan tem 29 e Kislev tem 30 (o ano é k’sidran, significando que esses dois meses seguem o padrão alternado do restante dos meses). Hillel também estabeleceu as regras que são usadas para determinar se um ano é chaser, malei ou k’sidran.
As regras do calendário perpétuo também garantem que o primeiro dia de Rosh Hashaná jamais será num domingo, quarta-feira ou sexta-feira.9
Quando Hillel estabeleceu o calendário perpétuo, ele santificou todo Rosh Chodesh até quando Mashiach vier e restabelecer o Sanhedrin.

A Santificação do Sanhedrin

Uma breve descrição do procedimento que o Sanhedrin seguia nos dias de yore para determinar a data do início de um novo mês.
No 30º dia de todo mês,10 o Sanhedrin recebia em um grande pátio em Jerusalém chamado Beit Ya’azek. Testemunhas que alegavam ter visto a lua nova na noite anterior iam dar seu testemunho e serem interrogadas.11
Os membros do Sanhedrin eram bem versados em astronomia. Eles sabiam exatamente quando a lua nova tinha aparecido, e onde teria sido visível. Mesmo assim, a santificação da lua depende da lua nova crescente sendo vista realmente por duas testemunhas. A palavra “este” (no versículo acima citado: “Este mês será para você…”) implica que é realmente vista.
Por fim, os saduceus12 começaram a acender fogueiras nos dias errados a fim de manipular o calendário. Para impedir essa confusão, o método de comunicação de acender fogo no topo da montanha foi descontinuado, e em vez disso mensageiros eram despachados à Babilônia e a todos os outros acampamentos judaicos distantes. Isso demorava um pouco mais, uma demora que tinha (e ainda tem) implicações haláchicas a respeito da observância do segundo dia dos feriados na Diáspora. (Veja Por que os feriados são celebrados um dia extra na Diáspora?)

O Mês de 30 Dias

Se nenhuma testemunha chegasse no trigésimo dia – fosse porque a lua não tinha “’renascido” ainda, ou porque não estava visível – então o dia seguinte, o trigésimo primeiro dia, era automaticamente declarado Rosh Chodesh, retroativamente tornando o mês anterior um mês malei.13
Membros do Sanhedrin iam até um local altamente visível, onde eles participavam de uma refeição celebratória para consagrar o novo mês. Naquela noite fogueiras não eram acesas. O novo mês é sempre no 30º ou no 31º dia; se eles não tivessem acendido fogueiras na noite anterior, era entendido que a lua nova começava no 31º dia.
NOTAS
1.
O ciclo lunar que o calendário judaico segue é chamado um mês sinódico – para não ser confundido com o mês sidereal, a quantidade de tempo que leva para a lua completar uma órbita ao redor da terra, que é um pouco mais que 27 dias e meio. O MS sinodico é mais longo porque após completar sua órbita, a luz deve se mover um pouco mais longe para atingir a nova posição da terra em relação ao sol.
2.
Por cerca de um dia antes e um dia depois está mais próxima do sol.
3.
Para ser mais preciso, 29.5306 dias.
4.
Shemot12:2
5.
Vayicrá 23:24
6.
Um dos líderes do Sanhedrin, Raban Gamliel, na verdade tinha diagramas das várias fases da lua numa tábua montada na parede de sua câmara. Ele mostrava esses diagramas para testemunhas não cientes e perguntava: “Parece com isso ou com aquilo?”
7.
A lua nova é visível ao redor da hora do pôr do sol.
8.
Embora seu testemunho não fosse mais necessário, todas as outras testemunhas que vinham eram questionadas rigorosamente, para que não sentissem que tinham ido à toa e fossem então desencorajadas de ir se vissem novamente a lua nova.
9.
Isso garante que Yom Kipur não vai cair numa sexta ou domingo, o que iria resultar em dois dias consecutivos quando preparar comida e enterrar os mortos é proibido; e que Hoshana Rabá não vai ocorrer no Shabat, o que iria interferir com o costume de carregar os salgueiros neste dia.
10.
Se seus cálculos astronômicos indicassem que a lua nova não poderia ter sido vista na noite anterior, o Sanhedrin não iria concordar com o trigésimo dia.
11.
O Talmud nos diz que todas as testemunhas que chegavam seriam luxuosamente entretidas ali, para atrair potenciais testemunhas a viajar para Jerusalém para testemunhar.
12.
Uma seita de judeus que negava autoridade rabínica, e estavam constantemente em desacordo com o Sanhedrin.
13.
Em certas ocasiões, se os dados astronômicos pedissem, o Sanhedrin estabelecia Rosh Chodesh no 30º dia mesmo na ausência de testemunhas que viram a lua nova. Por exemplo, suponha que a terra de Israel estivesse coberta com nuvens na 30º noite durante vários meses consecutivos. Se o Sanhedrin permitisse que todos esses meses fossem malei, então vários meses na linha da lua nova poderiam aparecer no 25º dia do mês! O Sanhedrin sempre assegurava que a lua nova jamais deveria aparecer em qualquer noite que não fosse a 30º ou a 31º.



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