13/11/2019

Guerra com drones uma nova realidade

Guerra com drones uma nova realidade   Em setembro deste ano, a indústria petroleira passou por uma crise quando as instalações de petróleo da Saudi Aramco na Arábia Saudita foram atacadas. A ação marcou a primeira vez em que vários drones foram lançados a longa distância em um ataque direcionado. É um reflexo do uso cada vez maior de drones para estratégias militares pelos países do Oriente Médio. A tecnologia, segundo especialistas, tem se espalhado pela região para além das organizações militares.
Atualmente, os drones estão por toda parte, sendo usados por estados mais fracos e pequenas forças militares, além de muitos atores não estatais, incluindo o Estado Islâmico e a Al-Qaeda. “Estamos vendo um ciclo de inovação tecnológica em relação ao uso de drones e sistemas associados”, diz Raphael Marcus, pesquisador do departamento de guerra do King's College, à Bloomberg. “Esse ciclo de adaptação e contra adaptação tecnotática apenas acelerará o avanço."


Na Turquia, a implantação de drones salvou a vida de soldados turcos e dinheiro para o ministério da Defesa. Com a saída das tropas dos Estados Unidos na região, os turcos têm usado esses dispositivos para lutar contra os curdos. No total, foram implantados pelo menos três tipos diferentes de drones: minidrones usados para vigilância e fotografia, o drone de vigilância Anka-S e o Bayraktar TB-2, o único drone armado da Turquia.
Historicamente, o principal fornecedor de drones para a região eram os EUA. Os americanos são líderes globais em tecnologia militar de drones. Mas eles têm que seguir regras rígidas para as vendas, o que abriu espaço para a China. Os chineses dominam o mercado de drones menores e mais baratos.
Na região do Oriente Médio, Israel é o maior fabricante de drones e o país que mais usa os veículos aéreos não tripulados (UAVs) – toda unidade de combate israelense tem um operador de drones. No entanto, Israel não tem relações diplomáticas com a maioria de seus vizinhos e seus maiores clientes estão fora da região.
Dessa forma, os céus da Síria são tomados por drones de pelo menos sete países e inúmeros grupos armados. Ainda em maior volume, a Líbia tem usado drones fornecidos por vários países estrangeiros para o seu conflito armado que perdura há quatro anos. 
Com essa proliferação de drones, ainda não foi descoberto quem foi o responsável pela fabricação dos drones que atacaram a Saudi Aramco. O grupo Houthis, do Iêmen diz que eles desenvolveram localmente, mas muitos especialistas duvidam, dada a sofisticação das armas. Um relatório da ONU apontou que o design de um dos drones usados no ataque é idêntico ao fabricado pela Indústrias de Manufatura de Aeronaves do Irã – mas os iranianos negam envolvimento.
Mesmo com a guerra de drones já serem uma realidade na região, os UAVs ainda representam uma pequena fração dos arsenais do Oriente Médio, de acordo com relatório do Royal United Services Institute. No entanto, um acordo entre China e Arábia Saudita em 2017 pode mudar isso: os chineses querem montar uma fábrica no reino saudita para produzir 300 drones Wing Loong II.
Com o uso cada vez maior de drones, o Oriente Médio também tem visto um crescimento em tecnologias contra esses dispositivos. Israel está na linha de frente dos dois lados: os sistemas de detecção de drones representa aproximadamente 17% da indústria de drones do país – que equivale a 10% das suas exportações anuais de defesa, segundo relatório do governo Invest in Israel.
Uma das maiores empresas israelenses nesse setor é a Rafael Advanced Systems, que tem um acordo com o exército britânico. Outra que se destaca é a Skylock com uma solução antidrone que pode ser levada em uma mala de mão. O seu sistema consegue identificar em um raio de 3,5 quilômetros qualquer drone e bloqueia o sinal entre o UAV e o seu operador com um alcance de até 10 quilômetros.
  "Os drones definitivamente assumirão papéis mais importantes nos próximos anos, mas não substituirão soldados", afirma Ben Nassi, pesquisador da Universidade Ben-Gurion, em Israel. Para o especialista, os drones precisarão ter baterias mais duráveis e um servidor centralizado de comando remoto, semelhante a operação de um jogo de computador.
Para Daniel Statman, professor de filosofia da Universidade de Haifa, em Israel, com o tempo, graças ao avanço da inteligência artificial (IA), os drones não só serão usados no ar, mas também em terra e debaixo d’água. Ele acredita que os UAVs serão capazes de serem programados a para levar em conta regras de guerra, convenções e para distinguir inimigos dentre os combatentes. “Daremos a eles tudo o que sabemos e como identificar alvos militares legítimos, e eles farão um trabalho muito melhor do que os seres humanos”, diz.



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