13/11/2019

Brasileiro sobrevivente do Holocausto faz bar-mitzvá aos 91 anos

     
Brasileiro-sobrevivente-do-Holocausto-fara-bar-mitzvahAos 91 anos, Andor Stern, que nasceu no Bexiga/SP, passou durante 13 meses no campo de concentração de Auschwitz, onde sua mãe e seus avós foram assassinados pelos nazistas nas câmaras de gás. “Eu vi minha mãe saindo pela chaminé no dia 6 de outubro de 1944, lembro de tudo”. Com 78 anos de atraso, ele acaba de realizar o seu bar-mitzvá.
Quando tinha três anos, o pai dele, que era médico, foi transferido pela multinacional Anglo Gold de Minas Gerais para a Índia. Dois anos antes da Guerra, outra mudança, desta vez para para a Hungria, onde moravam seus avós, e com quem se escondeu quando começaram os atos antissemitas. Stern se emociona ao comparar a vida de hoje com a que levava, vivendo “como um zumbi” no campo de concentração. “Eu sou um homem livre. Sabe o que é ser livre?. Quando entrei na escola, com 6 anos, e descobriram que eu era judeu, os outros meninos começaram a me atazanar, xingar, bater, eu não podia mais andar na rua. Quando fomos libertados pelos soldados americanos, teve gente que enlouqueceu. Outros se mataram no arame farpado. Costumo dizer que ali nasci pela segunda vez. Eu tinha 17 anos e estava pesando 28 quilos”.
Andor Stern já foi empresário e hoje trabalha como consultor técnico da empresa Unigel, que fabrica placas de acrílico. Ganha três salários mínimos de aposentadoria, e mora na casa de um dos genros. Tem cinco filhas, três delas de criação, nove netos e já perdeu a conta dos bisnetos.
Há 10 anos, colocou três stents no coração e só se queixa de dores na coluna. Vive de bom humor, brinca muito com a esposa Therezinha, gosta de ouvir música erudita e jazz, é “maníaco” por livros.
Este ano, já viajou a Budapeste, Nova York e Madri. Quer aproveitar bem cada minuto de vida que lhe resta. “A gente nasce, cresce, tem filhos, netos e aí chega aos 91 anos, e um dia vai embora. Eu já vivi 200 anos… Sou um afortunado, não sou herói. Apesar de tudo, sou muito grato à vida”.
As várias vidas de Stern já renderam um livro – “Uma Estrela na Escuridão”, de Gabriel Davi Pierin – e há um filme em fase de produção pela Querô filmes, com o mesmo título.


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