Como o YouTube se tornou um palco aberto e lucrativo para as teorias da conspiração antissemita

Como o YouTube se tornou um palco aberto e lucrativo para as teorias da conspiração antissemita      Apesar de o site de compartilhamento de vídeos YouTube ter revisto recentemente sua política para impedir a divulgação de discursos de ódio, vídeos antissemitas e que defendem a supremacia branca continuam sendo transmitidos todos os dias pelo canal.
As mensagens exibidas dizem: "Passe algum tempo no YouTube e você pode aprender um pouco sobre judeus". "Eles são responsáveis ??pelo assassinato de John F. Kennedy; estão por trás da distribuição mundial de pornografia; são inimigos da Igreja Católica e exercem uma influência indevida na política americana". "O Congresso dos Estados Unidos, por exemplo, é controlado pelo dinheiro dos judeus".
As mensagens exibidas promovem constantemente teorias de conspiração antissemitas, apesar de o YouTube ter adotado desde junho uma política de repressão ao discurso de ódio, proibindo a exibição de vídeos que promovam ideologias como a supremacia branca, clipes que negam atrocidades históricas como o Holocausto ou que discriminem outras minorias.
De acordo com recente análise da Liga Anti-Difamação (ADL), muito do mesmo tipo de conteúdo odioso ainda permanece no site, apesar das mudanças adotadas pelo YouTube.
"Desde então, conseguimos localizar mais de 30 canais que continuam a disseminar mensagens antissemitas, de fanatismo e de supremacia branca", disse Aryeh Truchman, diretor associado do Centro de Controle do Extremismo da ADL, ao The Times of Israel.
A ADL descobriu que cinco desses canais "divulgam uma variedade de mensagens e argumentos que vem sendo usados por gerações para alimentar o medo e o ódio aos judeus". E alguns desses canais têm muitos seguidores.
Um desses canais é o TruNews, uma plataforma cristã fundamentalista que lança regularmente vídeos antissemitas, islamofóbicos e homofóbicos. Possui mais de 185.000 apoiadores - e seus vídeos alcançaram 17 milhões de visualizações.
O pastor e fundador do canal, Rick Wiles, é amplamente conhecido por suas teorias de conspiração antissemitas. Ele usa a plataforma para argumentar que os judeus controlam a mídia, representam um perigo para os cristãos em todos os lugares e representam a "Sinagoga de Satanás". Em um post de 20 de fevereiro, Wiles disse: "Não são os muçulmanos que vão nos matar. São os judeus". Em março, ele declarou: "Pessoalmente, acredito que Israel derrubou John Kennedy".
Outros canais antissemitas no YouTube apontados pela ADL são "Sanderson1611", "E. Michael Jones", "Irmão Nathaniel Video" e "Michael Hoffman". ("Sanderson1611" e "Michael Hoffman" foram retirados desde então).
O canal do "E. Michael Jones" no YouTube tem 37.000 apoiadores e conquistou mais de 3,5 milhões de visualizações. Em seus vídeos, ele exibe pronunciamentos abrangentes sobre o "efeito negativo do controle judaico sobre o governo dos EUA".
"O dinheiro dirige todo o Congresso dos Estados Unidos. E, em grande parte, é dinheiro judeu no que diz respeito à política externa", diz uma mensagem exibida em vídeo de junho de 2019 e já que obteve mais de 21.000 visualizações. "A AIPAC controla o Congresso americano. Não há dúvida: o Congresso é controlado por dinheiro judeu", diz outra mensagem.
Em julho, ele chamou os judeus de "inimigos de toda a raça humana". Esse post recebeu mais de 22.000 visualizações, segundo a ADL.
Além disso, o canal de Michael Hoffman, acrescentou a ADL, apresentou vídeos que negaram o Holocausto e argumentaram que o judaísmo tolera a pedofilia.
Em sua pesquisa, a ADL identificou ainda outros 24 canais que adotam a ideologia da supremacia branca e as teorias da conspiração.
Um funcionário do YouTube disse que em alguns casos os vídeos foram removidos dos canais por violarem o código de conduta, mas não necessariamente os próprios canais. A regra de avaliação, segundo ele, considera se o canal é "totalmente dedicado" ao ódio.
Youtube divulgou em seu blog oficial nesta terça-feira (3) que foram removidos de sua plataforma mais de 100 mil vídeos, cerca de 17 mil canais e por volta de 500 mil comentários com discurso de ódio entre os meses de abril e junho deste ano. O volume de vídeos e canais removidos neste trimestre é cinco vezes maior que o total de remoções realizadas nos três primeiros meses do ano.
"As restrições devem aumentar com o tempo. Lembre-se de que só faz menos de dois meses desde que as mudanças foram adotadas", disse o porta-voz do YouTube ao The Times of Israel. "Já removemos milhares de contas e dezenas de milhares de vídeos totalmente dedicados ao discurso de ódio, conforme definido por nossas novas políticas".
Até o momento desta edição, três dos cinco canais apontados pela ADL como antissemitas permanecem no site. O mesmo acontece com relação a 18 dos 24 outros apontados como promotores da supremacia branca.
"Desde que atualizamos nossa política contra incitação ao ódio em junho de 2019, removemos vídeos da lista de canais de nossa plataforma", disse o funcionário do YouTube. "Qualquer vídeo enviado após a adoção das mudanças que viole nossas políticas estará sujeito a três advertências antes da retirada total do canal". 



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