Arte e ética se misturam em controversa exposição que chega a Israel

   
Arte e ética se misturam em controversa exposição que chega a Israel
 Uma exposição muito esperada no Museu de Israel, sobre obras que um dia foram de um negociante de arte com extensos laços com os nazistas, abriu um debate sobre ética, arte e história.
"Escolhas fatídicas: arte do tesouro de Gurlitt" apresenta cerca de 100 obras de arte de uma coleção de 1.500 peças, descoberta em 2012, reunida por Hildebrand Gurlitt, diretor de museu, comerciante de arte - e agente do regime de Hitler.
A descoberta do tesouro foi comemorado, apesar da percepção de que certamente incluía peças que foram saqueadas ou retiradas de famílias que sofreram perseguição e morreram durante o Holocausto. Várias obras da coleção foram, de fato, restituídas.
A exposição, que abre oficialmente nesta terça-feira (24) e vai até 15 de janeiro de 2020, foi recebida com comemoração na noite de ontem. O curador Shlomit Steinberg, o diretor do museu, Ido Bruno, a embaixadora alemã em Israel, Susanne Wasum-Rainer e outras personalidades da Alemanha e da Suíça se reuniram para ver a exposição e refletir sobre as obras.
As três galerias usadas em "Escolhas fatídicas" exploram as obras e expõem a variedade de peças de arte que Gurlitt acumulou ao longo de sua carreira.
Algumas das obras da exposição foram compradas por Gurlitt para o Museu Linz em Paris através de agentes de arte intermediários, e sua procedência está sendo verificada. Outras 20 obras foram confiscadas dos museus alemães em 1937 como "arte degenerada" ou arte de vanguarda, e foram compradas por Gurlitt entre 1938 e 1940, para revendê-las a colecionadores de arte fora da Alemanha.
Pinturas, desenhos e gravuras de Manet, Monet, Renoir, Otto Dix, Oskar Kokoschka, Georg Grosz e Max Beckmann são exibidos ao lado de pinturas holandesas de natureza-morta do século XVII, pastéis e rococós do século XVIII e retratos do século XIX.
As descrições de muitas das obras de arte informam aos visitantes que os itens estão sendo pesquisados para apurar a sua origem, juntamente com a busca pelos legítimos proprietários.
Esse é um aspecto do complicado processo de exibir essas obras de arte, parte do tesouro descoberto no apartamento, em Munique, de Cornelius Gurlitt, filho de Hildebrand (falecido em 1956).
A descoberta da coleção, sete anos atrás, foi manchete de jornais em todo o mundo e trouxe à tona o debate sobre como a Alemanha do pós-guerra lidou com a arte saqueada pelo regime nazista.
Quando Cornelius Gurlitt morreu em 2014, ele deixou a coleção em um pequeno museu na Suíça, o Museu de Belas Artes de Berna. Lá, a primeira exposição da coleção foi aberta em novembro de 2017 - após uma pesquisa inicial por uma força-tarefa de especialistas globais em arte, incluindo Steinberg, curador de arte europeia no Museu de Israel.
Cerca de 500 obras permanecem na Alemanha, aguardando pesquisa do governo sobre as origens obscuras da coleção.
A exposição do Museu de Israel foi aberta em colaboração com o Kunstmuseum de Berna e é a quinta exibição da coleção, depois de duas em Berna, uma em Bonn e outra em Berlim.



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