16/09/2019

Aliança laica desafia reeleição de Netanyahu em Israel

Aliança laica desafia reeleição de Netanyahu em Israel     Amanhã, Israel terá sua segunda eleição em menos de seis meses, mas tudo indica que a verdadeira disputa só começará no dia seguinte. É quando se iniciarão os esforços para montar um governo, algo que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deixou escapar entre os dedos na eleição de abril. Sem sucesso, ele se viu obrigado a convocar um novo pleito para não ter que dar adeus ao cargo que ocupa há dez anos e enfrentar sem imunidade as denúncias de corrupção contra si.
As pesquisas apontam um virtual empate entre os dois maiores partidos, o Likud, de Netanyahu, e o centrista Azul e Branco, liderado pelo ex-comandante do Exército Benny Gantz, numa repetição do roteiro que se desenrolou cinco meses atrás. Parece o mesmo filme, mas algumas mudanças no cenário abrem a possibilidade de um desfecho diferente, e sugerem que, pela primeira vez em muitos anos, Netanyahu poderá perder a maioria formada por partidos religiosos e de direita que garantiu seu longo domínio na política de Israel.
A maior ameaça ao status quo vem de um antigo aliado, Avigdor Lieberman. Chefe de gabinete no primeiro governo de Netanyahu, em 1996, Lieberman deixou o Likud contrariado com as concessões aos palestinos e fundou seu próprio partido, o ultranacionalista e secular Israel Nossa Casa. Considerado um parceiro natural num governo direitista, Lieberman foi o principal obstáculo para Netanyahu formar uma coalizão, ao insistir que judeus ultraortodoxos prestem o serviço militar obrigatório. Isso significaria a perda dos 16 deputados de partidos ultraortodoxos dos quais o premier precisava para ter no Parlamento o mínimo de 61 assentos necessários para montar o governo.
A implosão nas negociações levou Netanyahu a dissolver o Parlamento e a acusar Lieberman de "empurrar o país para uma eleição desnecessária por ambição política". O ex-amigo rebateu, atacando o premier por "render-se completamente aos haredis (ultraortodoxos)". A crítica tornou-se o principal mote da campanha de Lieberman para a próxima eleição, acentuando o choque cultural entre religiosos e laicos em Israel. Divisões sobre como deve ser um Estado ao mesmo tempo judeu e democrático existem desde antes da fundação de Israel, mas tornaram-se mais agudas com a guinada do país para a direita nos últimos anos, quando discursos nacionalistas e religiosos ganharam mais espaço e poder.
Para Yehuda Ben Meir, pesquisador do Instituto de Estudos de Segurança Nacional, em Tel Aviv, a mudança é significativa e pode ter impacto relevante na sociedade israelense caso a aliança proposta por Lieberman saia vencedora na eleição. Advogado, psicólogo e ex-deputado, com longa bagagem que inclui o cargo de vice-ministro do Exterior na década de 1980, Ben Meir evita fazer previsões eleitorais, porém considera que Lieberman já alterou a dinâmica política em Israel. A questão é se isso vai "pegar".
"Lieberman mudou o diálogo e as fronteiras conhecidas entre direita e esquerda que definiram a política israelense nos últimos anos", disse ao Globo.
Nascido na Moldávia, na então União Soviética, Lieberman tem como base eleitoral imigrantes da ex-URSS, que, embora apoiem a retórica linha-dura contra os palestinos, levam em sua grande maioria uma vida laica e não querem saber de rabinos se metendo nela. Além do alistamento militar de ultraortodoxos, ele também defende temas caros a sua base, como a instituição do casamento civil (que não existe em Israel), para que os imigrantes russos - muitos não reconhecidos como judeus pelos rabinos ortodoxos - possam driblar a burocracia religiosa.



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