Judeus de El Paso dizem estar inseguros

Judeus de El Paso dizem estar inseguros"Nós perdemos uma parte de nós mesmos", dizem membros da comunidade judaica de 5 mil pessoas de El Paso. Um deles, Joseph Charter afirma que costumava se sentir seguro em El Paso. Mas depois do ataque de sábado, quando um atirador matou 22 pessoas e feriu 26 em uma loja Walmart na cidade do Texas, tudo mudou.
"Eu tive que ir para a Target no dia seguinte, e pela primeira vez eu comecei a olhar para os lados", disse ele em entrevista por telefone ao JTA (Jewish Telegraphic Agency) nesta quarta-feira (7). "Agora, é necessário começar a pensar em cada situação e ser um pouco mais cauteloso".

Sua esposa, Fabiola, se sente especialmente vulnerável. Ela é mexicana-americana e perdeu um parente no ataque e quase perde um colega de trabalho, que conseguiu escapar dos tiros. Além disso, ela faz parte da comunidade de imigrantes indesejáveis que o autor dos disparos procurou atingir.
Charter afirma que sua esposa se sente "mais consciente sobre 'eu sou mexicana e há pessoas que não me querem aqui'". Ele diz que ela já falou sobre "comprar uma arma". "Eu não me sinto segura. Quero ter certeza de que, se alguma vez eu estiver numa situação como essa, terei pelo menos algum meio para tentar proteger nossos filhos", disse ela.

Charter, 33, e sua esposa pertencem à sinagoga reformista da cidade, onde eles são um dos muitos casais de judeus latinos.

"Muitas das famílias em Temple Mount Sinai incluem pessoas que escolheram o judaísmo. São moradores locais que se apaixonaram pelo judaísmo, uma vez que tinham um cônjuge judeu, e isso inclui muitas famílias inter-religiosas", disse o rabino da congregação, Ben Zeidman.

Há aproximadamente 5.000 judeus em El Paso, e mesmo para aqueles que não têm família latina, o ataque causou apreensão. A comunidade judaica está próxima da comunidade latina, que representa 80% da cidade. Os membros se misturam socialmente e em eventos inter-religiosos.

"Temos a sensação de que perdemos uma parte de nós mesmos de certa forma, por causa de nossa cidade e como nos relacionamos com todos os outros que moram aqui", disse Zeidman.

O rabino ajudou a organizar uma vigília inter-religiosa na noite após o tiroteio. Ele representou a sinagoga ao lado do rabino Scott Rosenberg de B'nai Zion, congregação conservadora da cidade. O coral do Templo do Monte Sinai cantou no evento.
A sinagoga reformista, que tem quase 400 famílias, também está arrecadando dinheiro para distribuir às famílias das vítimas

El Paso é também o lar de uma federação judaica, um Chabad, uma pré-escola judaica e um museu do Holocausto.

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