01/08/2019

Ativista desafia o regime iraniano com página no Facebook

Ativista desafia o regime iraniano com página no Facebook A jornalista e ativista iraniana exilada Masih Alinejad, 42, administra a página "My Stealthy Freedom" que criou no Facebook para protestar contra o regime iraniano e a lei do país que obriga as mulheres a cobrir a cabeça com o hijab.
Autoridades do Tribunal Revolucionário iraniano anunciaram nesta segunda-feira (29) que as mulheres que postam fotos em redes sociais sem o hijab estão sujeitas e penas de até dez anos de prisão.
"Minha resposta é: o regime (iraniano) não me assusta. Eles têm medo das pessoas e das suas reivindicações. Vou continuar a transmitir as vozes das pessoas, sempre que receber vídeos", disse Alinejad.
Nascida em uma família modesta e conservadora do Irã, Alinejad foi presa pela primeira vez aos 18 anos por escrever críticas à República Islâmica. Um  relato sobre a corrupção no Parlamento iraniano estava entre as histórias que ela cobriu como jornalista profissional. Ela deixou o país em 2009 depois de escapar da prisão mais uma vez. Seu livro de memórias "O vento no meu cabelo - Minha luta pela liberdade no Irã moderno" foi publicado em inglês no ano passado.
Em sua página "My Stealthy Freedom", ela se define como não política. Ela criou a página no Facebook em 2014 para protestar contra a lei iraniana que obriga as mulheres a cobrir seus cabelos com um hijab.  
"A iniciativa reflete as preocupações das mulheres iranianas, que enfrentam restrições jurídicas e sociais" diz a mensagem em sua página no Facebook.
"Todas as fotos e legendas postadas foram enviadas por mulheres de várias partes do Irã, e esta é uma página dedicada a iranianas que querem compartilhar suas fotos sem o véu", acrescenta.
As autoridades de Teerã acusam Alinejad de atuar a serviço do governo dos EUA.
"Como Masih Alinejad tem um contrato com os americanos, todas as mulheres que enviam a ela imagens de vídeo sem estarem usando o seu hijab serão condenadas a penas entre um a 10 anos de prisão de acordo com o artigo 508 da lei de justiça criminal islâmica", disse o chefe da Corte de Teerã, aiatolá Mousa Ghazanfarabadi, em declarações à agência Fars News publicadas no The Telegraph.
"No meu entendimento da lei há três tipos de situação passíveis de condenação: filmar nossas instalações militares; registrar a vida privada de outro cidadão e gravar filme ou vídeo com o objetivo de trabalhar com um governo inimigo", disse ele quando perguntado se o envio de clipes de um iraniano para um cidadão americano, por exemplo, seria considerado um ato criminoso.
"Quando o chefe do tribunal revolucionário afirma que eu sou parte de um 'estado hostil', a minha resposta é clara: nenhum governo tem sido mais hostil ao povo iraniano do que o atual regime", disse Alinejad em um vídeo. "40 anos atrás, o Irã pertencia a todos os iranianos: cristãos, muçulmanos, judeus, bahais, crentes ou não-crentes. Mas, com base nas regras do regime, agora o Irã é o lar apenas dos que observam as leis islâmicas". "Ou seja, (o regime) tomou uma nação como refém. Portanto, é nosso inimigo" completou. 

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