18/08/2019

Ambições de Netanyahu o afastam da comunidade judaica americana

   
Ambições de Netanyahu o afastam da comunidade judaica americana
 Decisão de Netanyahu sobre as visitas da deputadas Democratas, está repercutindo muito na comunidade judaica americana.
Os defensores de Netanyahu contra-atacam dizendo ser fácil para estas lideranças judaicas liberais falarem de seus apartamentos em Nova York sem terem de lidar com o terrorismo do Hamas e a ameaça de dezenas de milhares de mísseis do Hezbollah, uma guerra civil do outro lado da fronteira na Síria, com a presença de forças iranianas de um lado e do ISIS e da al-Qaeda do outro. Além disso, ocorre um distanciamento de jovens judeus americanos de Israel, com muitos casando com não judeus. O símbolo seria o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg.

Ambições de Netanyahu o afastam da comunidade judaica americana
Deputadas Democratas
Os críticos de Netanyahu na comunidade judaica, no entanto, não questionam a defesa da segurança de Israel. Nesta questão, o premier conta com o apoio dos judeus liberais americanos. Pode haver discordância em estratégia. Mas há consenso sobre a ameaça do Hamas, do Hezbollah e do Irã. No caso de Lauder, o questionamento é bem claro sobre questões internas de Israel – direito de minorias religiosas e sexuais e a influência do judaísmo ortodoxo na vida israelense em detrimento de judeus conservadores e reformistas. Outros críticos vão além e citam também a ocupação da Cisjordânia.
Ambições de Netanyahu o afastam da comunidade judaica americana
Decisão de Netanyahu sobre as visitas da deputadas Democratas,
está repercutindo muito na comunidade judaica americana
O que difere  é que a sociedade israelense, como a americana, se divide entre um lado mais conservador e outro mais liberal (progressista). Netanyahu lidera a coalizão mais conservadora da história moderna de Israel, em sintonia com a administração republicana de Trump. Já a maior parte da comunidade judaica americana é liberal (progressista). Vota majoritariamente no Partido Democrata. Nas eleições no pós-guerra, os resultados foram os seguintes de acordo com a Jewish Virtual Library:

1948 – Truman (democrata), 75%; Dewey (republicano), 10%, Wallace (independente), 15%
1952 – Stevenson (democrata), 74%; Eisenhewer (republicano), 36%
1956 – Stevenson (democrata), 60%; Eisenhewer (republicano), 40%
1960 – Kennedy (democrata), 82%; Nixon (republicano), 18%
1964 – Johnson (democrata), 90%; Goldwater (republicano), 10%
1968 – Humphrey (democrata), 81%; Nixon (republicano), 17%; Wallace (independente), 2%
1972 – McGovern (democrata), 65%; Nixon (republicano), 35%
1976 – Carter (democrata), 71%; Ford (republicano), 27%
1980 – Carter (democrata), 45%; Reagan (republicano), 39%; Anderson (independente), 15%
1984 – Mondale (democrata), 57%; Reagan (republicano), 31%
1988 – Dukakis (democrata), 64%; Bush pai (republicano), 35%
1992 – Clinton (democrata), 80%; Bush pai (republicano), 11%; Perot (independente), 9%
1996 – Clinton (democrata), 78%, Dole (republicano), 16%; Perot (independente), 2%
2000 – Al Gore (democrata), 79%; Bush filho (republicano), 19%; Nader (independente), 1%
2004 – Kerry (democrata), 76%; Bush filho (republicano), 24%
2008 – Obama (democrata), 78%; McCain (republicano), 22%
2012 – Obama (democrata), 69%; Romney (republicano), 30%
2016 – Hillary (democrata), 71%; Trump (republicano), 24%

Não há informações sobre o voto segundo correntes do judaísmo e faixa etária dos eleitores. Mas dá para cravar que, entre os jovens judeus liberais nos EUA, o percentual de voto nos democratas é muito maior. E, no geral, como visto acima, entre dois terços e quatro quintos dos judeus americanos votam nos democratas.

Historicamente, os democratas sempre foram árduos defensores de Israel. Figuras como Al Gore, Hillary Clinton e Joe Biden sempre deixaram claro seu amor pelos israelenses. Este fenômeno aos poucos mudou diante da decisão de Netanyahu de bater de frente publicamente com Obama ao ir ao Congresso dos EUA a convite dos republicanos para criticar o acordo nuclear que vinha sendo negociado entre os americanos, outras potências e o Irã. O problema não estava em o premier divergir do acordo. Isso é natural. O grave foi ele atacar Obama em aliança com os republicanos.
Israel, que contava com o apoio bipartidário nos EUA, passou a ser associado aos republicanos. Mais grave, a Trump, que talvez seja o presidente americano mais repudiado pela ala liberal da comunidade judaica dos EUA. Nesse processo, os democratas e os judeus, especialmente os mais jovens, passam a criticar o governo israelense. O cenário fica mais perigoso quando novas lideranças democratas, especialmente mais à esquerda do partido, adotam a defesa dos palestinos como bandeira e não veem problema em criticar abertamente não apenas a administração Netanyahu, como também Israel. Ainda não chega ao patamar do antissemitismo do Partido Trabalhista britânico, mas gera preocupação.

Inevitavelmente, em algum momento os democratas voltarão ao poder nos EUA. Israel precisará ter boas relações. E a comunidade judaica americana será fundamental. Neste momento, Netanyahu tem apostado suas fichas na ala mais à direita dos judeus americanos, que é bem menor, e acima de tudo em evangélicos do governo Trump, como o secretário de Estado Mike Pompeo e o vice-presidente Mike Pence, além da aliança com nações do Golfo Pésrico como Arábia Saudita e os Emirados Árabes. Tem funcionado sem dúvida, como vimos na mudança da embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém e na frente contra o Irã. Mas, em longo prazo, os efeitos podem ser bem graves. Especialmente no que diz respeito ao distanciamento da comunidade judaica americana. O risco é Israel virar para eles o que a Itália é para os descendentes de italianos ou a Irlanda para os descendentes de irlandeses – algo culturalmente importante, mas politicamente secundário.



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