A revolução do vinho israelense

A  revolução do vinho israelense

Durante a virada do século, os principais mercados para o vinho israelense eram Rússia e Estados Unidos. Mas, com a Revolução Russa e a Lei Seca norte-americana, a então florescente vitivinicultura do país se viu sem ter para onde exportar. Até os anos 1970, o vinho lá feito era voltado para liturgia. Produzido em grandes volumes, sem interesse maior, doce e feito com uvas não viníferas, a indústria estagnou.


Vinhedos de Margalit, na Alta Galileia, região de clima mediterrâneo
A  revolução do vinho israelenseNos anos 70, estudos mostraram que a região de Golã, no extremo norte do país, era promissora para a produção de vinhos de qualidade internacional. Em 1983, Golan Heights Winery lançou uma primeira série de vinhos de qualidade internacional, desafiando outros produtores a investir na viticultura de alto padrão. As uvas mediterrâneas: Grenache, Carignan, Petite Sirah, entre outras, foram acompanhadas por plantações de Cabernet, Merlot, Sauvignon Blanc, Chardonnay, Riesling e Gewürztraminer.
Muitos israelenses que estudaram fora, principalmente nos Estados Unidos, voltaram ao país decididos a aplicar seu conhecimento em Israel. Yair Margalit é tido como um dos pioneiros. Professor de química em UC Davis e autor de três livros referência em Davis sobre técnicas de enologia, ele largou a carreira de cientista e, em 1989, lançou sua primeira safra. Seus vinhos, da região da alta Galileia, são o cume da elegância do vinho israelense.
Muitos estudaram fora e depois voltaram para Israel para aplicar seus conhecimentos na viticultura. Um dos pioneiros é Yair Margalit
Depois vem Eli BenZaken, um restaurateur que aprendeu a fazer vinho por um livro. Não só seu vinho Castel é um dos mais impressionantes do país, como ele mostrou o potencial da região das colinas de Jerusalém ao mundo. Assim, o boom das vinícolas artesanais definiu um novo estilo de produção no país: o de produção minúscula e qualidade altíssima. Margalit, Castel, Golan Heights (com a linha Yarden), Château Golan, Clos de Gat, as linhas top da Carmel e Yatir trazem novos ares para a antiga viticultura: os vinhos de butique. Este conceito em Israel é para vinícolas que produzem até 100 mil garrafas ao ano. E veio para ficar.
Terroir
Israel é pequeno, mas tem todas as condições dos grandes países para produzir vinhos de qualidade, com uma variedade incrível de micro-climas. O extremo norte, em Golã, na fronteira com o Líbano e a Síria, tem clima de altitude, muito ensolarado, com ventos frescos e grande amplitude térmica dia e noite, bem como verão e inverno - quando chega a nevar. Os solos são de basalto vulcânico e tufo, um tipo de calcário firme, mas quebrável, com excelente drenagem. Além de Golan Heights, estão Tabor, Dalton e Château Golan.

A alta Galileia tem clima mediterrâneo, mais seco e mais fresco em altitude, com alguns vinhedos a 800 metros. A poucos metros da costa, região conhecida como Samaria, perto de Zicron Ya'acov, o clima é típico mediterrâneo, com verões quentes e ensolarados. Margalit, Tishbi, Binyamina e parte dos vinhedos de Carmel ficam nessas zonas.
Aos pés das montanhas de Jerusalém (Sansão), há um clima mais quente, um pouco úmido para a produção de qualidade, mas Carmel, Barkan, Karmei, entre outras, produzem vinhos muito interessantes.
Já nas colinas da Judeia, em volta da cidade de Jerusalém, o clima mediterrâneo é resfriado pelas altitudes e os solos calcários, conhecidos pelas construções da cidade, aparecem bastante. Muitas vinícolas butique, 25 precisamente, de altíssimo nível, encontram-se aqui: Castel, Clos de Gat, Flam e Ella Valley, são os destaques indiscutíveis.
A  revolução do vinho israelenseTalvez os vinhedos mais impressionantes do país, pela peculiaridade de solos e clima, estejam no deserto do Negev. O verão chega facilmente a 45°C. São vinhedos irrigados com alta tecnologia, onde uvas bordalesas e mediterrâneas dão vinhos ricos, quentes e cheios da personalidade que só vinhedos no deserto podem oferecer. O grande destaque aqui é vinícola Yatir, que produz um Syrah respeitável, assim como Cabernets e Merlots impressionantes.

Vinícolas butique de altíssimo nível estão na região das colinas da Judeia, perto de Jerusalém. A Ella Valley é uma das 25

Barão Edmond de Rothschild foi a principal figura da história do vinho israelense
A  revolução do vinho israelenseO legado do barão Edmond Binyamin de Rothschild permanece junto com seu túmulo em Zichron Ya'acov. Na entrada da cidade, a pintura com sua imagem, alta, observando a cidade de um janela, mostra o agradecimento a este homem tão importante e querido, que soube reconhecer o potencial daquele lugar.
Israel mostra que fez a lição de casa: são produtores que estudam, conhecem o mercado internacional, exploram bem suas regiões e não estão para brincadeira. O aparecimento vertiginosamente crescente de vinícolas de qualidade nos últimos 20 anos deixa uma conclusão: Israel está definitivamente dentro do panorama internacional dos grandes vinhos do mundo.

KOSHER OU NÃO KOSHER?
Nem todo vinho israelense é kosher. E muitos vinhos kosher são produzidos fora de Israel. As grandes vinícolas israelenses costumam produzir vinhos segundo as regras do kashrut, mas a maioria das pequenas, não.
O que é um vinho kosher?
Definitivamente, as regras para a produção destes vinhos estão muito alinhadas com as técnicas viticulturais que visam qualidade. Outras regras originaram-se na tradição religiosa judaica.
1. Só se pode produzir vinhos com vinhas com mais de quatro
anos;
2. Não se pode produzir outros vegetais ou frutas dentro dos
vinhedos;
3. Após a primeira colheita, deve-se deixar o vinhedo descansar a
cada sete anos (ano sabático);
4. Todas as ferramentas e utensílios para a produção do vinho
devem ser kosher e manter-se limpos;
5. Quando as uvas chegam na vinícola, apenas judeus observantes
do shabat (descanso semanal) podem manusear o mosto,
vinho ou qualquer equipamento. Como muitos israelenses não
o são, geralmente estas tarefas são realizadas por ortodoxos;
6. Todo material utilizado na vinficação (leveduras) e clarificação,
devem ser kosher;
7. Uma quantidade simbólica do vinho, representando o dízimo,
pago na época do templo de Jerusalém, deve ser jogada para
fora dos tanques ou da barrica onde estão sendo produzidos.

Fonte: Rogov's Guide to Israeli Wine 2009. ed. Toby.
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