01/07/2019

Alemanha exige que Itália liberte capitã de navio com imigrantes que atracou em Lampedusa

Alemanha exige que Itália liberte capitã de navio com imigrantes que atracou em LampedusaBERLIM— autoridades alemãs exigiram oficialmente nesta segunda-feira que a Itália liberte a capitã do navio humanitário Sea Watch , Carola Rackete, detida há dois dias depois de ter atracado à força na ilha de Lampedusa. O pedido foi feito pelo ministro das Relações Exteriores alemão, Heiko Maas, e acentua a tensão entre os dois países no que diz respeito às políticas imigratórias da Europa.
Alemanha exige que Itália liberte capitã de navio com imigrantes que atracou em Lampedusa"Do nosso ponto de vista, o processo judicial só pode concluir com a libertação de Carola Rackete", escreveu Maas em um tuíte. Após pedir uma "solução europeia urgente", o chefe da diplomacia alemã reforçou as críticas à criminalização do resgate de imigrantes no Mediterrâneo.
— Salvar vidas é uma obrigação humanitária. Negociar a distribuição de refugiados é indigno e deve parar — disse.
A questão também foi discutida em um encontro entre o primeiro-ministro italiano, Giovanni Conte, e a chanceler alemã, Angela Merkel, nesta segunda-feira, em Bruxelas. Em um tuíte, o premier falou sobre o teor da conversa.
"Expliquei a ela que não podemos intervir para ditar o comportamento dos juízes", disse Conte.
Na madrugada do último sábado , a capitã alemã Carola Rackete, de 31 anos, desafiou as disposições do vice-premier italiano Matteo Salvini, que proibiu que navios de imigrantes atraquem em portos do país , e levou mais de 40 pessoas até o porto de Lampedusa. Elas haviam sido resgatadas na costa da Líbia em 12 de junho.
Ao longo de 17 dias, o grupo se manteve parado no limite das águas terrioriais italianas. A capitã alega que só furou o bloqueio estabelecido por Salvini por estar preocupada com o quadro de exaustão mental dos imigrantes. Ela conta que temia que houvesse um suicídio em massa entre os embarcados .
Além de acusada de favorecer a imigração ilegal, Rackete pode ser condenada a até 10 anos de prisão por ter jogado a embarcação contra uma lancha da polícia italiana, que tentava impedir que ela se aproximasse. Os agentes foram forçados a se afastar sob o risco de serem esmagados contra o quebra-mar.
Por conta da violação, a alemã deverá depor diante de um juiz em Agrigento, na Sicília, nesta segunda-feira. Cabe ao Ministério Público italiano decidir se ela poderá responder ao processo em liberdade e, posteriormente, expulsá-la.
Fiel ao seu estilo agressivo de governar, o vice-premier italiano Matteo Salvini, do partido de ultradireita Liga, avisou que já tem pronto e assinado o decreto de expulsão da capitã. Ele chegou a acusá-la de ter cometido um "ato de guerra" por querer afundar um barco da polícia.
Comandante experiente, Rackete já navegou em águas do Ártico e da Antártida. Em entrevista ao jornal italiano La Repubblica, ela explicou por que decidiu resgatar imigrantes na costa da África.
"Minha vida tem sido fácil, pude cursar de três universidades, me formei com 23 anos. Sou branca, alemã, nascida em um país rico e com o passaporte certo. Senti a obrigação moral de ajudar aqueles que não tiveram as mesmas oportunidades que eu", contou.
Outras autoridades italianas criticaram publicamente o tratamento conferido a Rackete. O prefeito de Palermo, Leoluca Orlando, disse que Salvini agiu com "crueldade ilícita" em relação à capitã.
— Com estas decisões, a Itália está se afastando da Europa. Trata-se de uma crueldade ilícita e ilegítima por parte de Salvini — lamentou.
Já o prefeito de Lampedusa, Salvatore Martello, lembrou que "mais de 600" imigrantes chegaram à ilha em menos de um mês, a maioria a bordo de barcos improvisados.
— Ontem à noite, houve 25, incluindo mulheres e crianças (...), mas ninguém disposto a fazer um show na frente das câmeras de televisão — disse.

Compartilhe

Author:

Blog Judaico - Tudo sobre Israel, judaísmo, cultura e o mundo judaico.

0 comentários: