A missão dos espiões

A missão dos espiões  Retirado do livro Ideias de Bamidbar, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe
A primeira questão que temos que descartar é que Moisés tivesse alguma dúvida acerca de se tratar de uma boa terra. Portanto, o objetivo de Moisés ao enviar os espiões tinha que ser outro; o que ele pretendia era que o povo se entusiasmasse com a terra e se mostrasse desejoso de nela entrar.
Ele esperava que os espiões voltassem com a descrição da terra; é por isso que Moisés lhes diz que investiguem como é o povo que vive ali, se é forte ou fraco, se são muitos ou poucos. A intenção de Moisés não era uma questão de estratégia de guerra. Ele sabe que De’s está com eles e que De’s vai cumprir a Sua promessa de lhes entregar essa terra. O que ele quer demonstrar ao povo é que se trata de uma boa terra, que as pessoas que vivem lá são saudáveis e fortes; não se trata de uma terra que não fornece bom alimento ou bom clima aos seus habitantes. Além disso, ao dizer-nos que são muitos, isso demonstra-nos que há abundância e comida para todos.
O que Moisés pretendia também com o relatório dos espiões era que ficasse demonstrado que esta é uma terra que tem abundância de água e de frutos.
É por isso que é tão específico, e lhes diz que subam pelas montanhas. Como sabemos, a topografia da Terra de Israel tem uma cadeia montanhosa que atravessa o país de Sul a Norte, pela metade, desde Hebron até Haifa. A ideia de Moisés é que vejam a terra em geral. É por isso que lhes diz que vão pelas montanhas, porque desde o topo iriam poder observar em linhas gerais todo o país. Era uma missão que deveria ter durado poucos dias. No futuro, quando Josué envia dois espiões, estes regressam passados poucos dias, e, se não tivessem tido que se esconder do rei de Jericó, poderiam ter regressado ainda mais cedo.
No entanto, quando os espiões regressam ao cabo de quarenta dias, dão-nos um relatório detalhado de onde está instalado cada povo, falam-nos do Sul, do Oeste, (a zona costeira), do Este, (rio Jordão), e do Norte. Vemos que na realidade não andaram só pelas montanhas como Moisés lhes tinha recomendado, mas sim por todo lado, e foram muito específicos.
O que podemos ver claramente é que a intenção com que Moisés enviou os espiões era completamente diferente daquela que eles tinham em mente. Enquanto o objetivo de Moisés era incentivar o povo, os espiões tinham um objetivo de estratégia militar. Estavam preocupados pela guerra e por saber se tinham possibilidades de derrotar os cananeus.
Quando vêem que os povos da Terra Prometida são fortes e numerosos ficam desanimados, com medo, e contagiam o resto do povo dessa sensação.
Se prestarmos atenção veremos que no relatório dos espiões estão descritos os limites da Terra Prometida. Transmitem a ideia de que não vão ter por onde entrar; todas as fronteiras da Terra de Israel são impenetráveis; estão bem povoadas e bem defendidas. Em conclusão, não têm hipótese de poder entrar.
É devido ao facto de, na sua mente, terem um objetivo militar, que demoram tanto tempo. Deveriam ter voltado passados poucos dias, mas demoraram quarenta dias. É por isso que De’s se zanga com eles, e dá-lhes esse castigo dos quarenta anos. Além disso, esse lapso de tempo é o que vai permitir o surgimento de uma nova geração.
Isto poderia responder à contradição entre o que está escrito na nossa parashá e o que está escrito em Devarim. Aqui é-nos relatada a intenção com que Moisés enviou os espiões, para incentivar o povo. Em Devarim é-nos relatada a iniciativa do povo, que era uma questão de estratégia militar.
O que todo este acontecimento nos demonstra, é que aquela geração não estava pronta para entrar na Terra Prometida. Não é que De’s os tenha feito cair; tudo foi um nissaión, uma prova, para ver se estavam preparados. Tristemente, demonstraram que ainda não estavam preparados. Conservavam os seus medos e ainda não tinham suficiente confiança em De’s. É por isso que deverão esperar até que surja uma nova geração que esteja pronta para entrar na Terra de Israel.

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