Sanções de Trump contra o Irã atingem o Hezbollah

Sanções de Trump contra o Irã atingem o Hezbollah A  poderosa milícia libanesa Hezbollah que prosperou durante décadas com generosas doações do Irã, que financiou serviços sociais para seus combatentes e aliados, além de ter equipado com treinamento, armas e munições o grupo, ajudando-o a formar uma força regional significativa, com tropas na Síria e no Iraque, está sendo duramente atingida pelas sanções impostas pelos EUA a Teerã.
Desde que o presidente Donald Trump adotou amplas sanções, com novas restrições ao comércio com o Irã no ano passado, a capacidade de Teerã de financiar aliados como o Hezbollah foi reduzida. O Hezbollah, o mais bem financiado e o mais importante aliado de Teerã, viu uma queda acentuada em suas receitas e está sendo forçado a fazer cortes draconianos em seus gastos, de acordo com autoridades, membros e apoiadores do grupo.
Os combatentes estão sendo liberados ou passados para a reserva, onde recebem salários bem mais baixos ou nenhum pagamento, disse um funcionário do Hezbollah que atua em uma das unidades administrativas do grupo. Muitos deles estão sendo retirados da Síria, onde a milícia desempenhou um papel fundamental na luta em defesa do presidente Bashar al-Assad e que garantiu sua vitória no conflito com grupos rebeldes.
Os programas da emissora de televisão Al-Manar, do Hezbollah, foram cancelados e seus funcionários demitidos, de acordo com outra fonte do Hezbollah. Os programas de gastos, antes amplos, que sustentaram o apoio do grupo à comunidade xiita historicamente empobrecida do Líbano foram reduzidos, incluindo o fornecimento de remédios gratuitos e até mantimentos para combatentes, funcionários e suas famílias.
As sanções impostas no ano passado por Trump, depois que ele se retirou do importante acordo nuclear que visa conter as ambições nucleares do Irã, são muito mais draconianas do que aquelas que ajudaram a levar o Irã à mesa de negociações sob o governo Obama.
Funcionários do governo Trump afirmam que houve uma perda de US$ 10 bilhões da receita iraniana desde novembro, o que teria levado à miséria muitos iranianos, atingindo, inclusive os gastos do próprio governo.
As tensões entre Washington e Teerã aumentaram depois que novas restrições entraram em vigor em 2 de maio, com o fim da permissão a oito países que mantinham as importações do petróleo iraniano. As novas restrições foram adotadas com o objetivo de reduzir as exportações iranianas de petróleo para "zero".
Segundo Kamal Wazne, um analista político baseado em Beirute, muitos na região acreditam que a ferocidade das sanções oferece pouca escolha ao Irã a não ser retaliar,  "Os iranianos estão acostumados a sanções. Mas esse nível de sanções gerará uma resposta diferente. Os iranianos não ficarão quietos diante disso", disse ele. "Essa é uma forma de guerra mais prejudicial do que a guerra real. É a morte lenta de um país, do governo e de seu povo", advertiu.

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