Bebelplatz, a "praça da ignorância"

Bebelplatz, a "praça da ignorância"
     DEUTSCHE WELLE
Em Berlim, Bebelplatz foi palco de um dos episódios mais emblemáticos do nazismo: a queima dos livros. A fogueira pública marcou auge da perseguição a intelectuais, que começara com denúncias contra professores. De praça, quase não tem nada: não há bancos para sentar, nem árvores ou gramado. Parece mais um calçadão, que liga a avenida Unter den Linden à rua Behrenstrasse. No meio da Bebelplatz, no entanto, algo chama a atenção dos mais atentos: uma placa de vidro cobrindo um buraco no chão. Dentro dele, prateleiras brancas vazias.
O monumento lembra um dos episódios mais emblemáticos do período nazista. Em 10 de maio de 1933, livros de intelectuais considerados críticos ou que não se encaixavam no padrão pregado pelo regime de extrema direita comandado por Adolf Hitler foram queimados em praças públicas em várias cidades da Alemanha.
Em Berlim, o palco deste ato de intolerância foi a Bebelplatz, que na época era chamada de Praça da Ópera. Em frente à praça estava o prédio da Universidade Humboldt de Berlim. Muitos universitários participaram deste ato de barbárie. Os livros queimados pertenciam principalmente às bibliotecas públicas e universitárias.
Entre os autores dos livros queimados estavam Karl Marx, Friedrich Engels, Sigmund Freud, Stefan Zweig, Thomas Mann, Bertold Brecht, Erich Kästner, e Ricarda Huch. A maior parte da "lista negra" dos extremistas de direita era composta por obras de Ciências Humanas. Deveriam ser banidos, sobretudo, livros de filosofia, sociologia, história e ciências políticas que colocassem em xeque a ideologia do regime ou abrissem espaço para um debate.
A queima dos livros marcou o auge da perseguição aos intelectuais, que havia começado lentamente e vinha sendo praticamente ignorada pela opinião pública por muito tempo. A propaganda era alma do negócio para atrair seguidores.
Primeiro foi publicado um manifesto defendendo a cultura alemã e pregando acabar com supostas 'mentiras'. Logo em seguida veio a perseguição a professores. Estudantes deveriam denunciar professores judeus, comunistas e aqueles que fizessem críticas ao regime ou a Hitler.
Depois veio a decisão de banir livros de intelectuais que "alienavam a cultura alemã". Obras foram saqueadas de bibliotecas e, em 10 de maio de 1933, jogadas em fogueira pública. Em Berlim, o ato símbolo da intolerância contou com a presença de Joseph Goebbels - o ministro da Propaganda do regime nazista.
Hoje na Bebelplatz, próximo ao monumento que lembra esse episódio histórico, há uma placa com a frase do poeta alemão Heinrich Heine (1797-1856) que diz: "Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas". A frase, escrita décadas antes, soa como uma premonição dos horrores que estavam por vir nos anos seguintes.

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