16/04/2019

Ensaísta francês é condenado à prisão por negar a existência do Holocausto

Ensaísta francês é condenado à prisão por negar a existência do Holocausto A Liga Internacional Contra o Racismo e o Antissemitismo elogiou a decisão de um tribunal francês de condenar Alain Soral à pena de prisão por negar o Holocausto e os crimes cometidos por nazistas.

O ensaísta francês de extrema direita Alain Soral foi condenado nesta segunda-feira (15) pelo Tribunal Penal de Paris a um ano de prisão por contestar a existência do Holocausto.
Soral não estava presente na leitura da sentença no Tribunal de Paris e o juiz teve que emitir mandado de prisão contra ele.
Soral, que é amigo do conhecido comediante antissemita francês Dieudonné, tem condenações anteriores, principalmente por incitação ao ódio racial. 
Seu advogado, Damien Viguier, foi condenado a pagar uma multa de 5.000 euros (cerca de R$ 22 mil) por cumplicidade, devido aos seus argumentos de defesa.
Na audiência, em 5 de março, a promotoria havia pedido seis meses de prisão em regime fechado contra ele e o pagamento de multa no valor de 15.000 euros (R$ 65,85 mil) contra seu advogado.
Ambos terão de pagar um euro simbólico por danos a quatro associações civis antirracistas, além de 1.500 euros (R$ 6,6 mil) em honorários advocatícios para cada uma delas.
Em 2016, o site de Alain Soral, Igualdade e Reconciliação, publicou um desenho representando uma primeira página de jornal intitulada "Chutzpah Hebdo", com a cara de Charlie Chaplin diante da estrela de David em que ele pergunta: "Holocausto, cadê você?", em referência a uma controversa capa do semanário satírico francês "Charlie Hebdo", após os ataques em Bruxelas, "Papai, cadê você?".
Por esta publicação julgada negacionista, Soral foi condenado ao pagamento de 10.000 euros (cerca de R$ 43,9 mil) de multa no dia 26 de março, com a possibilidade de prisão em caso de não pagamento.
Em novembro de 2017, Soral publicou nesse mesmo site as conclusões de seu advogado Damien Viguier sobre esse caso. No texto, Viguier fala sobre um sapato e uma peruca representados no desenho condenado.
"Sapatos e cabelos referem-se aos lugares de memória organizados como locais de peregrinação. Há pilhas desses objetos, para atingir a imaginação", escreveu o advogado. "O corte de cabelo é praticado em todos os lugares de concentração e é explicado pela higiene", disse ele, citando em seguida o negador do Holocausto Robert Faurisson.
No que diz respeito a dois outros detalhes do desenho, "sabão e abajur", o advogado alegou que os sabonetes feitos de gordura humana pelos nazistas ou os abajures em pele humana eram apenas "propaganda de guerra".
A Liga Internacional Contra o Racismo e o Antissemitismo e a União de Estudantes Judeus na França haviam relatado essas observações ao promotor.

Compartilhe

Author:

Blog Judaico - Tudo sobre Israel, judaísmo, cultura e o mundo judaico.

0 comentários: