Eleições israelenses o que pode sair das urnas

Benny Gantz - Coisas JudaicasA tensão em Gaza, o reconhecimento do governo dos Estados Unidos da soberania israelense sobre as Colinas de Golã, a acusação de corrupção contra Benjamin Netanyahu, o personalismo do sistema político e a ausência de propostas com os palestinos marcaram a campanha para as eleições da próxima terça-feira em Israel.
A decisão de antecipar as eleições - que inicialmente aconteceriam em outubro - para abril já foi interpretada como um trunfo de Netanyahu para salvar, com uma reeleição, seu legado político diante de um possível processo na Justiça cujo anúncio foi feito 40 dias antes do pleito. No fim de fevereiro, o procurador-geral do Estado afirmou que indiciará o chefe de governo por três acusações: corrupção por suborno, fraude e abuso de confiança, que motivaram pedidos de renúncia por parte da oposição.

As eleições israelenses desta terça-feira contarão com partidos de todo o espectro político, incluindo uma forte presença da extrema-direita e a ascensão de uma aliança centrista com possibilidades de destronar o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. Os israelenses deverão escolher entre mais de 40 legendas, que se apresentam ao pleito para a escolha dos 120 deputados que formarão a 21ª composição do Knesset (Parlamento). Entre os partidos mais importantes está o Likud, e seu grande peso político leva a crer que não terá a menor dificuldade para superar a cláusula de barreira dos 3,25% (cerca de 137 mil votos) necessários para conseguir cadeiras no Parlamento.
De acordo com as pesquisas de intenção de voto, O Likud receberá cerca de 30 assentos no Parlamento.

Como grande rival do Likud aparece o partido Azul e Branco (Kachol-Lavan), que segundo as pesquisas é apontado como a principal coalizão opositora. Formado em fevereiro pela união dos partidos Yesh Atid (Há Futuro, de Yair Lapid), Resiliência Israel (de Beni Gantz) e Telem, o partido tem Gantz, ex-chefe do Estado Maior do Exército, como líder de chapa, por meio de um acordo de alternância com o Lapid no topo do poder. Este partido é caracterizado pela presença de vários ex-militares de alta categoria. Ele se autodefine como um partido de centro, secular e socialmente inclusivo, embora ainda não tenha se pronunciado com clareza em muitos temas.

De acordo com as pesquisas, Kachol-Lavan também obteria cerca de 30 assentos no Parlamento, e por isso é um grande rival do Likud. Já o Partido Trabalhista (Avoda) é muito tradicional em de Israel, mas com muito mais força política no passado do que no presente. O líder da legenda, Avi Gabay, promove uma agenda secular de centro-esquerda, aposta em avanços a médio prazo para uma possível solução de dois Estados e é projetado como aquele que pode reconciliar uma sociedade israelense muito dividida.
A legenda propõe um Estado israelense com instituições mais presentes e promete cuidar da minoria árabe residente em Israel. As pesquisas de intenção de voto apontam que o partido conseguirá nove cadeiras no Parlamento. Já o Judaísmo Unidos da Torá (Yahadut HaTora HaMeuhedet) é o partido dos judeus-ortodoxos asquenazes (de origem europeia) e seu líder é Yaakov Litzman.
A principal preocupação da legenda passa por questões religiosas, como preservar o caráter judaico do Estado e impedir o recrutamento de jovens que dedicam a vida ao estudo da Torá no serviço militar obrigatório. Suas posturas políticas não estão claramente definidas, embora tenha sempre a religião como guia. De acordo com as pesquisas, o partido deve conseguir sete cadeiras no Knesset.

Já o Nova Direita (HaYemin HaHadash) é uma legenda relativamente nova e liderada por Naftali Bennett (ministro da Educação) e Ayelet Shaked (ministro de Justiça). Ela se opõe à solução de dois Estados, propõe a anexação de grande parte do território palestino ocupado da Cisjordânia e cobra uma postura rígida em relação ao Hamas na Faixa de Gaza. Além disso, também promove uma economia liberal e forte - e controversa - e mudanças no Poder Judiciário. Segundo as pesquisas, deve obter seis cadeiras no Knesset. 

O partido Hadash-Tal surgiu a partir da junção do Hadash, integrado pelo partido comunista e outros grupos de esquerda, e Tal, um dos principais partidos árabes em Israel. Os líderes são Ayman Odeh (primeiro da lista) e Ahmed Tibi, respectivamente.

Esta legenda luta contra a ocupação e os assentamentos e apoia a criação de um Estado palestino. Segundo as pesquisas, deve conseguir seis cadeiras.

Por sua vez, a União de Partidos de Direita (Ijud Miflagot Hayemin), uma aliança de três partidos de direita radicais, incluindo o Poder Judeu, que conta com discípulos do falecido rabino Meir Kahane, um dos políticos mais extremistas da história de Israel, fundador do partido Kack que foi proibido nos anos 80 por ser racista e antidemocrático.

O líder da aliança - que conseguirá seis cadeiras, de acordo com as pesquisas - é Rafi Peretz, conhecido, como grande parte de seus companheiros de chapa, pela sua forte retórica anti-árabe.

O Shas, partido dos judeus ultra-ortodoxos mizrahim (do Oriente Médio e norte da África) e liderado por Arie Deri, tem como prioridade fomentar o caráter judaico do Estado e, embora no passado tenha se mostrado politicamente versátil e apoiado a paz, recentemente se inclinou mais para a direita. A formação deve obter seis assentos, segundo as últimas pesquisas.
Já o Identidade (Zehut) é liderado por Moshe Feiglin, que foi expulso do Likud há anos por sua postura extremista, apesar de se autodefinir como liberal. A bem-sucedida bandeira de campanha do partido foi a legalização da maconha, que deve lhe rendeu votos de diferentes áreas do espectro político e, segundo as pesquisas, cinco assentos no Knesset.

Por fim há o Meretz, partido de esquerda do sionismo israelense, pacifista e liderado por Tamar Zandberg. O Meretz se opõe à ocupação dos territórios palestinos, promove causas de justiça social e é a favor da criação de um Estado palestino. O esperado, de acordo com as pesquisas mais recentes, é que consiga cinco cadeiras.

Também há outros partidos relevantes para esta eleição, embora tenham poucas possibilidades de entrar no Parlamento. São eles o Israel O Nosso Lar (Yisrael Beitenu), Kulanu, Gesher e Ram-Balad, os primeiros três de direita e centro-direita e o último composto por candidatos árabes.

Por mais que Likud e Azul e Branco liderem as pesquisas, o Parlamento israelense é muito fragmentado, e por isso o presidente do país, Reuven Rivlin, deverá pedir ao partido com maiores possibilidades para que forme uma coalizão de governo.


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