30 de abr. de 2019

Um terrorista tentou me matar porque eu sou judeu

Um terrorista tentou me matar porque eu sou judeu

Um terrorista tentou me matar porque eu sou judeu
Um terrorista tentou me matar porque eu sou judeu. E eu nunca vou deixar de ser.

Eu não sei porque Deus poupou minha vida na minha sinagoga em Poway, California. Tudo o que posso fazer é fazer com que esse tempo emprestado seja importante.

Por Yisroel Goldstein
O Sr. Goldstein é o rabino de Chabad of Poway, Califórnia.

29 de abril de 2019

Poway-Calif.- Hoje deveria ter sido o dia do meu enterro.

Eu estava me preparando para falar a minha prédica no Shabat pela manhã, sábado, que também foi o último dia de Pessach, a festa da nossa liberdade, quando ouvi um forte estrondo no saguão da minha sinagoga.

Eu pensei que uma mesa tinha caído ou talvez até mesmo, Deus me livre, que minha querida amiga Lori Gilbert Kaye tivesse tropeçado e caído. Apenas alguns momentos antes eu cumprimentara Lori; ela veio para a sinagoga para dizer o Yizkor, a oração de luto, por sua falecida mãe.

Fui ao saguão para ver como ela estava. O que eu vi nesses segundos vai me assombrar pelo resto dos meus dias.

Eu vi Lori sangrando no chão. E eu vi o terrorista que a assassinou.
Este terrorista era um adolescente. Ele estava parado ali com um grande rifle nas mãos. E agora ele o estava apontando para mim. Por um motivo: por que sou judeu.

Ele começou a atirar. Meu dedo indicador direito foi arrancado. Outra bala atingiu meu dedo indicador esquerdo, que começou a jorrar sangue.
Após o massacre em Pittsburgh, tivemos um treinamento comunitário. Agora aquele treinamento fez a diferença. De alguma forma, meu cérebro dirigiu meu corpo para o salão da sinagoga, onde as crianças, incluindo dois dos meus netos, estavam brincando. Eu corri em direção a eles gritando: “Saiam! Saiam daqui!” Eu agarrei o máximo de crianças que pude com minhas mãos ensanguentadas e as empurrei para fora do prédio.

Um dos nossos congregantes naquele dia, Almog Peretz, um veterano das Forças de Defesa de Israel, correu atrás de mim para ajudar a levar as crianças para a segurança e levou uma bala na perna. Sua sobrinha de oito anos, Noya Dahan, também foi ferida com alguns estilhaços no pé. Então um milagre incrível ocorreu: a arma do terrorista ficou emperrada. Dois outros fiéis heróicos - um veterano do Exército americano chamado Oscar Stewart e um agente da patrulha de fronteira chamado Jonathan Morales - correram em direção ao terrorista e ele fugiu.

As ambulâncias ainda não haviam chegado. Todos nos reunimos do lado de fora. Não me lembro de tudo o que disse à minha comunidade, mas lembro-me de citar uma passagem da liturgia do Sêder de Pessach: “Em cada geração eles se levantam contra nós para nos destruir; e o Santo, bendito seja Ele, nos salva de suas mãos”. E eu me lembro de gritar as palavras “Am Yisrael Chai! O povo de Israel vive!” Eu já disse essa frase centenas de vezes em minha vida. Mas nunca senti a verdade disso de forma mais pungente do que naquele momento.

Eu sou um homem religioso. Eu acredito que tudo acontece por um motivo. Eu não sei porque Deus me poupou a vida. Eu não sei porque eu tive que testemunhar cenas de um pogrom no condado de San Diego como as que meus avós vivenciaram na Polônia. Eu não sei porque uma parte do meu corpo foi tirada de mim. Não sei por que tive que ver minha boa amiga, uma mulher que personificava o valor judaico de chessed (bondade), ser perseguida e morta em sua casa de oração. Eu não sei porque eu tive que assistir o amável marido de Lori, um médico, desmaiar enquanto ele tentava ressuscitá-la. E também ver então a sua filha única, Hannah, chorar e soluçar em agonia quando ela encontrou os dois pais desmaiados no chão.

Eu não conheço os planos de Deus. Tudo o que posso fazer é tentar encontrar sentido e significado em tudo o que aconteceu. E usar esse tempo de vida que me foi emprestado por Deus para tornar minha vida mais significativa.


Eu costumava cantar uma canção para meus filhos, uma canção que meu pai cantou para mim quando eu era criança: "Hashem está aqui", eu cantava, usando um nome hebraico para Deus, apontando com o dedo indicador direito para o céu. "Hashem está lá", eu cantava, apontando para a direita e para a esquerda. "Hashem está realmente em toda parte". Esse dedo que eu usaria para apontar a onipresença de Deus foi tirado de mim.

Eu rezo para que meu dedo perdido sirva como um lembrete constante para mim. Um lembrete de que todo ser humano é criado à imagem de Deus; um lembrete de que faço parte de um povo que sobreviveu à pior destruição e sempre irá perdurar; um lembrete de que meus ancestrais deram suas vidas para que eu possa viver em liberdade na América; e um lembrete, acima de tudo, para nunca, nunca, jamais, ter medo de ser judeu.

A partir daqui, vou ser mais destemido. Vou ficar ainda mais orgulhoso de andar pela rua usando meu tsitsit e kipá, reconhecendo a presença de Deus. E vou usar minha voz até ficar rouco para pedir aos meus queridos judeus que pratiquem o judaísmo. Que acendam velas antes do Shabat. Que afixem uma mezuza no batente direito de suas portas. Que façam mais atos de bondade e caridade. E que apareçam na sinagoga - especialmente no Shabat que vem.

Eu sou um orgulhoso emissário de Chabad-Lubavitch, um movimento de Judaísmo Hassídico. Nosso líder, o grande Rebe Menachem Mendel Schneerson, notoriamente ensinou que um pouco de luz expulsa muita escuridão. É por isso que os rabinos de Chabad viajam por todo o mundo para estabelecer comunidades judaicas: tenho colegas em Katmandu e Gana, assim como em Paris e Sydney. Acreditamos que ajudar qualquer ser humano a despertar sua centelha divina é um passo para retificar e melhorar esse mundo destroçado pelo mal e aproximar a redenção da humanidade. É por isso que há 33 anos minha esposa e eu viemos a este canto da Califórnia para construir uma casa de luz.
Porque somos obviamente judeus, identificáveis pelos nossos chapéus pretos e barbas, isso também significou que alguns de nós já foram alvos antes. Onze anos atrás, meus colegas Rabi Gavriel e Rivka Holtzberg, que dirigiam o Chabad de Mumbai, na Índia, foram assassinados com quatro de seus convidados. Eles foram alvos do grupo terrorista Lashkar-e-Taiba porque eram judeus. E, ao longo dos anos, várias pessoas que conheço foram assediadas e agredidas por bandidos no bairro onde cresci, em Crown Heights, no Brooklyn, em incidentes que normalmente não são noticiados pela imprensa.

Em seu vil manifesto, o terrorista que disparou contra minha sinagoga chamou meu povo, o povo judeu, de uma “raça esquálida e parasitária”. Não. Somos um povo divinamente ordenado a trazer a luz de Deus para o mundo.

O mesmo ocorre em relação a este país (os Estados Unidos). A América é uma nação única e especial na história do mundo. Nunca antes um país foi fundado baseado nos ideais de que todas as pessoas são criadas à imagem de Deus e que todas as pessoas merecem ser livres e ter liberdade. Nós lutamos uma guerra para tornar essa promessa real.

E acredito que podemos torná-lo real novamente. Isso é o que eu prometo fazer com o meu tempo emprestado.

Yisroel Goldstein é o rabino de Chabad de Poway.
Livro expõe a saga de família judia refugiada da Alemanha nazista

Livro expõe a saga de família judia refugiada da Alemanha nazista

Livro expõe a saga de família judia refugiada da Alemanha nazistaEditora Humanitas lança a primeira edição brasileira de “Árvore com Asas, Passarinho com Raízes”
Por  - Editorias: Cultura - URL Curta: jornal.usp.br/?p=239520



A autora Eva Raimann Cabral em Viena com seus pais, Egon e Grete ー Foto: Arquivo Pessoal / Reprodução

Restaram poucas testemunhas vivas para relatar o que foi ter vivido de fato o período de horrores da Segunda Guerra Mundial. A vienense judia Eva Raimann Cabral revisitou seu passado com depoimentos e documentos de sua família e, reunindo-os em um livro, conseguiu – através de um relato pessoal – transmitir toda uma gama de informações sobre o momento histórico dominado pelo nazismo.
A obra Árvore com Asas, Passarinho com Raízes, lançada em Portugal em meados de 2012, ganhou recentemente sua edição brasileira através da Editora Humanitas. O livro é o quarto volume da Coleção Testemunhos, projeto do Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação (Leer) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, que retrata histórias de sobreviventes do nazismo e outros regimes.



Eva Raimann Cabral ー Foto: Jornal PÚBLICO / Reprodução

Nascida na cidade de Viena em família com origem fortemente alicerçada no Império Austro-Húngaro, a pequena Eva tinha apenas um ano quando ocorreu o Anschluss (anexação da Áustria à Alemanha de Hitler). Seu pai – trabalhador da indústria farmacêutica – fora demitido de seu emprego por ser judeu, e logo a família inteira se viu forçada a emigrar para que não acabassem em um campo de concentração.
De uma família tradicional em diáspora pelo mundo, abandonando suas terras para fugir das perseguições nazistas, surge a metáfora da “árvore com asas” que acompanha o título. “Atordoados pelo antissemitismo, voaram em busca de um pouso seguro, deixando para trás suas raízes, cortadas pela violência totalitária”, conta a historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro, na apresentação do livro.
O refúgio encontrado foi a cidade de La Paz, na Bolívia. Ali ficaram até o fim da guerra. Porém, em razão de instabilidades políticas locais, o ambiente começou a se tornar hostil. Então, em 1947 emigraram para o Brasil. Eva ainda foi morar na França, após ter ganho uma bolsa de estudos, e lá conheceu seu marido, com quem foi morar em Lisboa alguns anos depois.



O passaporte da mãe de Eva com o carimbo “J”, de “Jude” ー Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução

Na década de 80, ao encontrar uma pasta com correspondências trocadas entre seu pai e uma tia distante, Eva foi instigada a iniciar uma pesquisa histórica para mapear quem eram e por onde andaram seus familiares nesse período tão turbulento que foi a Segunda Guerra. Além das cartas, ela se baseou principalmente em duas árvores genealógicas construídas por seu pai e em uma carta que sua tia deixou aos netos para que soubessem sobre seus ancestrais.
A ideia central era deixar um testemunho bem encorpado para as gerações futuras de sua família espalhada pelo mundo, uma preservação de suas origens. Ao compor esse livro documental, Eva conseguiu reconstituir seu passado e firmar seu vínculo com os descendentes de seus familiares sobreviventes, valendo-se da metáfora “passarinho com raízes”.



Capa do livro Árvore com Asas, Passarinho com Raízesー Foto: Editora Humanitas / Divulgação

A obra é dividida em três partes. A primeira trata das vivências de sua família principalmente no período anterior ao contexto do nazismo. Ali o relato se sustenta principalmente pelos documentos que Eva acumulou em sua pesquisa. A segunda parte é uma narração, focada em sua trajetória como refugiada, expondo como foi viver nas diversas cidades onde se instalou. Já a terceira parte é essencialmente dedicada aos descendentes da autora. Para complementar o relato, a autora ainda lança mão de uma série de recursos imagéticos, como fotos de época e esquemas de árvores genealógicas.
Hoje a autora vive com uma grande família no quinto país, Portugal, e na nona cidade em que já viveu, Lisboa, e carrega o orgulho de ter garantido não apenas a possibilidade de que seus descendentes aprendam sobre suas origens, mas que qualquer interessado entenda melhor o que foi o nazismo para a humanidade.
“Desejo que estes relatos contribuam minimamente para, de alguma forma, fazer sentir como o mundo poderia ser melhor se houvesse maior tolerância, e mais interesse em comunicar e conhecer o próximo”, escreve Eva.
Árvore com Asas, Passarinho com Raízes, de Eva Raimann Cabral, Editora Humanitas, 263 páginas, R$ 40,00.

29 de abr. de 2019

A oração e o sofrimento

A oração e o sofrimento


A oração e o sofrimentoEscrito por Editora e Livraria Sêfer


É somente fechando nossos olhos completamente para esse mundo e olhando para o propósito eterno e final que podemos anular todo o sofrimento e chegar a uma oração perfeita.​

Os rabinos nos ensinaram a dizer que “Tudo o que o Misericordioso faz é para o bem”. Mas, se tudo o que Deus faz com um indivíduo é para o bem dele, e se a dor e o sofrimento são grandes favores que o ajudam a alcançar a vida eterna, então por que somos ordenados a rezar quando estamos com problemas?
Certamente tudo o que Deus faz com uma pessoa é para o bem, mas mesmo assim deve-se rezar e implorar a Ele por alívio do sofrimento. Para entender o por quê, primeiro devemos reconhecer que o principal objetivo da criação do mundo é o homem, a quem foi dado o livre-arbítrio. Deus colocou tudo em nossas mãos, para que nós mesmos fizéssemos os recipientes por meio dos quais o amor Divino e suas bênçãos pudessem afluir para este mundo.
Um recipiente é utilizado para guardar algo e passar adiante para outra pessoa. Na literatura cabalista, os ensinamentos de Torá, as orações, as mitsvót e as boas ações são denominadas recipientes – canais limitados pelos quais a Luz Infinita de Deus pode ser revelada neste mundo. Enquanto nós não prepararmos esses recipientes aqui embaixo, a bondade Divina não pode afluir de cima até nós, pois, nesse caso, ela viria em excesso – assim como o óleo que, em demasia, apaga uma lâmpada. A bondade se tornaria então severidade, Deus nos livre.
Os recipientes para receber a bondade de Deus são preparados por meio do estudo da Torá e da reza, especialmente a reza. Assim, antes da criação do homem, “toda planta do campo antes que houvesse na terra e toda erva do campo antes que germinasse, porque não tinha feito chover o Eterno Deus sobre a terra e o homem não existia para cultivar a terra.” (Gênesis 2:5) Rashi explica que o homem ainda não estava lá para rezar [por chuvas] – as suas orações eram necessárias para iniciar a corrente de bênção Divina.
Assim, antes da oração de uma pessoa, tudo o que lhe acontece, mesmo o sofrimento, é para seu bem. O sofrimento pelo qual ela passa é, na verdade, uma expressão do amor de Deus, já que, dado o comportamento mundano do homem, não há outra maneira da bênção e da vida descerem até ele em seu estágio de desenvolvimento. Se fôssemos abençoados com bondade pura e sem limites, a luz seria excessiva e faria mais mal do que bem.
Por meio da reza, nós adoçamos os julgamentos Divinos que restringem o fluxo de bondade e preparamos os recipientes por meio dos quais poderemos receber a bondade de Deus. Então somos capazes de anular os julgamentos severos, já que passamos a ter os recipientes para receber a bondade infinita de Deus sem termos que passar por sofrimentos.
Para prepararmos os recipientes, o primeiro estágio é elevar nossos olhos para o objetivo final, onde tudo é bom, e fazer de todas as nossas rezas uma unidade. É somente depois de nos cercarmos de bitul diante do propósito final, de sabermos e acreditarmos que tudo é para o bem, que podemos rezar para tudo aquilo que precisamos. A razão disso é que os recipientes com os quais recebemos as inúmeras bênçãos de Deus – filhos, saúde, riqueza, etc –, na verdade, são formados a partir da luz do resquício da experiência de bitul que permanece depois do retorno ao estado normal de consciência. Se tivermos preparados os recipientes com os quais receberemos a bondade e bênção de Deus, dali em diante tudo é para o bem.
É isso que o Rebe Nachman quer dizer quando afirma que, depois de retornarmos do estado de bitul, saciamos a sede da alma causada pelo sofrimento por meio da Torá que recebemos desse resquício. E, na verdade, essa Torávem até nós por meio da oração. Esse é o ponto mencionado diversas vezes pelo Rebe – cf. Licutê Moharan I:8 e I:19 – e que também é evidente aqui. O Rebe fala primeiramente sobre como transformar as orações em uma unidade por meio da contemplação da meta final, e depois conclui que é por meio dessa contemplação que adquirimos a Torá do resquício de bitul.
O fato é que a reza e o entendimento da Torásão dependentes um do outro. Nós nos conectamos ao resquício do bitul por meio da oração. E, assim, nós trazemos das alturas a fonte de luz que depois se expande dentro de nós na forma de um entendimento profundo daTorá e com o qual amenizamos nosso sofrimento. Pois é por meio da oração e da Torá que criamos os recipientes com os quais recebemos o influxo de bênçãos de Deus – para o bem, a eternidade e a vida, e não para o mal e para a morte.
Nós somente podemos aprender como rezar por meio dos verdadeiros tsadikim. Do mesmo modo, nossos sábios disseram que qualquer pessoa que tenha alguém doente em casa deve ir a um tsadic. (Talmud, Tratado Baba Batra 116a) O motivo dessa orientação é que só um verdadeiro tsadic – o “mestre do campo” mencionado no ensinamento – sabe como olhar dentro da alma de cada um e ver quão distante o indivíduo se encontra da meta final, até que ponto a sua oração ainda não se consolidou em unidade e o que é necessário fazer para trazê-lo até o objetivo final.
Texto extraído do livro:
Ensinamentos do Rebe Nachman de Breslav sobre o Sofrimento 
por Avraham Greenbaum
Uma canção desesperada

Uma canção desesperada

Uma canção desesperada
Celso Martins
Um ambicioso ciclo criativo que junta a pintura, a palavra e a música, mas que é também uma memória do Holocausto.
Segregação, fuga, morte no campo. 
Visto de longe, o destino de Charlotte Salomon (1917-1943) não é diferente da maioria dos judeus alemães nos anos 30 e 40. Nascida numa família culta e abastada, viu o pai ser impedido de dar aulas na universidade; a madrasta, a importante cantora lírica Paula Lindberg e figura de obsessão para Charlotte, impedida de cantar para não-judeus e ambos serem internados num campo de concentração de onde haveriam de escapar. No seu caso, porém, ao horror induzido pelo regime acrescenta-se ainda uma história familiar de contornos trágicos, com os suicídios da tia, da mãe e da avó em momentos decisivos da sua vida.
Salomon acabaria assassinada, grávida, em Auschwitz em 1943. Para trás, deixados em caixotes, ficavam cerca de 1300 guaches que executou entre 1940 e 1942 quando se refugiou no Sul de França com os avós após a intensificação das perseguições. Entregue ao pai em 1947, esse acervo foi parcialmente mostrado em exposições na Holanda e Alemanha, durante os anos 60, mas só a partir dos anos 90 a sua obra despertou verdadeira atenção internacional.
A sua estrutura é, porém, mais complexa: simultaneidade de tempos na mesma imagem; polifonia de vozes e figuras; espaços que se tornam quase abstratos ou intensamente narrativos, por vezes recorrendo a dissociações entre texto e imagem; solilóquios meditativos; referências religiosas, filosóficas ou musicais alargam a densidade de uma obra que se vai construindo de acordo com uma lógica que segue as convenções narrativas do teatro (com uma sucessão de cenas e atos) dando um sentido global a desenhos que sobrevivem na sua qualidade individual e revelam uma autoria.
Como sugere a historiadora Griselda Pollock, que escreveu um livro sobre Charlotte, a receção destes trabalhos tem sido marcada pela ambivalência entre o reconhecimento da tragédia pessoal e a dificuldade de clarificar o lugar de uma obra como estas no contexto da arte do seu tempo. O observador, porém, não tem de escolher. Como os romances de Primo Levi ou a poesia de Paul Celan, os diários de Anne Frank ou Victor Klemperer, os desenhos de Charlotte Salomon são evidentemente um contributo para entender a desumanização a que o III Reich conduziu as suas vítimas. Mas na sua complexidade e vitalidade trágica, também reafirmam a importância da arte como forma de resistência à monstruosidade.
Israel liberta dois presos sírios em troca de restos mortais de soldado

Israel liberta dois presos sírios em troca de restos mortais de soldado

Israel liberta dois presos sírios em troca de restos mortais de soldadoIsrael libertou neste domingo (28) dois prisioneiros sírios como "gesto de boa vontade", depois de receber, no início do mês, os restos mortais de um soldado israelense que havia desaparecido há 37 anos e cujo corpo foi recuperado na Síria.
"Dois prisioneiros sírios foram entregues a representantes da Cruz Vermelha através da passagem de Quneitra, nas Colinas de Golã", informou o exército israelense em comunicado.
Representantes do governo israelense que preferem não se identificar anteciparam que a libertação iria acontecer em troca da entrega do corpo de Zachary Baumel, desaparecido na batalha de Sultan Yacoub, no Líbano, em 1982, e repatriado da Síria com a mediação da Rússia.
Um dos prisioneiros libertados tinha sido condenado em 2008 por tráfico de drogas, e o segundo era um residente em um campo de refugiados palestinos, em Damasco, preso em 2005 depois de ter tentado se infiltrar e atacar uma base do exército de Israel.
A libertação não foi aprovada pelo gabinete de governo interino, condição necessária segundo a lei local, mas foi validada pelo procurador-geral do Estado conforme uma solicitação do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, de acordo com a imprensa israelense.

Entrega do corpo do soldado israelense

O enviado especial da Rússia para a Síria, Alexander Lavrentiev, afirmou no sábado (27) que a entrega dos restos mortais do soldado Baumel não tinha sido "uma ação unilateral".
Netanyahu disse que os corpos de outros dois soldados que permaneciam desaparecidos foram encontrados junto ao de Baumel, mas ainda não foram entregues a Israel.
Israel tem suas fronteiras fechadas com o Líbano e também com a Síria, mas manteve contatos com a Rússia para coordenar as intervenções militares em território sírio, onde Moscou apoia o regime do presidente Bashar al Assad, a exemplo do Irã, o que Israel considera sua principal ameaça.
Falece rabino sobrevivente de Auschwitz que serviu de cobaia para Josef Mengele

Falece rabino sobrevivente de Auschwitz que serviu de cobaia para Josef Mengele


Falece rabino sobrevivente de Auschwitz que serviu de cobaia para Josef Mengele
Milhares de pessoas acompanharam neste domingo os funerais em Jerusalém do rabino Menachem Mendel Taub, resgatado do campo de concentração nazista de Auschwitz, que faleceu aos 96 anos.


Uma importante testemunha dos horrores do Holocausto, Taub nasceu na Transilvânia, na Romênia, em 1923, e faleceu na Cidade Santa.
Conhecido na comunidade ultraortodoxa pelo nome de Admur de Kaliv, como o nome de uma dinastia de rabinos hassídicos da qual era oriundo, foi deportado em 1944 para Auschwitz aos 22 anos com seis irmãos e irmãs.
Único sobrevivente da família, foi vítima das experiências do médico nazista Josef Mengele.
Em 1963, deixou os Estados Unidos e foi para Israel, onde escreveu vários livros sobre os horrores do extermínio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.
"Aquele que viu como crianças eram arrancadas dos braços de suas mães para serem jogadas ao fogo não pode esquecer", afirmou em 2014 numa entrevista ao site Ynet.
O primeiro-ministro e o presidente de Israel lamentaram a morte do rabino.
Estrutura: A Divisão dos Salmos

Estrutura: A Divisão dos Salmos

Estrutura: A Divisão dos SalmosOs Salmos são divididos em cinco livros que correspondem aos cinco livros da Torá e sete seções, correspondendo às sete porções da Torá. São divididos em 30 capítulos para serem recitados nos trinta dias do mês e 150 capítulos.
O costume é recitá-los durante o dia, a qualquer hora, não a noite, mas sim após a meia noite quando o atributo de chessed, bondade, é dominante.
Em várias comunidades judaicas estabeleceu-se o costume de reunir grupos a fim de recitarem juntos os salmos conferindo um poder ainda maior. O costume Chabad é recitar todo o livro dos Salmos em Shabat Mevarechim, o Shabat em que é anunciado o novo mês no calendário judaico, antes das orações de Shacharit. Com referência ao Cadish após os Salmos, o Rebe Anterior diferencia: se há alguém nas sinagogas obrigado a dizer o Cadish, ele deve fazê-lo após o término de cada um dos livros dos Salmos. Se não há alguém com essa obrigação, então o Cadish deverá ser recitado somente ao término de todo o Livro dos Salmos.
Também há um costume antigo e atual que se estabeleceu entre o povo judeu; a de recitar os Salmos quando há um decreto que deve ser anulado, em caso de pessoas enfêrmas para que tenham saúde e se recuperem, para um bom parto, para afastar os inimigos, para qualquer dificuldade que surja e para agradecer por uma bondade recebida. Há Salmos para todas as ocasiões e se encontra em muitos livros de Salmos sugestões para diferentes ocasiões. Também há o costume de recitar o capítulo correspondente a idade que a pessoa completará em seu próximo aniversário judaico. Por exemplo, se a pessoa tem 19 anos recita o salmo 20 e assim por diante, de seus filhos, conjugê, pais e de quem ela desejar recitar sempre baseando-se no luach, o calendário judaico.
O Rei David pediu que os Salmos fossem recitados em todas as casas de oração. Alguns são louvores a D’us, outros agradecimento ou preces de perdão. David os compilou e reconheceu os poderes dos Salmos por revelação Divina. Devemos nos ligar ao Rei David e isso é alcançado através da recitação dos Salmos, nos transformando em recipientes para cumprir a Torá e mitsvot e alcançar bênçnaos divinas.
Os Salmos quando recitados com verdadeira concentração e sentimento abrem os portões dos céus. Se as pessoas conhecessem seu verdadeiro valor e capacidade de alterar decretos e atrair recompensas, recitariam os Salmos intensamente, conforme descrito nas palavras do Tsemach Tsedec:
“Se vocês conhecessem o poder dos versículos dos Salmos e seu efeito nas supremas alturas, vocês recitariam os Salmos em todo momento possível. Saibam, então, que os capítulos dos Salmos destroem todas as barreiras e elevam sempre mais alto, sem interferência, para se prostarem perante o Mestre de tudo e trazer seu desejado efeito com benevolência e misericórdias.”
Daoud Basha

Daoud Basha

Daoud BashaIngredientes
1/2 quilo de carne moída
2 cebolas grandes, picadas
1 maço de salsinha picada fininho
2 colheres (de sopa) de massa de tomate
1 limão
3 colheres (de sopa) de óleo
2 colheres (de sopa) de farinha de trigo
pitadas de sal, pimenta e canela
Preparo

Misture a cebola e a carne. Junte a salsinha até formar uma massa.
Tempere a gosto com sal, pimenta e canela.
Forme bolinhos redondos, pequenos, molhando a mão.
Refogue os bolinhos em uma panela. Acrescente a farinha de trigo diluída em um pouco de água, mexendo sempre (para não empelotar) até engrossar o caldo que formou. Acrescente o molho de tomate e deixe cozinhar por 20-30 minutos em fogo baixo. Despeje o caldo do limão e deixe cozinhar mais uns minutos.
Sirva quente, acompanhado com arroz branco.
Opcional
Acrescente um punhado de caju frito ao molho.

28 de abr. de 2019

Levante do Gueto de Varsóvia (1943)

Levante do Gueto de Varsóvia (1943)

Levante do Gueto de Varsóvia (1943)
Aliza Vitis-Shomron, conseguiu escapar do Gueto de Varsóvia
 dias antes do início do levante.
Depois, ela ainda seria enviada, ao lado da mãe e da irmã,
No verão de 1942, cerca de 300.000 judeus foram deportados de Varsóvia para Treblinka. Quando relatórios do assassinato em massa no campo da morte vazaram até o Gueto de Varsóvia, começou a  formar-se uma resistência armada, que conseguiu contrabandear uma pequena quantidade de armas para dentro do gueto. A 14 de Nissan de 1943, os 35.000 judeus remanescentes do gueto de Varsóvia (dos originais 450.000) organizaram um levante armado, e rechaçaram os nazistas com uma chuva de balas quando eles foram para começar a remoção final de todos os judeus. A resistência judaica durou 27 dias. Uma barricada heróica foi feita num bunker subterrâneo sob o nº 18 da Rua Mila, onde centenas de combatentes, incluindo o líder Mordechai Anilevitch, de 24 anos, encontraram a morte. Embora o gueto tivesse sido incendiado inteiramente em 3 de Iyar, uns poucos sobreviventes se esconderam nos escombros e atiraram nos nazistas por mais dois meses.
Em tributo ao levante, o governo israelense designou o dia 27 de Nissan como “Dia Oficial do Holocausto e Bravura”, e em muitas comunidade judaicas o dia é observado como um dia anual de recordação do holocausto. Porém, devido à proibição haláchica de conduzir panegíricos e outros eventos de luto no mês festivo de Nissan, o Rabinato Chefe de Israel e muitas comunidades judaicas observam o dia 10 de Tevet como dia de luto e lembrança dos seis milhões, que inclui muitas pessoas cujo yahrtzeit (data de falecimento) permanece desconhecido.
Turismo religioso movimento economia de Israel

Turismo religioso movimento economia de Israel

Turismo religioso movimento economia de Israel Três vezes por semana, a companhia Latam Airlines decola do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, um Boeing 787-8 Dreamliner lotado com destino à  Israel,  O voo, sem escalas e com duração de 15 horas, é o mais longo operado pela empresa. Apesar de demorado e cansativo, o trecho tem sido um dos mais disputados por turistas brasileiros que vistam a Terra Santa.

“Israel está no quinto continente conectado pela Latam. Com esta nova possibilidade para Tel Aviv, também somos a única empresa da região com voos próprios para o destino”, disse Claudia Sender, vice-presidente de clientes do Grupo Latam Airlines, na inauguração da rota, em dezembro último. “A demanda por voos entre Brasil e Israel tem crescido muito, seja para negócios, turismo convencional ou religioso.”
Turismo religioso movimento economia de Israel

Turismo religioso movimento economia de IsraelO interesse pelo voo sem escala entre Brasil e Israel se justifica. O turismo religioso, antes dominado por católicos, tem se popularizado também entre outros grupos religiosos, especialmente evangélicos, que cresceram 61% nos últimos 10 anos no país, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Depois de divulgar no ano passado um faturamento de R$ 15 bilhões no segmento voltado à venda de  pacotes para destinos religiosos, o Ministério do Turismo estima que essa indústria possa superar a casa dos R$ 20 bilhões neste ano. “Mesmo com a instabilidade do dólar e os problemas de violência mostrados pela mídia em locais de grande volume de turistas, as perspectivas são muito positivas para o segmento”, afirma Luis Henrique Barreto, coordenador de produtos da agência Catedral Viagens, especializada no ramo. 

27 de abr. de 2019

Tiros em sinagoga na Califórnia: uma mulher morta, três feridos

Tiros em sinagoga na Califórnia: uma mulher morta, três feridos

Tiros em sinagoga na Califórnia: uma mulher morta, três feridos
A polícia da Califórnia relatou um incidente com tiros em uma sinagoga Chabad Chassidic em Poway, um subúrbio de San Diego. 


Segundo os relatórios, há pelo menos quatro feridos, incluindo crianças. Mais tarde, o prefeito da cidade de Poway confirmou que uma mulher ferida no ataque morreu no hospital. 

Um dos feridos seria o rabino da sinagoga, Israel Goldstein, que segundo a mídia, teria perdido dois dedos. 

A polícia prendeu o suspeito que deu os tiros e depois confirmou que ele tinha 19 anos de idade.
O xerife de San Diego, Bill Gore, afirmou que o homem detido tem 19 anos e entrou disparando com um rifle de assalto na sinagoga. No momento, ocorria um culto no local – os judeus comemoram neste sábado o último dia da Páscoa judaica.

Uma equipe de emergência foi chamado à sinagoga no o sábado, o dia judaico de descanso em torno de 11:30 hora local, quando a sinagoga estava se preparando para celebrar um evento festivo após a conclusão do Pessach (Páscoa). 

Exatamente 6 meses atrás, 11 pessoas foram mortas em um ataque terrorista em uma sinagoga em Pittsburgh.

26 de abr. de 2019

Eruv Tavshilin

Eruv Tavshilin

Eruv TavshilinÚltimos dias de Pessach

Para o horário do acendimento das velas de Yom Tov de acordo com a sua cidade clique no link abaixo:

https://pt.chabad.org/calendar/view/day_cdo/aid/906628/jewish/Noite-de-Estudo.htm

Eruv Tavshilin

Este ano é permitida a preparação de comida para o Shabat na sexta-feira que é Yom Tov fazendo hoje um “eruv tavshilin”

Hoje, antes do pôr-do-sol, o chefe da família deve separar dois alimentos (já prontos para comer) um assado (pode ser uma Matsá) e um cozido (como peixe, carne ou ovo cozido)

Pegue esses alimentos, entregue para outra pessoa e faça a seguinte declaração:

“Ani mezakê lehol mi sherotsé lizcot velismoh al eruv zé (dou participação à todo que quiser participar e se apoiar neste eruv)
A outra pessoa levanta os dois alimentos e os devolve ao chefe da família, que diz a Bênção e o texto a seguir: Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech haolam, asher kideshánu bemitsvotav, vetsivánu al mitsvat eruv (Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D’us, Rei do Universo, que nos santificou com Seus mandamentos, e nos ordenou sobre o preceito do eruv).

Depois de fazer a Brahá faz também esta declaração:
Beden yehê shára lána, laafuyê, ulvashulê, ul’atmunê, ul’adlukê sheragá, ultacaná, ulmeevad col tsorchaná, mi’Yomá Tavá le’Shabatá. Lána, ulchol Yisrael hadarim ba‘ir hazot. (Por meio deste eruv será permitido assar, cozinhar e reservar um alimento em vasilha que conserve seu calor, acender fogo [a partir de uma chama acesa desde a véspera de Yom Tov que é hoje] e preparar tudo que for necessário de Yom Tov para Shabat. Isto será permitido a nós e a todos judeus que vivem nesta cidade.

Os alimentos preparados na sexta-feira, destinados ao consumo no Shabat, deverão estar prontos antes do Shabat, com um intervalo de tempo suficiente para que, se necessário, possam ser consumidos até mesmo antes do Shabat começar.
É costume comer os alimentos do eruv tavshilin na terceira refeição, seudat hashlishit do Shabat.
Deixe uma vela de sete dias acesa hoje antes do por do sol porque amanhã, sexta feira dia 26/4 – 17h24 é véspera não só de Shabat mas também do 8º dia de Pêssach, e antes do pôr do sol de amanhã vamos passar o fogo da vela de sete dias para as velas de “Shabat e Yom Tov”

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Os últimos dias de Pessach são ligados à nossa redenção final e por isso costumamos estudar algum assunto relacionado à Mashiach e Gueulá
Mashiach: Real ou virtual?
Um judeu volta da sinagoga para casa e diz à mulher: "Dizem que Mashiach está para chegar a qualquer hora, e nos levará a todos para Israel."
A esposa torna-se histérica. "Oh, não! Isso seria terrível. Demorou anos até finalmente conseguirmos nos mudar para este bairro e comprar a casa de nossos sonhos. Logo agora que gastamos uma fortuna para reformá-la. Não quero que Mashiach nos leve embora."
"Tudo bem, não se preocupe," diz o marido. "Sobrevivemos ao faraó, sobrevivemos a Haman. Com a ajuda de D'us, sobreviveremos a Mashiach também!"
Muitos pensam sobre Mashiach como um anjo descendo do céu – que mudará drasticamente a vida como a conhecemos. Tememos perder nossa posição na vida. Anos de labuta, suor e lágrimas, em nossa imaginação, serão transformados em nada. O trabalho de nossa vida será neutralizado. Os médicos não serão mais necessários, e todas as funções adquiridas, cargos e atividades com as quais estamos acostumados e apreciamos tanto, não mais existirão.
Nada poderia estar mais longe da verdade. A Era de Mashiach não é algo separado de nosso tempo. Está relacionado com tudo que fazemos no presente, e tudo aquilo que conhecemos permanecerá. Apenas a negatividade se esvairá, e a Divindade inerente em cada coisa se tornará óbvia para que a possamos enxergar.
O mundo permanecerá o mesmo; nossa perspectiva é que mudará. Nossa nova consciência e sensibilidade ao que há de bom e Divino dentro de nós e toda a criação nos permitirá perceber e apreciar as coisas que nem ao menos percebemos antes.
Temor do desconhecido
Mashiach, mesmo para o judeu instruído e interessado, em grande parte ainda está na esfera do desconhecido. Há muito mistério sobre a vinda de Mashiach porque é um evento que jamais aconteceu antes no passado. Nenhuma pessoa jamais esteve lá. E apesar de toda a transformação fornecida na Torá, no Talmud e outras fontes judaicas, ainda há uma grande lacuna no entendimento sobre como isso ocorrerá exatamente.
Soma-se a isso o fato de que a maioria das pessoas que devotou sua vida ao estudo de Torá, dedicou menos tempo analisando o material que existe a respeito de Mashiach. O temor ao desconhecido pode ser facilmente remediado pelo estudo sobre Mashiach. De fato, aprender sobre este assunto de fontes autorizadas aliviará a ansiedade da pessoa por vários motivos:primeiramente, o medo origina-se da falta de conhecimento e familiaridade com um determinado assunto. Um conhecimento acurado do tema, portanto, tirará Mashiach do reino do desconhecimento. Além disso, estar bem informado ajudará a descartar distorções que proliferam sobre este assunto.
Não podemos sobreviver sem Mashiach?
"Os judeus têm sobrevivido no exílio sem Mashiach, por que razão não podemos continuar por mais 2000 anos sem ele?"
Esta declaração grosseira é nada menos que um total desrespeito por D'us, Israel e a Torá, os três nós que estão intimamente ligados. Isso pode ser comparado a alguém cujo pai, mãe, irmãos e irmãs, filhos e filhas estão todos doentes, em estado comatoso. Ele comenta: "Eles sobreviveram por tantos meses, podem continuar assim por mais alguns meses!"
Embora existam, talvez, mais coisas que jamais existiram antes pelas quais devemos ser agradecidos, mesmo assim o mundo está em frangalhos.
Somos testemunhas hoje de milhões de pessoas morrendo de fome; milhões morrendo de Aids e outras doenças terríveis; grandes catástrofes naturais; tensão racial, violência sem precedentes; desastres financeiros e insegurança; imoralidade e decadência; drogas e alcoolismo, famílias desfeitas, instabilidade emocional e psicológica.
Sob a ótica judaica, vemos um crescente anti-semitismo; o aumento do terrorismo em Israel; taxas recordes de casamentos mistos; apatia e corrupção. Como poderia alguém que verdadeiramente acredita que D'us poderia trazer Mashiach acalentar a idéia de que poderíamos continuar por mais 2000 anos sem Mashiach? Como pode uma pessoa imbuída com um sentimento judaico de auto-respeito acalentar o pensamento de continuar no Galut, Exílio, onde nossa própria existência depende da boa vontade de nações caprichosas?
Como pode um judeu espiritualmente inclinado, tolerar uma existência onde a presença de D'us é tão escondida, onde a espiritualidade está tão oculta? Como podemos viver uma vida na qual nossa habilidade de servir a D'us está comprometida porque não temos um Bet Hamicdash, Templo Sagrado? Como podemos nos sentir bem, em um mundo onde há sofrimento, os judeus estão dispersos, ou alheios, e o próprio D'us também está sofrendo?
Mashiach: Um rei nos tempos modernos?
"Por que deveríamos querer um monarca ditatorial e considerar isso uma utopia?"
A preocupação subjacente desta questão é que a crença na restauração da monarquia aparenta ser uma regressão ao invés de progresso. Em outras palavras, como apresentamos a idéia de um monarca, embora benigno, a pessoas que cresceram na última parte do século vinte, uma época na qual mesmo o papel cerimonial da Rainha da Inglaterra tem sido severamente denegrido?
Para responder a este desafio não será suficiente dizer (como fizemos anteriormente), que esta é a crença judaica e que os judeus sempre acreditaram em líderes, porque o assunto aqui é palpabilidade, não um dogma. Se alguém está preparado para aceitar Mashiach do modo que a Torá o apresenta, seja ou não entendido, não haveria necessidade para a discussão que se segue, que é dirigida àqueles que estão genuinamente preocupados pela noção de um rei em suas vidas no futuro.
Para iniciar esta discussão, devemos estabelecer que no Judaísmo, a idéia de um monarca é totalmente diferente de seu correlativo secular. Mashiach certamente não é um déspota, um rei ditatorial e autoritário, preocupado apenas com sua própria glória e que pode satisfazer qualquer capricho ou desejo. Um rei, tanto quanto, e até mais que qualquer pessoa, deve obedecer à Torá. Um rei deve portar um Sêfer Torá consigo o tempo todo.
Um rei tem mais restrições que um plebeu, em termos de suas posses. Além disso, um rei deve ser a pessoa mais humilde em seu reino. Apenas o monarca tinha que prostrar-se durante a Amidá inteira (Prece Silenciosa).
A promessa de Mashiach é que ele será tudo aquilo que um rei deve ser. Mashiach viverá em uma época quando a maior parte do mal já terá sido removida do mundo; este estará refinado, exceto por alguns poucos traços do mal, que Mashiach eliminará.
Porém isso, claro, não será o suficiente. Não basta estabelecer que Mashiach será um bom monarca, porque um rei é uma autoridade absoluta que ordena o que será e o que não será feito. Isto é algo totalmente estranho ao pensamento moderno. D'us nos prometeu, entretanto, que o reinado de Mashiach terá todos os benefícios de uma monarquia sem nada de seu potencial abuso, apenas agirá no melhor interesse de todas as pessoas.
Mashiach, como todos os verdadeiros líderes judeus do passado, é mais que um modelo a seguir. Mashiach é a "cabeça" de todos os judeus. Sua alma tem o mesmo papel em relação a todos os judeus, como faz a cabeça em relação a todo o restante do corpo. Quando o cérebro envia um comando para que o braço se erga, não se pode dizer que o braço foi forçado a fazer algo contra sua vontade. Pelo contrário, quando o braço faz algo contra a vontade do cérebro, dizemos que há uma séria deficiência impedindo o braço de conectar-se ao cérebro. Um membro sadio faz exatamente o que lhe foi ordenado pelo cérebro, e esta é sua verdadeira vontade.
De maneira similar, Mashiach coordenará as pessoas para que façam o que realmente desejam fazer. Mesmo na Galut, Exílio, o "cabeça" da geração fornece energia a todos, embora não se perceba. Na Galut somos como membros que nem sempre funcionam em consonância com as ordens do cérebro. Com a plena revelação de Mashiach todos agiremos em harmonia com nossos verdadeiros desejos.
Para aqueles menos propensos a aceitar a analogia precedente, pode-se empregar a seguinte abordagem: alguns têm dificuldade com o conceito de um monarca, pois presume-se a privação da liberdade. Analisemos que tipo de liberdade desfrutamos hoje. Vivemos em um mundo no qual assimilamos apenas uma fração do que o cérebro é capaz. Por definição, então, não temos livre arbítrio, pois nossas escolhas são bastante limitadas. Imagine uma pessoa a quem dizem que pode comer uma laranja ou uma maçã. O fato de que milhares de outros alimentos lhe são negados, ou que não os conheça, torna a escolha entre uma laranja e uma maça totalmente sem sentido. Não se poderia chamar isso de escolha.
Por outro lado, expandir todas as escolhas a todos tornaria a escolha por demais complexa. Resumindo, quanto mais limitadas as opções que temos, embora facilite escolher, não proporciona livre escolha. Quando Mashiach introduzir a Era Messiânica, seremos expostos a dimensões de existência espiritual e percepção de D'us, que alargarão nossos horizontes e nos dará infinitamente mais opções. Equipados com este conhecimento recém-adquirido, nossas escolhas serão bem diferentes.
Mashiach então deve ser visto, entre outras coisas, como o líder que nos introduzirá a um maior leque de opções, e como resultado, possibilitará que façamos escolhas mais bem fundamentadas e sofisticadas. Aquilo que temos hoje dificilmente se poderia chamar de liberdade, pois a maioria das experiências da vida, bem como o entendimento da verdade, são tirados de nós.
Com a Gueulá, Redenção, introduzida por Mashiach, teremos muito mais escolhas. As poucas limitações impostas sobre nós pela Torá e Mashiach, que será nossa autoridade em assuntos de lei judaica e comportamento, tornarão possível para nós ter todas aquelas novas opções das quais fomos privados antes de sua vinda.
Num nível ainda mais profundo, a Chassidut explica como Mashiach, que é a yechidá, encontro geral de todas as almas, nos exporá à yechidá de nossa própria alma, um nível desembaraçado e não influenciado por quaisquer forças externas ou mesmo interiores.
A yechidá faz escolhas que se originam da essência da pessoa, independente de critérios externos. Portanto, é a suprema experiência de liberdade, que apenas Mashiach pode revelar. Todas as outras escolhas "livres" não são realmente livres, mas produtos do condicionamento. A habilidade que temos para acessar nossa essência será introduzida por este "monarca absoluto" – Mashiach.
A crença em Mashiach – para quê?
"A crença em Mashiach torna o mundo um lugar melhor? Se a vinda de Mashiach trará mudanças para melhor, vamos esperar e ver. Que vantagem há na preocupação com Mashiach agora?"
Aquele que questiona não está buscando uma fonte bíblica para sua crença em Mashiach. Está interessado em entender como esta crença melhorará sua vida. Quando alguém professa sua crença em Mashiach, está, na essência, proclamando a si e ao mundo à sua volta um senso de otimismo sobre a vida, e uma esperança para o futuro.
A crença em Mashiach não é simplesmente uma esperança de um estado de felicidade, utopia sem preocupações. Pelo contrário, é uma crença num mundo que realiza seu potencial recebido de D'us, no qual seremos capazes de nos esforçar para maiores elevações espirituais. Como o advento de Mashiach é a culminância de um processo e o início de uma nova e mais elevada dimensão do serviço Divino, todo esforço que fizermos agora é parte do processo messiânico.
Sentimos Mashiach hoje ao viver aquele tipo de vida hoje. A crença em Mashiach vincula um senso de responsabilidade agora, para fazer apenas coisas responsáveis. Uma pessoa que, por exemplo, negar uma refeição a um pobre, argumentando: "A vinda de Mashiach é iminente, e ele providenciará para você uma excelente refeição," estará fazendo um pronunciamento totalmente anti- Mashiach! Mashiach implica fazer o bem, ser mais caridoso, mais amoroso, realizando atos de bondade desinibidos, corajosos e irrestritos.
A negação da caridade por causa de Mashiach é o equivalente a dizer a um estudante para não aprender matérias elementares porque quando chegar ao segundo grau terá um grau muito mais alto de entendimento. Obviamente, não podemos chegar à escola mais adiantada se não passarmos pelos níveis elementares de aprendizado.

O Bet Hamicdash e os sacrifícios

"Por que devemos desejar, esperar e rezar pela restauração do Templo em Jerusalém com sua ênfase nos ritos de sacrifícios? Não é uma crença anacrônica?"

Precisamos entender melhor o papel do Bet Hamicdash. Por que tanta agitação por causa de sua destruição e restauração iminente? Afinal, um prédio é um prédio. E não é verdade que o Judaísmo nunca coloca tanta ênfase em santuários? Além disso, por que choramos a destruição do Templo quando seria mais apropriado prantear a perda de milhões de vidas de judeus através da história? E se D'us está em toda parte, por que Ele precisa de um Templo?

O Bet Hamicdash obviamente foi mais que apenas uma construção. Foi o local na terra através do qual a presença de D'us era irradiada para o mundo inteiro, tanto quanto o cérebro é o gerador da energia para todo o corpo. Quando o Bet Hamicdash foi destruído, isso representou a retirada da presença de D'us da consciência do mundo inteiro. Como resultado, as pessoas tornaram-se espiritualmente menos sensíveis. Esta perda de sensibilidade fez com que as pessoas cometessem mais crimes. A morte de milhões e a degradação foram o resultado inevitável da remoção do meio pelo qual a Divindade era canalizada para este mundo.

Nossa esperança para a restauração do Templo Sagrado e incidentalmente a razão pela qual não podemos construí-lo nós mesmos, sem Mashiach, não é a mera reconstrução de um magnífico edifício, mas para facilitar o "retorno" de D'us à consciência deste mundo.

Um animal (como tudo o mais que existe), está aqui para ser alçado a uma esfera mais elevada da vida. Utilizar o animal para um propósito espiritual mais elevado pode realizar isso. O consumo de carne pelos seres humanos, embora seja um ato e um processo físico, visa um maior vigor e saúde, e nossa capacidade de realizar boas ações, ajudam a elevar o animal a uma esfera Divina mais alta. Entretanto, os efeitos são limitados àquele animal em particular, a hora e o grau de espiritualidade do indivíduo que ingere a carne. A oferenda de um sacrifício no Templo, o local onde a energia Divina é dispersada para o mundo inteiro e onde a energia Divina é mais potente, é o supremo ato de elevação, por meio do qual todo animal no mundo é elevado ao nível Divino mais alto e mais sublime.

O temor do dilaceramento de nossa vida é talvez a maior preocupação que encontramos. As pessoas resistem aos prospectos da vinda de Mashiach porque sentem que perderão seu padrão de vida. Anos de labuta, suor e lágrimas, em nossa imaginação, serão transformados em nada. O trabalho de nossa vida será neutralizado. Os médicos não serão mais necessários, e todas as funções adquiridas, cargos e atividades com as quais estamos acostumados e apreciamos tanto, não mais existirão. Porém o que é mais preocupante e difícil de articular é que na mente daqueles que têm este problema, Mashiach invalidará tudo aquilo pelo qual eles lutam. Não pode haver pensamento mais aterrorizante que a invalidação da pessoa.

A resposta a este medo, explica o Rebe, está na análise de duas palavras, Galut (Exílio) e Gueulá (Redenção), que compartilham as mesmas letras no alfabeto hebraico, exceto pela letra alef , a primeira do alfabeto hebraico, na palavra Gueulá. Isso, declara o Rebe, nos ensina que a Gueulá não eliminará nada de valor do Galut, apenas introduzirá o alef, ou a unicidade de D'us na equação. Portanto, pelo contrário, tudo que fazemos no presente se tornará mais completo, não descontinuado ou destruído. Em outras palavras, não devemos ver a relação entre o exílio e a redenção como antagônicos. Ao contrário, o Galut é o caminho para a Gueulá. Os milhares de anos de existência do mundo não foram apenas um tempo de espera para um mundo melhor, mas um tempo em que criamos um mundo melhor através de nossas ações.

Quando Mashiach for plenamente percebido, todas as funções do Galut serão vistas e sentidas pelo que realmente são. "O próprio Exílio," nas palavras do Rebe, "será elevado até a Redenção." "Todas nossas atividades continuarão, mas seremos mais puros, mais gratificantes, mais significativos, porque veremos seu valor verdadeiro – o alef, a unicidade de D'us".
Talvez alguns de vocês tenham visto as palavras conclusivas do Mishnê Torá do Rambam, no qual é declarado que a ocupação definitiva do mundo será apenas conhecer D'us. O Rambam declara em termos bem definidos que não haverá outra atividade, exceto o conhecimento de D'us. De que maneira isso pode se reconciliar com a reafirmação de que nossa vida não sofrerá ruptura?
Para solucionar este problema, seria bom citar a analogia de Chinuch – a educação de um filho. Não dizemos à criança para estudar Torá porque é a mais sublime sabedoria Divina, mas porque se o fizer, será recompensada, como aconselha Rambam. Finalmente, a criança, que agora é um adulto amadurecido, avaliará que sua ânsia pela Torá tem um raciocínio muito mais sofisticado. Agora, analisando o conselho pedagógico do Rambam, poderíamos refletir se a Torá aprova o uso de suborno para uma boa causa. Os fins justificam os meios?
Talvez, se refletirmos profundamente, diremos que não é um suborno, mas sim um genuíno incentivo. Embora não seja este o objetivo primário, a Torá resulta até em deleites físicos. Quando o pai dá ao filho uma bala ou um brinquedo, está fornecendo ao filho uma recompensa gerada pela Torá. Ao nível da criança, a Torá gera as guloseimas que recebe. Quando o nível da pessoa se eleva, a Torá fornece prazeres mais sofisticados. Quando Mashiach chegar, a princípio apreciaremos as revelações de Mashiach em nosso nível primitivo e imaturo. Então cresceremos passo a passo até o ponto no qual não mais desejaremos a bala, porque perceberemos o valor infinito da revelação de Mashiach.
O adulto, que não mais recebe um brinquedo por estudar a Torá, sente que sua vida como criança foi perturbada e destruída? Obviamente não! Similarmente, ao crescermos e nos desenvolvermos não mais sentiremos qualquer ruptura.
Para concluir, quando Mashiach chegar, ele elevará cada um de nós de nossos respectivos níveis, e nos introduzirá a revelações Divinas, de um modo que nos seja bom e satisfatório. Em nenhum momento Mashiach nos fará sentir que estamos perdendo alguma coisa.

Acreditar em Mashiach…é real!

"Certo, a crença em Mashiach é parte do Judaísmo, mas não é a parte central, e não deveria ser por demais enfatizada. Por que, então, devemos nos concentrar em Mashiach?"

Acreditar em sua vinda faz parte dos Treze Princípios de Fé de Rambam; nossos pedidos somam 25 mil anualmente; o Cadish, o Shemá Israel, Lechá Dodi, Aleinu, são baseados em Mashiach; judeus têm morrido com a canção "Ani Ma'amin", "Eu acredito", em seus lábios.

A Chassidut explica que Mashiach é um princípio de fé, sem o qual a estrutura do Judaísmo não pode persistir, porque Mashiach representa o próprio objetivo pelo qual o mundo foi criado. É o cumprimento da Torá. É o que legitima nossa existência. É o que dá validade à nossa crença em D'us, porque demonstra que Seu projeto funciona. Encerra todo o Judaísmo, porque Mashiach significa que a Torá e as mitsvot podem e serão completadas, inflexíveis, coesas e coordenadas. A fim de nos preparar para isso, devemos nos elevar acima das restrições do Galut , Exílio. Na verdade, a vinda de Mashiach e a preparação para a sua vinda envolve todo o Judaísmo, aprofunda-o, e o torna mais relevante para nós e para toda a humanidade.

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