06/02/2019

Stanislawa Leszczyska, a mulher que salvou 3.000 bebês na 2ª Guerra Mundial

Stanislawa Leszczyska, a mulher que salvou 3.000 bebês na 2ª Guerra Mundial Duas palavras definem a história da polonesa Stanislawa Leszczynska: coragem e heroísmo. A história da mulher que foi instruída a matar bebês pelos nazistas e se recusou é marcante porque, ao invés disso, ela salvou mais de 3.000 vidas judias, tornando-se assim um símbolo de resistência e levando a Igreja Católica a analisar o seu reconhecimento como santa.

O maior campo de extermínio dos grupos nazistas, localizado em Auschwitz, foi local de morte de pelo menos 1,1 milhão de pessoas. Mas foi também o lugar onde muitas outras vidas foram poupadas, graças, entre outros, a uma parteira. Stanislawa nasceu em Lodz, na Polônia, em 1896. Ela se casou, teve quatro filhos e estudou para se tornar parteira. Até que, em 1939, tudo mudou. Os nazistas invadiram o seu país e sua cidade, que tinha o segundo maior número de judeus na Polônia. Em razão de sua atividade, ela acabou sendo recrutada para trabalhar para os nazistas.

Ao chegar ao acampamento, Stanislawa disse que era parteira, então o médico alemão a colocou para trabalhar na maternidade. Um lugar imundo e longe de ser um local adequado para receber mulheres prestes a dar à luz. Lá, muitas delas morriam sem assistência e as que sobreviviam eram enviadas para as câmaras de gás.

"Irmã Klara" era uma parteira encarregada de assassinar as crianças que ali nasciam, afogando os recém-nascidos em barris, muitas das vezes diante das mães que gritavam em desespero. Quando Stanislawa descobriu que deveria fazer o mesmo, imediatamente ela se recusou, e foi levada ao médico supervisor do acampamento, e novamente ela se recusou a proceder daquela maneira. "Por que eles não a mataram, ninguém sabe", disse Bronislaw, filho Stanislawa, em 1988.

E apesar das agressões e ameaças, ela simplesmente começou a cuidar das mães e a entregar a elas os seus bebês, mesmo sabendo que a maioria deles seria morta horas depois. Depois, ela passou a trabalhar para salvar máximo de vidas que podia. E não foi uma tarefa fácil, sem água, suplementos, cobertores e comida.

Com a ajuda da sua filha e de outros prisioneiros, Stanislawa disse que conseguiu salvar cerca de 3.000 bebês durantes os dois anos em que esteve no campo de Auschwitz. Com a ajuda de seus assistentes, Stanislawa tatuou alguns dos bebês com a esperança de que algum dia, eles fossem identificados e devolvidos as suas mães.

Nem todos os bebês que nasceram ali foram assassinados imediatamente, a partir de 1943, alguns deles foram dados a casais nazistas como "arianos". A Alemanha nazista sequestrou cerca de 100.00 crianças polonesas.

Seu legado sobreviveu após a libertação de Auschwitz, seja na memória dos sobreviventes, naqueles a quem ela tentou dar um nascimento digno, nas poucas crianças que deixaram o acampamento com vida e no trabalho dos seus filhos que sobreviveram à guerra e se tornaram médicos.

Em 27 de janeiro de 1970, 25 anos após a libertação do campo, Stanislawa recebeu homenagem pública em Varsóvia, onde se reuniu com ex-prisioneiras e nascidos no campo de Auschwitz que ela havia salvado da morte. Atualmente a avenida principal que liga à entrada de Auschwitz leva seu nome, como assim vários hospitais da Europa, entre eles a Escola de Obstetrícia de Cracóvia. 

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