31/01/2019

A Logoterapia de Viktor Frankl

A Logoterapia de Viktor FranklEncontrando um Sentido

Uma questão crucial no escopo teórico da Logoterapia é a de que o sentido tem um caráter objetivo de exigência e está no mundo, não no sujeito que o experiência.
Ser-se “digno” da felicidade é um efeito colateral da realização de sentido que é, sim, o fim em si, independentemente dos efeitos que acarreta. Isto é, a vontade de sentido orienta para uma realização de sentido, a qual acaba por prover uma razão para se ser feliz. Com uma razão para se ser feliz, a felicidade surge automaticamente como efeito colateral.
“Não se deve buscar a felicidade” é uma máxima da Logoterapia, tendo em vista que, na medida em que houver uma razão para a felicidade, ela decorrerá espontânea e automaticamente. A máxima logoterapêutica subsequente é:
“Não se pode perseguir a felicidade”, pois, na medida em que se faz da felicidade um objeto motivacional, ela passa a se constituir em objeto de atenção, perdendo-se de vista a razão para ser feliz, o que, consequentemente, afastaria o sujeito da felicidade.
Frankl entende, portanto, uma excessiva preocupação com a auto-realização como um possível sinal de uma frustração da vontade de sentido, fazendo uso da metáfora do bumerangue, que só volta ao caçador que o atirou se seu alvo não tiver sido atingido.
Da mesma forma, o homem só se volta para si como centro maior de suas preocupações se tiver falhado na busca de sentido.
A autotranscendência assinala o fato antropológico fundamental de que a existência do homem sempre se refere a alguma coisa que não ela mesma - a algo ou a alguém, isto é, a um objetivo a ser alcançado ou à existência de outra pessoa que ele encontre.
Na verdade, o homem só se torna homem e só é completamente ele mesmo quando fica absorvido pela dedicação a uma tarefa, quando se esquece de si mesmo no serviço a uma causa, ou no amor a uma outra pessoa. É como o olho, que só pode cumprir sua função de ver o mundo enquanto não vê a si próprio (Frankl, 1991, p. 18).
Se realmente víssemos no prazer todo o sentido da vida, em última análise, a vida pareceria sem sentido. Se o prazer fosse o sentido da vida, a vida propriamente não teria sentido algum (Frankl, 2003, p. 68).
“Ouso dizer que nada no mundo contribui tão efetivamente para a sobrevivência, mesmo nas piores condições, como saber que a vida da gente tem um sentido. Há muita sabedoria nas palavras de Nietzsche: “Quem tem um por que viver pode suportar quase qualquer como” (Frankl, 1985, pp. 95-96).
… podemos falar de um “descentramento” do indivíduo em favor do sentido, já que uma das consequências da teoria motivacional da Terceira Escola Vienense é a de que o sujeito só se singulariza na medida em que cumpre sua orientação ontológica para tornar significativa a própria vida. A busca desse sentido – que tem um caráter objetivo, fundando-se no mundo, não no sujeito – constitui, na Logoterapia, o fim último de toda a atividade que envolve a existência humana.

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