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27/12/2018

Desafio, Crescimento e Transição

Desafio, Crescimento e Transição

Enfrentando Desafios

Por Eli Touger
Por um lado, as pessoas se esquivam dos desafios. Existe um perigo de fracasso – ou não seria um desafio - e ninguém gosta de fracassar. Por outro lado, nós procuramos o desafio, pois confrontar um desafio nos eleva acima da monotonia da vida comum.
Conceitos semelhantes se aplicam em relação ao nosso serviço Divino. D’us não quer que nosso serviço Divino seja uma mera rotina. E, assim, Ele nos apresenta desafios. Alguns destes desafios são limitados na abrangência, e alguns são mais ameaçadores, forçando-nos a evocar nossos mais profundos recursos.
Esta é a natureza do desafio do exílio. Durante a era do Beit Hamicdash, a revelação evidente da Divindade inspirou judeus a servirem a D’us com elevado sentimento e intenção. Na era do exílio, ao contrário, a Divindade está oculta, e nós somos apresentados a vários obstáculos em nossa prática da Torá e suas mitsvot. Nós não podemos mais contar com nosso ambiente para aprofundar nosso desejo pela Divindade. Em vez disso, nosso foco deve se tornar interno. Desta maneira, o exílio desperta nossos profundos recursos espirituais1 e fortalece nossa conexão com D’us.

O Paradoxo do Exílio

Estes conceitos estão refletidos em nossa leitura da Torá que descreve as sucessivas descidas vivenciadas pelo Povo Judeu no Egito. Enquanto Yossef e seus irmãos viviam, os judeus desfrutaram de prosperidade e segurança. Mas, com a morte do último dos filhos de Yaacov, veio o trabalho forçado2, o lançamento das crianças judias no Nilo e outros atos de crueldade. Mesmo depois que Moshê trouxe a promessa da redenção, a opressão do Povo Judeu piorou, a ponto do próprio Moshê ter gritado3: “Desde que eu vim ao Faraó para falar em Teu nome, ele tem feito mal a este povo”.
Mesmo assim, a leitura da Torá também nos conta como os judeus gritaram a D’us despertando  Sua atenção4. Em resposta, D’us transmitiu a promessa da Redenção e Seu juramento que “quando tu tirares este povo para fora do Egito, tu servirás a D’us sobre esta montanha”5, isto é, D’us comprometeu a Si próprio a dar a Torá aos judeus. Isto revelou a possibilidade de uma ligação mais elevada e mais profunda com D’us do que teria sido conseguida antes.

A História de um Nome

Estas duas polaridades estão refletidas no nome da leitura, Shemot, que significa “nomes”. Existem duas dimensões no nome de uma pessoa. Por um lado, ele representa os aspectos externos de nosso ser, como está aparente no fato de que o nome de uma pessoa é necessário somente na medida em que ele se relaciona com os outros. Por si próprio, ele não precisa de um nome. Além disso, vários indivíduos com personalidades totalmente diferentes podem compartilhar o mesmo nome, demonstrando que, pelo menos na superfície, o nome de uma pessoa não descreve quem ele ou ela é6.
No entanto, como o Alter Rebbe escreve no Tanya7, um nome representa a natureza e a força vital de uma entidade. É um canal que permite a expressão desta natureza interior8. Isto não é meramente um conceito teórico; ele afeta a conduta diária da pessoa. Nós vemos que, quando alguém é chamado pelo nome, ele se vira para aquele que o chama com atenção. Para muitas pessoas, nenhum som é mais querido que o de seu próprio nome. Além disso, nós encontramos que quando uma pessoa desmaia, geralmente é possível despertá-la simplesmente sussurrando seu nome em seu ouvido.
Relacionando estas observações com os conceitos do exílio e redenção: Enquanto o que é revelado é meramente a dimensão externa do nome judaico, é possível que eles serem subjugados por poderes mundanos. Mas, quando a essência do nome judaico Yisrael é expressa, não há potencial para o exílio. O nome Yisrael indica que nós “lutamos com D’us e com homens e vencemos”9.
Isto aponta para a diferença fundamental entre o exílio e a redenção. O exílio não representa uma mudança na essência em nosso relacionamento com D’us. De Sua perspectiva, mesmo no exílio nós somos “[Seus] filhos e, trocar[-nos] por outra nação, [Ele] não pode”10. E, em relação ao Povo Judeu, sobre o versículo11 “Eu estou adormecido, mas meu coração está desperto”, nossos Sábios comentam12: “Apesar de eu estar dormindo no exílio, meu coração está desperto pelo Santo, bendito seja Ele”.
Qual é a diferença entre exílio e redenção? Se “nosso nome está sendo chamado” e nós estamos respondendo, isto é, se nosso relacionamento está abertamente expresso ou oculto13.

Destino e Direção

Não há nada de aleatório no ciclo de exílio e redenção; ele é um processo ordenado Divinamente. D’us desejava que os judeus atingissem picos mais elevados no serviço Divino e, assim, Ele estruturou os desafios do exílio para nos compelir a expressar nosso potencial espiritual mais profundo. E Ele nos deu a capacidade de superar estes desafios.
Isto está aludido na menção da Torá dos nomes das tribos no início da leitura. Nossos Sábios explicam14 que este é um exemplo de quão profundo D’us ama nosso povo. “Já que eles são como estrelas, Ele chamou a cada um deles pelo nome”.
Na lei da Torá15, nós encontramos o seguinte princípio: “Uma importante entidade nunca pode ser anulada”. Ao repetir os nomes do Povo Judeu16, a Torá enfatiza como importante eles são para D’us e assegura que suas existências não serão anuladas pelo exílio.
A Torá menciona não o nome de nosso povo como um todo, mas, em vez disso, os nomes de cada uma das tribos, pois cada tribo representa uma abordagem diferente do serviço Divino. Ao fazê-lo, isto favorece não somente a essência do povo Judeu, mas também nossas várias abordagens individuais com a força para suportar o exílio e crescer através desta experiência.

Do Exílio à Redenção

O ciclo do exílio e redenção dos judeus é importante para o mundo em geral. O propósito da criação é estabelecer uma moradia para D’us17 Esta moradia é criada pelo envolvimento do Povo judeu em diferentes aspectos da experiência mundana. Durante o exílio, os judeus estão espalhados em terras diferentes e estão em contato com diversas culturas. Como tal, à medida que o desafio do exílio traz os judeus para uma conexão mais profunda com D’us, ele também eleva seus arredores, tornando manifesta a Divindade que permeia nosso mundo.
A saga do exílio e redenção não é meramente uma história do passado. Ao contrário, anúncios da transição final do exílio e redenção estão afetando todas as dimensões da existência hoje em dia. Para pegar emprestada uma expressão do Rebe Anterior18: “Tudo está pronto para a Redenção; até mesmo os botões já foram polidos”. Tudo o que é necessário é que nós abramos nossos olhos, reconheçamos a influência de Mashiach e criemos um modo para que ele envolva a humanidade19.
NOTAS
1.
Mais especificamente, a referência é sobre o nível de yechida, a dimensão da alma que está completamente unida com D’us. Este nível é revelado através dos desafios do exílio.
2.
Ver Shemot Rabá 1:4. Os comentários de Rashi sobre Shemot 6:16.
3.
Shemot 5:23.
4.
Ibid. 2:23-24.
5.
Ibid. 3:12.
6.
E, mesmo assim, uma pessoa com percepção pode ver como o nome de um indivíduo fala muita coisa sobre seu caráter. Neste sentido, Yoma 83b relata que o Rabino Meir podia deduzir de seu nome o caráter de uma pessoa.
7.
Shaar HaYichud VehaEmuna, cap. 1.
8.
Likutei Torá, Behar 41c.
9.
Bereshit 32:29.
10.
Kidushin 36a; Rus Rabah, Pesichta 3; ver também Likutei Sichos, Vol. XI, p. 3 e as fontes lá citadas.
11.
Shir HaShirim (Cântico dos Cânticos) 5:2.
12.
Zohar, Vol. III, p. 95a; ver Shir HaShirim Rabá sobre o versículo.
13.
Este conceito também nos dá uma visão sobre a natureza da redenção: a redenção não requer a criação de nada novo, mas a revelação de um potencial que já existe. Da mesma forma, esta ideia aponta para o modo pelo qual nós podemos nos empenhar para expressar este potencial por todos os judeus. O que é necessário é chamar a alguém pelo nome Yisrael, e dar a ele uma oportunidade de revelar quem ele é. Já que ele é um judeu e, por natureza, “deseja cumprir todas as mitsvot e se separar do pecado” (Rambam, Hilchos Gerushin 2:20), ele responderá, expressando sua natureza interior.
14.
Shmos Rabá 1:3 (citado por Rashi em seu comentário sobre Shemot 1:1) explica porque os nomes das tribos são repetidos nesta leitura da Torá depois de terem sido mencionadas no livro de Bereshit.
15.
Zevachim 73a, Shulchan Aruch, Yoreh De’ah 110:1.
16.
Ver também Pe’ah 7:1 (e Rambam, Hilchos Matanos Aniyim 5:23), que afirma que nenhuma entidade com um nome é jamais considerada esquecida. O fato de que seu proprietário lhe deu um nome indica sua constante importância aos seus olhos.
17.
Midrash Tanchuma, Bechucotai, seção 3. Ver Tanya, caps. 33 e 36.
18.
Sichot Simchat Torá, 5689.
19.
O livro “Sound the Great Shofar” (Kehot, N.Y., 1992), p. 112-113.


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1 comentários:

Cleusa Trindade disse...

Gratidão imensa, é uma pena, que somente agora, aos 67 anos, tendo ensinamentos profundos que me fazem crescer, depois de velha, mas aprendendo.