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20/11/2018

Solidão

Resultado de imagem para Yaacov  in desertNessa parashá é relatado um dos episódios mais dramáticos e misteriosos da Torá, Yaacov ficou sozinho e um anjo lutou com ele até o amanhecer.
A batalha, que aconteceu no meio da noite, foi feroz. "Quando ele percebeu que não poderia derrotá-lo", relata a Torá, ele atingiu o quadril de Yaacov. No entanto, no final, Yaacov prevaleceu e, como resultado dessa vitória, Yaacov - assim como nós, todos os seus descendentes - recebeu um novo nome: Israel, "Por você ter lutado com o Divino e com o homem, e você triunfou".
O que chama atenção nessa narrativa bíblica é a sua linha de abertura: "E Yaacov ficou sozinho." Neste momento crítico, talvez o momento mais decisivo de sua vida, Yaacov estava sozinho no mundo. Em meio a sua maior batalha, Yaacov se tornou consciente de sua solidão. Isso evoca em nossa imaginação um conceito de Kierkegaard com relação à solidão existencial: no momento da verdade, cada um de nós deve encarar a profunda sensação de solidão inata à condição humana. Ecoa também a observação de Thomas Wolfe, "A convicção de toda a minha vida agora repousa sobre a crença de que a solidão, longe de ser um fenômeno raro e curioso, peculiar a mim mesmo e para alguns outros homens solitários, é o fato central e inevitável da existência humana."
No entanto, existe um comentário mais surpreendente na literatura bíblica: o Midrash vê a solidão de Yaacov, naquela noite, como um precursor para o dia em que a arrogância da humanidade será eliminada, e D’us será exaltado sozinho nesse dia; conforme a profecia de Yeshayahu: "Assim como D'us será exaltado sozinho, Yaacov ficou sozinho."
Existem duas formas de solidão: a primeira paralisa, enquanto que a segunda traz à tona a criatividade humana e a coragem.
Essa comparação parece estranha. Qual é a ligação entre a luta solitária de Yaacov com seu adversário no meio da noite, e o momento em que D'us será exaltado sozinho em nosso mundo?
Existem duas formas de solidão: a primeira paralisa, enquanto que a segunda traz à tona a criatividade humana e a coragem.
A primeira é a solidão vivida como um resultado de sentimentos como, nas palavras de Orson Welles, "Nós nascemos sozinhos, vivemos sozinhos, morremos sozinhos. Somente através do amor e da amizade podemos criar a ilusão do momento em que não estamos sozinhos." Nós sentimos que uma parte de nós, talvez a nossa parte mais profunda, está destinada a permanecer num universo solitário, incompreendido e desvalorizado.
A segunda forma de solidão decorre da consciência de que eu, ninguém mais, devo moldar o meu destino, a bola está no meu campo, e ninguém pode fazer o que eu preciso fazer. O mundo espera a minha contribuição única.
Esta forma de solidão é descrita no Talmud, com estas palavras: "O primeiro ser humano (Adam) foi criado sozinho", para nos ensinar que cada um de nós deve pensar: "Por minha causa o mundo foi criado."
Este não é um exagero dramático para melhorar a nossa auto-estima, na verdade, reflete uma doutrina fundamental do judaísmo que existe algo que você deve dar à existência, que ninguém mais pode dar e sem a qual o universo estará sem algo essencialmente vital. O mundo foi criado para você.
Nietzsche acreditava que o mundo é um campo de guerra e o homem o seu guerreiro; Barnum declarou que o mundo é um circo e o homem seu palhaço; Shakespeare ensinou que o mundo é um palco e o homem seu ator. A mensagem da Torá é que o mundo é um livro e cada ser humano seu autor. Só você pode criar o seu capítulo.
Este pode ser o significado por trás da ênfase da Torá de que "Yaacov ficou sozinho e um anjo lutou com ele até o amanhecer." Esta não é apenas uma descrição técnica ou até mesmo existencial. Na batalha que daria a Yaacov e seu povo, seu nome e identidade - Israel - nosso patriarca nos transmite a componente crítica necessária para lutar nossas próprias batalhas, individual e coletivamente, durante os quatro milênios.
Quando você se depara com enormes batalhas no fronte moral ou psicológico, você deve imaginar que naquele momento, você é o único ser humano presente no universo. Toda a existência aguarda a sua próxima jogada. Você e D’us estão sozinhos no mundo... juntos!

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