Inquisição do Santo Ofício


Inquisição do Santo OfícioPoucos sabem o que foi a chamada Inquisição do Santo Ofício. A Inquisição que teve seus primórdios nos séculos XII e XIII na Europa sob o comando de Roma, chegou à Espanha no dia 1o. de novembro de 1478 através do pedido dos reis católicos quando receberam do Papa Sisto IV a Bula intitulada Exigit sincerae devotionis affectus (O amor da sincera devoção exige…) que a princípio combatia toda a heresia daquele tempo, destacando os feiticeiros, as bruxas, as prostitutas e homossexuais, filósofos e cientistas (que divergissem da sã doutrina católica) e, principalmente, os judeus.

Mas, por que os judeus?

Como os réus judeus representaram mais de 80%, segundo a historiadora da USP, Dra. Ana Novinsky, centralizarei na pergunta: Por que os judeus? Antes de responder a esta pergunta temos que relembrar um pouco da história. No século XII e XIII, época da Renascença Judaica, a Espanha havia se tornado o maior polo judaico do mundo, chegando o povo hebreu representar 25% da população da Península Ibérica. Para se ter uma ideia desta grande concentração de judeus naquela região, desde a época do Rei Salomão que mandava buscar mármores e madeiras para a construção do 1o. Templo de Jerusalém, os judeus começaram para lá imigrar. Após o exílio da Babilônia muitos judeus foram morar nas terras ibéricas. Quando o Imperador Tito de Roma, expulsou os judeus de Israel no ano 69 E.C., muitos judeus foram também para a Terra de Sefarad (Espanha) juntar-se aos compatriotas que lá já moravam.

Por que perseguir os judeus então? Primeiro este povo representava um risco para o país, pois um quarto da população era demasiadamente alto; segundo, os judeus detinham o sistema financeiro (primeiro sistema bancário da Europa), além de muitos trabalharem na ciência, na astronomia, nas navegações, muitos eram médicos, oficiais do governo, policiais, etc. Tal população exercia de certa maneira um monopólio em assuntos estratégicos da Coroa; terceiro, a mistura de povos (vários foram os estatutos de pureza de sangue) nesta época. Por exemplo, no ano 1215, o Concílio de Latrão determinou que os judeus andassem com distintivos para não serem confundidos com os cristãos); quarto, os judeus, praticantes do judaísmo, viviam em guetos (judiarias) isolados devido às suas tradições e práticas religiosas, como casar-se entre si, a guarda dos mandamentos, destacando o sábado, dia no qual descansavam; não praticar a idolatria e crer em um só D-us. 

Tudo isto era um tanto estranho, divergindo da cultura e dos costumes locais, principalmente, no que tange à idolatria tão pratica pelos chamados católicos da época; quinto, por não serem proselitistas, o crescimento se dava entre eles, não recebendo na maioria das vezes os chamados gentios ( goyim ), salvo quando uma minoria inexpressiva deles se convertiam ao judaísmo. Mas, o grande e principal motivo não dito pelos historiadores, s foi que o antissemitismo que após o domínio de Roma no ano 312 E.C., quando o Imperador Constantino decretou o cristianismo (mais tarde sob a forma de catolicismo) fosse a religião do império. A grande verdade é que desde que o sistema de Roma se desligou de suas raízes judaicas, o povo judeu passou a ser perseguido pelos líderes cristãos, como Crisóstomo, Marcião e outros que acusaram os judeus de “deicídio”, ou seja, assassinato de D-us, pois mataram a Jesus Cristo, o divino filho de Pai.

Todos estes motivos se tornaram ameaças para a difusão e o crescimento do catolicismo da época e para o próprio Vaticano, sede do controle da fé e da doutrina católica. Aquele velho e antigo princípio de que minha religião é certa e a de todo mundo é errada e herege, contribuiu para que a intolerância religiosa da época não aceitasse mais os judeus em seu meio, mesmo que se pagasse um alto preço pela sua expulsão ou pelo seu próprio aniquilamento. A antipatia generalizada pelo puritanismo judeu e todos os motivos enumerados acima fizeram com que os reis católicos Ferdinando Aragão e Isabel decretassem a expulsão de todo povo hebreu daquele país no dia 30 de março de 1492, salvo aqueles que desejassem se converter ao catolicismo, sendo então, batizados. Incluía também todo o confisco de bens daquele povo. O resultado disto foi que mais 280 mil judeus deixaram aquele país. A história mostra que 100 mil judeus cruzaram a fronteira com Portugal e lá passaram a residir em busca de sua liberdade religiosa.

Em Portugal, os judeus se instalaram juntando-se aos outros que lá já moravam. Portugal nunca havia recebido tanta riqueza e conhecimento científico de uma só vez trazidos pelos os judeus. Gaspar Lemos, ajudou Vasco da Gama a descobrir o caminho para a Índia. Portugal aceitou os judeus sob uma condição tributária, pois deviam pagar uma pesada taxa de imigração e pesados impostos que chegavam até 25% dos bens e rendas auferidas pelos judeus. Mas, mesmo assim, a maioria aceitou e por isso lá podiam viver. Os judeus mais pobres, sem alternativa, se convertiam ao catolicismo. Em 1496, D. Manoel I casa-se com a filha dos reis católicos de Espanha, os reinos se ajuntam e as Leis da Inquisição passam a valer em Portugal. Os judeus, então, ou se convertiam ao catolicismo ou seriam processados, julgados e condenados a morrerem nas fogueiras da Inquisição de Lisboa. Sem alternativas, milhares e milhares de judeus portugueses morreram. Suas crianças foram tiradas de seus pais e levadas para as ilhas vizinhas e lá eram comidas por feras e crocodilos. Precisa-se de um milagre, uma “abertura do mar” para que os judeus fugissem. 

Foi, então, que Pedro Álvares Cabral, com suas 13 naus, cujos capitães eram na sua maioria de descendência judia, passaram pelo batismo e eram chamados de cristãos-novos, descobriram o Brasil em abril de 1500. Com tanto capitães de descendência judaica como Sancho de Tovar, Gaspar Lemos, Nicolau Coelho, Simão de Miranda, Simão de Pinha, Diogo Dias e outros abrindo os mares e rotas para a Índia acabam “abrindo o segundo mar vermelho” e descobrindo o Brasil, que a partir do judeu Fernando de Noronha, amigo do rei, passou a trazer milhares e milhares de cristãos-novos (judeus católicos, marranos ou criptojudeus) às Terras de Santa Cruz a fim de plantarem cana de açúcar e exportar seu produto para a Europa, enriquecendo ainda mais a coroa portuguesa.

Mas, não demorou muito a Lei da Inquisição chegou ao Brasil e em 1591 quando o rei português envia para o Brasil o primeiro Inquisidor do Santo Ofício, o Sr. Furtado de Mendonça que aqui começa a caça aos cristãos-novos, marranos, criptojudeus mesmo que não praticassem o judaísmo propriamente dito, mas que observassem ou guardassem alguma simples tradição judaica já se enquadrava na condição de herege, implicando um processo, julgamento e até mesmo a condenação. Bastava uma denúncia ao Santo Ofício para que se abrisse um processo, cabendo ao réu o dever de sua própria defesa.

Segundo dezenas de livros escritos por historiadores brasileiros de renomes, e estrangeiros, foram encontrados na Torre de Tombo em Lisboa mais de 7 mil brasileiros processados e condenados a prisão perpétua, sendo que mais da metade foram condenados a morte, passando pelas fogueiras na Praça Rossio de Lisboa. A Inquisição no Brasil só acabou, oficialmente, no ano de 1821. Na prática a discriminação e perseguição só começaram a reduzir após a Proclamação da República. Mas, podemos ver ainda seus resquícios até nos dias de hoje. Por quê? E onde?

Os aspectos espirituais da perseguição ao povo judeu e a Israel, fatos que estão fora do alcance para a maioria dos historiadores, da mídia e de muitos religiosos, tanto judeus como cristãos.

A intolerância religiosa sempre levou a humanidade a grandes e terríveis conflitos, extermínios e morte; No caso da Inquisição brasileira, pergunta-se: Se os feiticeiros, bruxas, magos, prostitutas e outros que foram também queimados nas fogueiras representaram menos de 10% dos réus, será que não houve um abuso na condenação e exterminação dos outros 90%, os judeus? Será que somente as causas de pureza de sangue, a intolerância religiosa e o grande patrimônio dos judeus foram as reais e verdadeiras causas da Inquisição Luso-brasileira ter durado três séculos e meio?



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