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31 de out. de 2018

Judeus americanos enfrentam antissemitismo

Judeus americanos enfrentam antissemitismo

Judeus americanos enfrentam antissemitismo
Judeus americanos enfrentam antissemitismo que muitos pensavam estar extinto
Durante mais de 50 anos, os judeus americanos viveram sentindo-se seguros, convencidos de que os ataques antissemitas eram coisa do passado.
O massacre de Pittsburgh confirmou que o horror voltou, testemunhando um aumento no extremismo alimentado pela polarização da era Trump e das redes sociais.
Os judeus americanos - cerca de 5,3 milhões se incluídas todas as pessoas de origem judaica, de acordo com o Pew Research Center - tiveram por um longo tempo "uma sensação ilusória de invulnerabilidade", declarou à AFP Jacques Berlinerblau, professor no centro da civilização judaica da Universidade de Georgetown, em Washington.
Esse sentimento, que os judeus europeus invejavam, "explodiu em pedaços", declarou o acadêmico, uma ideia compartilhada por muitos judeus americanos nas redes sociais desde o ataque a tiros que, no sábado, matou 11 pessoas em uma sinagoga em Pittsburgh.
De acordo com Kenneth Jacobson, vice-diretor da Liga Anti-Difamação (ADL), uma organização que combate o antissemitismo e a discriminação, o despertar dos judeus americanos contra a ameaça antissemita tem sido progressivo.
Quinze anos atrás, ele explicou, "os judeus nos diziam: 'Por que a ADL ainda existe? O antissemitismo não é mais um problema nos Estados Unidos'".
Quando os ataques antissemitas se multiplicaram na França e na Europa nos últimos anos, "a questão voltou ao debate", disse ele.
Então, com as manifestações da extrema direita em Charlottesville, em agosto de 2017, a multiplicação de suásticas e alertas de bomba contra instituições judaicas, "as pessoas perceberam que o antissemitismo também está presente aqui".
Em fevereiro, a ADL publicou um relatório que aponta um aumento de 57% dos incidentes antissemitas em 2017, o maior aumento anual desde a década de 1970.
E neste ano eleitoral de 2018, os ataques antissemitas, especialmente contra jornalistas judeus, se multiplicaram nas redes sociais, de acordo com um novo estudo da ADL, que narra uma série de hashtags e palavras-chave usadas por supremacistas brancos.
Estas incluem #NWO, por "New World Order", uma nova ordem mundial que as elites judaicas estariam preparando (segundo teorias da conspiração), ou "globalist", para "globalista", um adjetivo muitas vezes associado ao financista judeu George Soros, transformado no demônio dos extremistas e uma das personalidades anti-Trump que na semana passada foi alvo de um pacote com bomba.
"Há uma nova tecnologia do terror, e essa tecnologia é uma má notícia para os judeus", disse Berlinerblau.
Neste contexto, o ataque de Pittsburgh não é "um verdadeiro choque", mas sim "um descarrilamento lento: todo mundo percebe que haverá mais e mais episódios desse tipo, com todas as armas que existem neste país", alertou.
- "Período assustador" -
Não é um choque, mas há uma certeza de que o extremismo está inexoravelmente em ascensão: esse era o sentimento de muitos pais na segunda-feira ao deixaram seus filhos na escola de um grande centro comunitário judaico no Upper West Side, em Nova York, uma cidade que abriga mais de um milhão de judeus, a maior comunidade dos Estados Unidos.
"É realmente um período assustador", disse a nova-iorquina Jana Gold, de 42 anos, mãe de duas meninas de cinco e nove anos.
"Não me sinto mais vulnerável hoje" do que antes de Pittsburgh, disse. "Isso simplesmente contribuiu para o clima geral", acrescentou, observando a responsabilidade de Donald Trump, embora sua filha Ivanka tenha se convertido ao judaísmo e o presidente esteja seguindo uma política decididamente pró-Israel.
"Ao contrário do presidentes anteriores, (Trump) divide as pessoas em vez de tentar uni-las", estimou.
Para Bob Dorf, de 69 anos, que deixava seu neto de quatro anos no jardim de infância do centro comunitário, o presidente dos Estados Unidos "encoraja a violência".
Antes de Pittsburgh "já havia suásticas, grafites", diz este professor universitário. "Meu maior medo é quantos mais ataques teremos, é apenas o novo capítulo de uma saga horrível".
Como muitas grandes instituições judaicas em Nova York, o centro comunitário se protege há algum tempo: há um guarda na entrada e um controle de visitantes.
Enquanto o prefeito de Nova York anunciou no sábado o reforço da segurança em todas as instituições judaicas, Jacobson, da ADL, acredita que os judeus americanos agora enfrentam um dilema.
"A beleza da vida dos judeus americanos é que havia uma sensação de serem cidadãos verdadeiramente iguais" aos outros, disse ele.
"Agora, o desafio é levar (o antissemitismo) muito a sério e ao mesmo tempo não nos tornarmos (paranoicos como na) Europa. Os Estados Unidos têm sido geralmente um lugar formidável para os judeus, e queremos mantê-lo dessa maneira."
* AFP
Em Solidariedade à Comunidade Judaica de Pittsburgh

Em Solidariedade à Comunidade Judaica de Pittsburgh



Em Solidariedade à Comunidade Judaica de PittsburghCaro (a) visitante,
Nossos corações estão abalados pelo horrível ataque sobre nossos irmãos e irmãs em Pittsburgh. Choramos pela perda das 11 almas sagradas que foram tão cruelmente arrancadas do nosso meio, e rezamos para que D'us dê forças e conforto às famílias de luto abaladas pela chocante tragédia. Sua imensa dor é partilhada por todo o povo judeu e pelas pessoas no mundo inteiro.
Rezamos também pela cura completa e rápida dos feridos, dos sobreviventes e de toda a comunidade de Pittsburgh. Não há palavras que possam descrever nossos sentimentos. Judeus que se reuniram para rezar e celebrar o Shabat foram mortos sem nenhum motivo exceto pelo fato de que eram judeus. Enquanto rezavam e no dia sagrado da semana, o Shabat! As balas do assassino feriram todos nós. “Todos os judeus devem morrer” ele gritou enquanto atirava. Qual é o remédio para um ódio tão antigo e sem sentido? O que podemos fazer para erradicar isso?
O Rebe, de abençoada memória, respondeu isso muitas vezes, com clareza e convicção:
amor ilimitado. O ódio sangrento, fanático, infundado, impiedoso pode ser desenraizado somente saturando nosso mundo com amor puro, sem discriminação, sem limites, e com atos de bondade.

Hoje mais do que nunca, precisamos espalhar amor e união; positividade e luz.
Devemos continuar a ir orgulhosamente para nossas sinagogas. E, mesmo quando pranteamos e nos enlutamos, devemos aumentar exponencialmente nossos atos de bondade e generosidade.

Alguns dos feridos colocaram suas próprias vidas em perigo para ajudar os outros. Respeitamos sua coragem e dedicação. E somos gratos por vivermos num pais que protege nosso direito de viver aberta e orgulhosamente como judeus. Valorizamos imensamente a amizade e apoio do povo americano, de todos os voluntários que correrem à cena para prestar socorro e auxílio.
Nossos irmãos e irmãs em Pittsburgh – e o mundo inteiro! – precisam das nossas preces e mitsvot (boas ações)  agora mais do que nunca! O assassino sanguinário mantinha um ódio insensato contra o povo judeu.
Somos todos uma só família. Esta é definitivamente a hora certa para cada um de nós fazer contato com alguém com quem discordamos e nos afastamos. Que possamos reservar um tempo para nos aproximar daqueles dos quais nos afastamos, promovendo o entendimento e a paz. Vamos mostrar o quanto temos orgulho da nossa identidade judaica. Que possamos acrescentar atos positivos em nossas vidas. Seja colocando tefilin, fixando mezuzot no batente das portas de nossos lares, acendendo velas de Shabat ou outra mitsvá, vamos acrescentar mais um ato à nossa rotina e dedicá-lo à memória daqueles impiedosamente mortos.
Mesmo se não somos frequentadores assíduos, raramente ou nunca vamos à sinagoga, que possamos participar de um serviço de Shabat em honra aqueles que se foram para sentir a vibração que somente uma comunidade é capaz de promover em suas dependências. Vamos implorar a D'us que traga conforto e consolo às famílias enlutadas. Rezar para que Ele rapidamente erradique todo o mal  da face da terra apressando a chegada de Mashiach.
Que pelo mérito de nossas mitsvot e preces coletivas, que cada um de nós – e todos nós como um só – seja capaz de atrair ao mundo a sabedoria e a luz da paz e da tolerância. Somente juntos seremos capazes de transformar o mal em bem e o ódio em amor ilimitado ao próximo.

27 de out. de 2018

Morre o último sobrevivente do gueto de Roma

Morre o último sobrevivente do gueto de Roma

Morre o último sobrevivente do gueto de RomaLello Di Segni, o último sobrevivente do gueto de Roma, faleceu aos 91 anos, anunciou nesta sexta-feira (26) a comunidade judaica italiana.
Em 1943, Segni foi detido aos 16 anos junto com seus pais, seus dois irmãos Angelo e Mario, e sua irmã Graziella, todos mais novos do que ele, pouco depois de começar a ocupação de Roma pelas tropas alemãs. Rapidamente ele foi separado de sua família, sobreviveu ao campo de Auschwitz e recuperou sua liberdade quando as tropas americanas libertaram o campo de Dachau.


A Itália, onde a extrema direita chegou ao poder em junho deste ano, comemora o 80º aniversário da promulgação das leis antissemitas do regime fascista de Benito Mussolini.
Há 10 dias foi comemorado o 75º aniversário do ataque ao gueto de Roma, em 16 de Outubro de 1943, algumas semanas após o início da ocupação alemã da capital italiana, quando a polícia alemã prendeu cerca de 1.000 judeus para enviá-los aos campos concentração.
Alguns estrangeiros e pessoas de casamentos mistos foram libertados, mas 1.022 homens, mulheres e crianças foram enviados para os campos de concentração. Apenas 15 homens e uma mulher sobreviveram.
No total, cerca de 8.000 judeus italianos morreram nos campos de concentração.
O presidente do Conselho italiano, Giuseppe Conte, apresentou as suas condolências à comunidade judaica. "Nosso compromisso é transmitir seu testemunho para que o período obscuro, durante o qual a razão foi extinta, não seja mais reproduzido", afirmou no Twitter.
Liliana Segre, sobrevivente dos campos de extermínio e senadora vitalícia, se mostrou mais sombria: "Com as pessoas que estão desaparecendo, temos medo de que a memória também desapareça", declarou à imprensa compartilhando o temor de que o Holocausto dos judeus "não seja mais do que uma linha nos livros de história e, depois, menos ainda".
Você tem raízes judaicas?

Você tem raízes judaicas?

Você tem raízes judaicas?Queridos amigos,

Estamos felizes em poder voltar a estabelecer um contato com você. Esperamos que você tenha conseguido ler o livro e que este lhe tenha sido útil.

Caso não tenha podido salvar o livro, você poderá encontrá-lo aqui.
Caso você tenha alguma dúvida sobre a leitura ou sobre sua pesquisa pessoal, não hesite em contatar-nos.
Caso você tenha desfrutado deste projeto, você poderia considerar realizar uma doação para que, desta forma, possamos continuar a orientar e ajudar os descendentes do povo judeu a voltar às suas raízes. Para fazer uma doação, clique aqui.
Para mais informações, visite o website da Shavei Israel. Se você quiser saber mais sobre o judaísmo, é bem-vindo a visitar nosso blog.

Tenha um lindo dia,

Chaya Castillo
Diretora do departamento de Bnei Anussim
Shavei Israel
Atentado deixa mortos em sinagoga de Pittsburgh nos EUA

Atentado deixa mortos em sinagoga de Pittsburgh nos EUA

Tammy Hepps, hugs Simone Rothstein, right, on the intersection of Shady Avenue and Northumberland Street after multiple people were shot at The Tree of Life Congregation synagogue.Tiroteio deixa mortos em sinagoga de Pittsburgh, nos EUA

Governador da Pensilvânia disse que situação é 'séria'; Trump fala em 'várias fatalidades'. Um suspeito foi preso.

Um tiroteio na área de uma sinagoga em Pittsburgh, na Pensilvânia (EUA), deixou mortos e feridos na manhã deste sábado (27).

O diretor de segurança pública de Pittsburgh, Wendell Hissrich, disse a imprensa que a cena dentro da sinagoga é “muito ruim” e que existem “múltiplas fatalidades”. Segundo Hissrich, um suspeito foi preso e levado ao hospital.

Tammy Hepps, left, Kate Rothstein and her daughter, Simone Rothstein, 16, pray from a prayerbook a block away from the site of a mass shooting at the Tree of Life Synagogue.A imprensa americana fala em ao menos 4 mortos, mas não há confirmação oficial sobre o número de vítimas. Entre os feridos estão quatro policiais.

Segundo a emissora americana NBC, o suspeito detido é Rob Bowers, de 46 anos de idade. A identidade do suspeito não foi confirmada pelas autoridades.

Atentado deixa mortos em sinagoga de Pittsburgh nos EUADe acordo com o relato de testemunhas, ele entrou no templo armado com um fuzil semiautomático AR-15 e com várias pistolas. O motivo do ataque ainda não foi revelado.

A sinagoga Árvore da Vida estava lotada de pessoas reunidas por ocasião do serviço religioso do sabat judaico. O ataque ocorreu no bairro de Squirrel Hill em Pittsburgh, centro histórico da comunidade judaica na cidade.

O governador da Pensilvânia, Tom Wolf, disse no Twitter que detalhes sobre o caso ainda estão sendo apurados. "É uma situação séria", escreveu. Ele classificou o tiroteio como uma "tragédia absoluta".

O presidente Donald Trump também tuitou sobre o episódio. "As pessoas em Squirrel Hill devem permanecer protegidas. Parece que há várias fatalidades. Cuidado com o atirador. Deus abençoe todos."
A man holds his head as he is escorted out of the Tree of Life Congregation by police following a shooting at the Pittsburg synagogue.
Tiroteio em sinagoga

Um atirador abriu fogo na sinagoga Árvora da Vida, no bairro de Squirrel Hill, no leste da cidade de Pittsburgh, na manhã deste sábado (27).

O comandante Jason Lando recomendou que as pessoas se abriguem e relatem qualquer atividade incomum no local. "Não saia da sua casa agora, não é seguro", afirmou, segundo a Reuters.

O prefeito de Pittsburgh, Bill Peduto, também disse que todos os moradores do bairro devem permanecer dentro de suas casas até novo aviso.

Police respond to an active shooter situation at the Tree of Life synagogue on Wildins Avenue in the Squirrel Hill neighborhood of Pittsburgh, Pa. on  Oct. 27, 2018.
Imagens da TV local mostraram a polícia na área com rifles e usando capacetes e outros equipamentos táticos. Os paramédicos também aparecem estacionados perto da sinagoga. Viaturas bloquearam algumas ruas da região.
A sinagoga está localizada na interseção das avenidas Wilkins e Shady. O bairro residencial de Squirrel Hill fica a cerca de 10 minutos do centro de Pittsburgh e é o centro da comunidade judaica da cidade.

26 de out. de 2018

E você, já elogiou alguém hoje?

E você, já elogiou alguém hoje?


E você, já elogiou alguém hoje?
Texto do rabino Moshe Lenczynski: Um jovem entrou em uma loja e pediu para fazer algumas ligações telefônicas. Ele fez a primeira ligação e perguntou ao homem do outro lado da linha se precisava de um jardineiro para cuidar de seu pomar. O homem respondeu que já tinha um jardineiro muito competente. Ele então fez uma outra ligação com a mesma pergunta e obteve a mesma resposta.

O jovem insistiu com as ligações oferecendo diversas vantagens, mas todos diziam que confiavam no jardineiro que já tinham.
O dono da loja encorajou o jovem. “Não fique deprimido, você ainda é jovem e com o tempo encontrará bons clientes que ficarão com você.
“Estou muito feliz com as respostas que recebi pois eu sou o jardineiro das famílias com quem conversei agora. Os clientes geralmente nunca dizem uma boa palavra para que eu possa continuar meu trabalho corretamente”.
Existe algo que todos nós gostamos de receber mas nem sempre gostamos de dar… Elogio e reconhecimento!!! É muito mais fácil criticar do que dizer uma boa palavra. Pense nisto!
Latam Airlines confirma voo direto de SP para Tel Aviv

Latam Airlines confirma voo direto de SP para Tel Aviv

Latam Airlines confirma voo direto de SP para Tel AvivA partir do dia 12 de dezembro, decolará o primeiro voo operado pela Latam Airlines para Tel Aviv a partir de Santiago (Chile) e com escala em São Paulo (Brasil). Ele será operado três vezes por semana com aeronaves Boeing 787, que acomodam 217 clientes em classe Economy e 30 em Premium Business. As passagens aéreas já podem ser adquiridas pelos passageiros
De Jerome Cadier, CEO da Latam Airlines Brasil“Com este novo voo para Tel Aviv, seremos a única empresa da região com voos próprios para Israel. Viajantes do Brasil, da Argentina e do Chile, por exemplo, poderão acessar facilmente Israel por meio deste novo voo”.
De Yariv Levin, ministro do Turismo de Israel“A abertura da rota direta entre Brasil e Israel é uma importante conquista, que fortalece a cooperação entre Israel e a América do Sul. Estou convencido de que esta nova rota, após muitos anos com conectividade limitada, criará uma conexão direta com os países da América do Sul, fortalecendo e impulsionando significativamente o tráfego de turistas desta região para Israel. Além disso, a nova rota facilitará a viagem de milhares de israelenses que desejam visitar a América do Sul”.
 A valsa de Waldheim

A valsa de Waldheim

 A valsa de WaldheimDepois de dez anos como secretário-geral da ONU, Kurt Waldheim deixou a carreira diplomática para concorrer à presidência da Áustria e foi eleito. Antes de tentar a reeleição, o jornal americano The New York Times revelou ao mundo um passado pouco comentado do político: ele fora capitão das Tropas de Assalto nazistas e participara da invasão na Iuguslávia.
 A valsa de WaldheimQuando uma onda de extrema-direita, com várias características fascistas, varre o globo e chega novamente ao poder na Áustria, o documentário A Valsa de Waldheim chega para falar sobre a manipulação, a construção do ódio e tantas outras características que possibilitam esse tipo de movimento reacionário.
O público é apresentado à questão austríaca nos meados dos anos 1980, com protestos contra o então candidato. A multidão toma a tela com cartazes contra o anti-semitismo e é repreendida pela polícia, que tenta dispersar a multidão. “Em uma democracia a polícia não pode fazer isso”, alguém grita. Do personagem principal, chegam discursos que exaltam a família e a religião, demonstrando o extremismo religioso que cada vez mais cresce no mundo.
As denúncias, amparadas pelo Congresso Mundial dos Judeus, são de apoio à tortura, execução e deportação de judeus. A posição de Waldheim é explorada várias vezes, em entrevistas dadas à época. A relativização das mortes é constante: “partisans foram mortos, mas vários alemães morreram também.”
O clima de tensão e polarização toma as ruas. Judeus protestam contra a candidatura, mas são agredidos e tudo o que dizem é considerado mentira. O anti-semitismo encontra legitimação na figura do presidente. O resto do mundo grita, mas é ignorado. “Quem sabe o que é bom para a Áustria são os austríacos”.
 A valsa de Waldheim
Tradicional na forma, com uma boa pesquisa de arquivo e uma narração batida, tudo o que se vê na tela, pode ser visto da mesma maneira fora da sala de cinema e não só dizendo respeito à volta do FPO ao poder na Áustria. Está em vários outros lugares do mundo e aqui, exatamente agora, no Brasil. Seguindo a onda bannoniana, que prega uma filosofia de exclusão e, para isso, usa a irrrealidade e a desconsideração de fatos e da verdade, as causas e reações de A Valsa de Waldheim, lá na Áustria, no final dos anos 1980, podem ser atualizadas e abrasileiradas prontamente.
É a roda da história que não para de girar e se repetir nunca. É o desconhecimento e a ignorância da história do mundo e que faz com que isso aconteça. E, mais triste, é aquilo que há de pior na raça humana que se aproveita de momentos como esse para legitimar o que há de mais odiento no indivíduo e nas relações sociais.
Um Grande Momento:
“Eles amam judeus, desde que não abram a boca.”
Próxima sessão na Mostra:
Dia 27, às 19h40 – Cinesala
Trailler

25 de out. de 2018

 Israel promete resposta dura ao Hamas

Israel promete resposta dura ao Hamas

 Israel promete resposta dura ao HamasIsrael foi deixado sem opção a não ser lançar uma ação militar contra o movimento Hamas, afirmou o ministro da Defesa israelense, Avigdor Lieberman. A afirmação surge em meio a relatos de que as Forças de Defesa de Israel (FDI) estão concentrando tanques ao longo da fronteira de Gaza.

Falando perante parlamentares israelenses, Lieberman disse que Israel chegou ao ponto de ruptura quanto à situação na Faixa de Gaza e "nada além de uma resposta dura ajudará", pois Tel Aviv "esgotou as outras opções".

"Guerras são conduzidas apenas quando não há escolha, e agora não há escolha", advertiu o ministro, citado pelo The Jerusalem Post.
O ministro acha ser impossível chegar a um acordo com o Hamas. "Isso não deu certo, não dá certo e não dará certo", sublinhou.
Nos últimos dias, surgiram muitas especulações sobre possível ofensiva de Israel em Gaza, pois as FDI deslocaram cerca de 60 tanques e veículos de transporte de pessoal para perto da fronteira palestina. Este pode ser o deslocamento de maior força militar desde a chamada Operação Margem Protetora de 2014.

Na semana passada, da Faixa de Gaza foram lançados dois foguetes: um atingiu a cidade israelenses de Be'er Sheva, danificando um prédio residencial, enquanto outro caiu no mar perto de Tel Aviv.
Em resposta, Israel lançou ataque aéreo, matando um palestino e ferindo alguns outros, e responsabilizou pelo ataque o movimento islamista Hamas, que controla a Faixa de Gaza.
Segundo afirmou Lieberman, a escalação na região é culpa do Hamas, pois na Palestina não há revolta popular e os que participam de protesto são pagos pelo movimento.

"15.000 pessoas não vão a pé para a fronteira por vontade própria. Eles vão de ônibus e são pagos", notou.

Os palestinos, por sua vez, dizem que protestam pela própria vontade para combater a opressão israelense.

Mais de 200 palestinos foram mortos e mais de 22.000 ficaram feridos desde início de março nos protestos na fronteira, a chamada Grande Marcha de Retorno.

24 de out. de 2018

Nacionalistas alemães posam entre vinhos com imagens de Hitler

Nacionalistas alemães posam entre vinhos com imagens de Hitler

Nacionalistas alemães posam entre vinhos com imagens de HitlerO partido de extrema direita 'Alternative for Germany' vai expulsar a parlamentar Jessica Biessmann, por posar junto a garrafas de vinho com imagens de Hitler; "São fotos antigas", afirmou; um outro membro do partido renunciou, após ser fotografado com uma suástica.
“O partido alemão de extrema-direita Alternative for Germany iniciou o processo de demissão da legisladora regional, Jessica Biessmann, que posou para uma foto ao lado de garrafas de vinho com imagens do líder nazista Adolf Hitler”, informou a agência de notícias alemã DPA.

As fotos de Biessmann, postadas nas redes sociais, provocaram um rugido de desaprovação entre os membros do partido da Alemanha, que pediram ao Serviço Federal de Inteligência alemão para investigar o caso.

Jessica Biessmann
Em resposta, Biessmann afirmou que a foto tem mais de dez anos. As garrafas de “vinho de Hitler" estão disponíveis para compra na Itália, mas a exibição pública de símbolos nazistas é ilegal na Alemanha. Vários pedidos para que a agência de inteligência interna da Alemanha monitorasse o partido, Alternative for Germany, sobre as preocupações do extremismo foram solicitadas.
O jornal Thüringer Allgemeine relatou que Björn Höcke, um membro sênior da AFD na Turíngia, deixou a Alemanha depois que fotos suas foram divulgadas, mostrando-o ao lado de uma toalha que tinha uma suástica em sites relacionados à Hitler.

Nacionalistas alemães posam entre vinhos com imagens de Hitler
Björn Höcke
Estes são apenas alguns escândalos associados à Alternative for Germany. Em fevereiro, o partido também demitiu  um membro que supostamente chamou um funcionário alemão de "covarde" e "traidor", pelo plano fracassado de 1944 de assassinar Hitler. O jornal Die Welt informou que Lars Steinke, chefe da ala juvenil do partido, no Estado da Baixa Saxônia, postou um comentário em sua página no Facebook, de modo privado, do coronel Claus Schenk Graf von Stauffenberg, e descreveu a trama do assassinato como "uma tentativa vergonhosa e covarde de salvar sua própria pele”.
Pedido para comentar a reportagem, Steinke disse à Reuters que a mensagem “foi uma declaração “não pública”, por isso ninguém encontraria nada”.

Nacionalistas alemães posam entre vinhos com imagens de Hitler
Jessica Biessmann posando com “vinhos de Hitler”
Ainda de acordo com o Die Welt, Steinke argumentou que "a guerra era, ao contrário da propaganda de hoje, não uma guerra contra Hitler, mas contra a Alemanha e o povo alemão, e que Stauffenberg não era herói".
O co-líder da AFD, Alexander Gauland, descreveu os comentários de Steinke como uma idiotice infundada. “Stauffenberg é um herói da história alemã. Steinke se desqualificou do ADF. Ele deveria ser excluído”, disse.
A AFD tornou-se o terceiro maior partido do parlamento nacional, após as eleições de setembro. Ele ganhou cerca de 13% dos votos, beneficiando-se das preocupações com a chegada de mais de um milhão de imigrantes desde meados de 2014. Comentários questionáveis ??sobre a era nazista, por membros proeminentes e o manuseio deles pela liderança, têm sido uma questão recorrente para o partido.
Eleições municipais em  Ramla tem cartazes contra assimilação

Eleições municipais em Ramla tem cartazes contra assimilação

Eleições municipais em  Ramla tem cartazes contra assimilaçãoNo pano de fundo das eleições municipais em Ramla, cartazes com a legenda "Centenas de casos de assimilação e ninguém se importa - amanhã pode ser sua filha", provocam protestos entre os residentes árabes.
Banners do partido Bayit Yehudi (Lar Judaico) apareceram esta semana na cidade de Ramla, onde árabes e judeus convivem juntos e provocaram protestos. 
As imagens trazem uma jovem vestindo um hijab e a legenda: "Centenas de casos de assimilação e ninguém se importa - amanhã pode ser sua filha! Apenas um forte Bayit Yehudi manterá uma Ramla Judaica".
O candidato da Joint List, para o conselho da cidade de Ramla, Jessan Munir, ameaçou apresentar uma queixa à polícia se as bandeiras racistas não fossem removidas.
"Isso é racismo e exploração de propaganda racista na tentativa de ganhar alguns votos. Eles, o Bayit Yehudi, não se importa em destruir a coexistência única entre árabes e judeus, desde que isso lhes dê mais votos. Exigimos a remoção imediata destes banners. Aqueles que orquestraram isso devem saber que estão desencadeando uma violência e provocação”, afirmou o candidato. "Esperamos que o comitê eleitoral municipal ordene a remoção das propagandas e solicite à polícia que se envolva para prevenir o perigo para o público", concluiu.
Os chefes da ONG Sikkuy (Chance), que promove a coexistência entre árabes e judeus, também condenaram o incidente. A ONG pediu ao Procurador Geral que expresse sua desaprovação em relação ao racismo nas campanhas eleitorais.
O presidente do conselho da Sikkuy, Ron Gerlitz, disse ao site da Ynet que "o partido Bayit Yehudi está liderando uma campanha baseada em mentiras, cujo objetivo é causar uma ruptura e criar uma barreira entre os residentes de Ramla. Os candidatos da Bayit Yehudi e seus assessores estão dispostos a instigar a violência na cidade, desde que seja do seu interesse".
A presidente do partido Meretz, Tamar Zandberg, dirigiu-se ao comitê eleitoral central e afirmou que “o conteúdo dos banners viola o código penal e a proibição de incitação à propaganda. As faixas contêm animosidade em relação aos residentes muçulmanos de Ramla. A legenda “ninguém se importa” é um apelo perigoso, mesmo que não seja inequívoco para tomar uma ação ativa contra a assimilação".
Zandberg chamou os banners do Bayit Yehudi de uma “odiosa campanha racista, que ignora o fato de que, após as eleições municipais, os residentes árabes e judeus de Ramla terão que continuar coexistindo lado a lado”.
Bayit Yehudi divulgou um comunicado afirmando que "a posição do partido em relação à assimilação é clara, o povo judeu deve preservar seu caráter nacional, tradição, religião, cultura e patrimônio. Ao mesmo tempo, uma campanha eleitoral deve ser conduzida com dignidade e respeito pelos outros".

23 de out. de 2018

Sobrevivente do Holocausto fala sobre a superação do pós-guerra

Sobrevivente do Holocausto fala sobre a superação do pós-guerra

Sobrevivente do Holocausto fala sobre a superação do pós-guerraFoi com olhares atentos que estudantes do ensino médio da Escola Estadual Zélia Costa de Almeida, no Jardim Presidente II, em Cuiabá, participaram do encontro com um dos 318 judeus de origem holandesa que sobreviveram ao Holocausto durante a 2º Guerra Mundial. O economista Louis Frankenberg esteve na cidade e falou sobre os momentos vividos no campo de concentração, ainda na infância, e na busca pela sua identidade.

Encontro foi uma extensão do projeto de leitura da unidade escolar, que contemplou o livro O Diário de Anne Frank

Para os alunos, o entendimento histórico sobre o conflito teve início com projeto de leitura da escola, como explica a coordenadora Lucinda Gavilha. “Percebemos que muitos dos nossos estudantes chegam ao ensino médio sem o contato real com a leitura. Então, desde abril, tiramos um tempo na rotina escolar para praticá-la”, lembra.

Dentro dos debates com os professores sobre qual obra seria adotada, o professor de história, Yuri Chaya Piraccini, sugeriu o livro O Diário de Anne Frank, que conta a trajetória de uma jovem judia holandesa, que passou anos escondida no sótão de uma casa em Amsterdã, fugindo dos nazistas.

“O conteúdo foi pensado dentro da temática de histórias e conflitos de guerra na sociedade mundial e memória viva. O livro retrata isso. Fizemos uma parceria com uma livraria e foram comercializados 150 livros e a escola foi contemplada com 10 unidades para a biblioteca”, lembrou Lucinda.

Louis em Cuiabá

O economista esteve na Capital para uma palestra na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e após alguns contatos, o professor Yuri conseguiu levá-lo até aos estudantes. Muito aplaudido, Louis falou sobre a busca pelo próprio passado.

“Eu tinha sete anos quando a guerra começou, em 1939. No mesmo ano fui pego pelos soldados e enviado primeiro para o Campo de Concentração de Westerbork, e depois para Therensienstadt”, lembrou.

Os seis meses que passou aprisionado pelos alemães, apesar de traumáticos, resultaram em uma história de superação. Ele perdeu os pais – mortos em um dos campos de concentração – viveu longe de sua irmã, que fugiu, foi adotada e viveu de forma clandestina até o final da guerra.

“Nesse processo todo, perdi minha identidade, não sabia mais quem eu era. Foi aí que em 1988 comecei a buscar pela minha história, juntando com o que tinha na memória, com o que os livros relatavam”.

Louis recorda que dos 103 mil judeus holandeses presos no maior campo de concentração da Holanda, apenas 15% deles sobreviveram. Recordou ainda que ele só pode contar a história hoje, graças a um primo distante, que era soldado e reconheceu o seu nome na lista dos prisioneiros.

“Ele correu para falsificar um atestado de batismo na religião evangélica e com isso, não fui mandado para o campo de extermínio junto com outros 3.751 judeus, que foram para o campo mais famoso, o de Auschwitz, na Alemanha”.

Com o fim da guerra, sem a família, ele passou por muitos lares. Emocionado, lembrou dos momentos difíceis ao ser “adotado” por pessoas desconhecidas. “Eu só queria amor e eu não tinha”, finalizou.

Hoje, um dos economistas mais bem-sucedidos no país, com diversos livros publicados na área, se orgulha da família construída no Brasil. Ele é casado e tem três filhos. A família toda conta com 31 pessoas, momento em que aponta para uma foto do grupo projetada na parede.

Memória Viva

Para a estudante do 1º ano do ensino médio, Vivian Balestiro, de 15 anos, o encontro foi emocionante e ela jamais imaginaria vivenciar uma situação parecida.
“Estamos falando sobre de um dos piores crimes contra a vida humana e ele sobreviveu. Nunca pensei que teria a oportunidade de estar de frente com um sobrevivente desse período, estou emocionada”, disse.

A estudantes segurava um exemplar do livro O Diário de Anne Frank e Louis revelou que, apesar de não ter nenhuma memória sobre a jovem, há uma grande possibilidade de terem ficado no mesmo espaço, especialmente durante a distribuição dos prisioneiros para os campos da Alemanha.

“A vinda dele é uma aula inimaginável aos alunos. É uma memória viva, é resgate. Vejo que os estudantes souberam valorizar essa presença e, ainda mais, vão levar a mensagem de superação que o Louis deixa para nós. É um dos maiores momentos da escola”, finalizou a coordenadora Lucinda.
Israel descobre novo posto de observação do Hezbollah na fronteira com o Líbano

Israel descobre novo posto de observação do Hezbollah na fronteira com o Líbano

Israel descobre novo posto de observação do Hezbollah na fronteira com o LíbanoIsrael descobriu recentemente um posto de observação do grupo xiita libanês Hezbollah perto de sua fronteira com o Líbano, disse uma autoridade do Exército israelense.
A nova posição do Hezbollah, organização declarada como inimiga de Israel, está localizada perto da cidade libanesa de Al Adisa, a um quilômetro da fronteira com o território israelense, em frente ao kibutz Misgav Am.
Este posto é o sexto identificado por Israel ao longo da fronteira com o Líbano e foi estabelecido como se fosse realizar atividades da ONG Green Without Borders (Verde Sem Fronteiras).
Israel alega que na verdade é um posto do qual o Hezbollah observa as operações do exército israelense na fronteira.
"Não há pássaros nem florestas aqui", disse o funcionário que forneceu as informações à mídia israelense.
O funcionário observou que "o Hezbollah constrói infraestruturas militares ao longo da fronteira com seus homens, que se movem armados quando olham para o lado israelense da fronteira, esta é uma estrutura militar disfarçada de civis".
Soldados de Israel neutralizam terrorista da Palestina

Soldados de Israel neutralizam terrorista da Palestina

Soldados de Israel neutralizam terrorista da Palestina
Um soldado de Israel ficou ferido em ataque na cidade de Hebron.

Um terrorista da Palestina foi morto nesta segunda-feira (22) em Hebron, sul da Cisjordânia, pelas forças de segurança de Israel depois que feriu um soldado com uma faca.
O anúncio foi feito pelo Exército do Estado hebreu, conforme noticiou o AFP.
O atentado aconteceu perto do Túmulo dos Patriarcas – conhecida como Mesquita de Ibrahim para os muçulmanos, local venerado por judeus e adeptos do Islamismo, cenário de vários ataques no passado.
Semana passada, outro palestino foi neutralizado após também tentar esfaquear um soldado israelense.
Como a Alemanha usa as escolas contra mentiras sobre o nazismo e o Holocausto

Como a Alemanha usa as escolas contra mentiras sobre o nazismo e o Holocausto

Como a Alemanha usa as escolas contra mentiras sobre o nazismo e o Holocausto Idas a campos de concentração fazem parte da abordagem pedagógica sobre o Holocausto Getty Images

Adoção do tema enfrentou resistência de conservadores de direita, que argumentavam contra a cultura de memória, alegando que a questão precisava acabar.
O recente episódio em que um grupo de brasileiros que não acreditam no Holocausto contestou um vídeo publicado no Facebook pela Embaixada da Alemanha em Brasília colocou luz sobre uma necessidade que o governo alemão já elegeu há décadas como prioridade nas políticas públicas: garantir que a verdade sobre a história do nazismo não seja perdida entre mentiras e boatos espalhados tanto entre adultos quanto crianças.
O genocídio de cerca de seis milhões de judeus conduzido pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial é um dos episódios mais sombrios da História. Por isso, na Alemanha, o Holocausto não é visto apenas como um fato histórico comum; tal abordagem se reflete, inclusive, na maneira e na frequência com que o tema é tratado em sala de aula.
Quando estavam na 9ª série e tinham 15 anos, os alunos berlinenses Willy Hanewald e Franz Kloth tiveram as primeiras aulas sobre o Holocausto. Seus professores de História apresentaram o tema em sala de aula e, posteriormente, organizaram excursões a memorais.
Willy, que estuda numa escola pública, foi com sua turma ao campo de concentração Sachsenhausen, localizado nos arredores de Berlim. Já a escola privada onde Franz estudava organizou uma viagem a Auschwitz, na Polônia.
"A excursão foi uma experiência muito mais marcante do que a abordagem em sala de aula. Acho que é impossível compreender profundamente a dimensão do Holocausto sem nunca ter estado num campo de concentração", diz Willy, de 17 anos.
Franz, de 18 anos, teve a mesma impressão que o colega e destacou outra experiência que o marcou: uma palestra de um sobrevivente do Holocausto. "Essas atividades são importantes, pois somente imagens em preto e branco não são suficientes para compreender completamente o que aconteceu", ressalta.
Os dois jovens fazem parte do Comitê de Alunos de Berlim que defende a implementação da obrigatoriedade da visita a campos de concentração financiada pelo governo no currículo escolar - o que atualmente não acontece. "Vivemos atualmente um período cultural muito frágil, precisamos sempre relembrar o que aconteceu e como aconteceu para isso nunca voltar a acontecer", diz Franz.
Contra equívocos e falta de informação
No episódio recente, um grupo de brasileiros que contestam a existência do Holocausto rebateu nas redes sociais o vídeo da embaixada alemã, alegando que as informações publicadas ali eram inverídicas e que o nazismo seria uma ideologia criada pela esquerda.
Nas escolas da Alemanha, a abordagem pedagógica sobre esse capítulo histórico procura promover uma reflexão crítica sobre o passado e a sociedade, além de buscar evitar que esses crimes voltem a ocorrer no futuro.
"O ensino sobre o Holocausto lembra as pessoas dos perigos que elas mesmas estão vulneráveis se expostas a propaganda intolerante, preconceitos, injustiças, humilhação e violência potencial", afirma Peter Carrier, coordenador de um projeto de pesquisa da Unesco sobre o Holocausto na educação, promovido pelo Instituto alemão Georg Eckert.
Atualmente, o Holocausto faz parte da grade curricular na 9ª ou 10ª série, quando os alunos têm cerca de 15 anos. "A tematização do Holocausto e do Nazismo é uma parte obrigatória no currículo de História em todos os Estados da Alemanha", afirma Detlef Pech, professor de pedagogia na Universidade Humboldt de Berlim.
Apesar de a política educacional na Alemanha caber aos governos estaduais, a Conferência de Secretários de Educação, órgão nacional que faz recomendações sobre o ensino, começou a sugerir na década de 1960 uma abordagem mais profunda sobre o Holocausto em sala de aula.
Os professores têm liberdade para desenvolver diversas atividades pedagógicas sobre o tema, entre as quais estão visitas a memorais. Porém, essas atividades não são obrigatórias e sua realização depende exclusivamente da vontade e do empenho dos educadores.
Controvérsia e resistência
O modelo pedagógico atual é resultado de um debate público que floresceu no fim da década de 1970 na Alemanha Ocidental, com a exibição da série americana Holocausto, que retratou a história do genocídio a partir da perspectiva de uma família de judeus alemães e contou com a participação de Meryl Streep e James Woods.
Além de contribuir para o debate sobre o tema em sala de aula, a exibição da série introduziu o termo Holocausto no país. Até então, o episódio era tratado como perseguição e morte de judeus. Essa discussão pública também impulsionou mudanças na abordagem pedagógica sobre o tema.
"Foi um processo que começou no fim da década de 1970 com a adoção da perspectiva das vítimas nos livros escolares. Esse processo, porém, variou bastante entre os Estados e dependeu muito dos governos que tinham na época", afirma a historiadora Juliane Wetzel, do Centro para Pesquisa Antissemita da Universidade Tecnológica de Berlim.
Alunos também ouvem depoimentos de vítimas e visitam memoriais que lembram o HolocaustoSegundo Peter Carrier, coordenador de um projeto de pesquisa da Unesco sobre o Holocausto na educação, há duas maneiras principais de contextualizar o tema em escolas: no âmbito de sistemas políticos num bloco classificado como "Democracia e Ditadura", como ocorre em Berlim; ou no âmbito de regimes políticos históricos chamado de "Nacional-Socialismo", como no Estado de Hessen.Alunos também ouvem depoimentos de vítimas e visitam memoriais que lembram o Holocausto
A introdução da perspectiva das vítimas também refletiu em mudanças na formação dos professores. Atualmente, diversos cursos extracurriculares para educadores sobre a abordagem pedagógica do Holocausto são oferecidos por, entre outros, memoriais e instituições de ensino.


Foi na década de 1970 que os alemães começaram a usar o termo "holocausto"

AFP/Getty
Formação do professor e desafios
Foi na década de 1970 que os alemães começaram a usar o termo "holocausto"A transformação na visão de ensino sobre o Holocausto ao longo das últimas décadas refletiu ainda em mudanças na formação dos professores. Atualmente, diversos cursos extracurriculares para educadores sobre a abordagem pedagógica do tema são oferecidos por, entre outros, memoriais e instituições de ensino.
Ao longo deste processo de adoção desta visão mais crítica, porém, nem sempre essa abordagem fluiu perfeitamente. Wetzel conta que, no passado, houve casos de exageros cometidos por professores, que acabaram culpando e chocando alunos com os horrores do Holocausto, o que levou alguns jovens a não querer mais tocar no tema.
Além destes percalços, essa transformação pedagógica enfrentou ainda, desde o início, resistências de conservadores de direita, que argumentavam contra a cultura de memória alegando que o tema é passado e um ponto final deveria ser colocado na questão.
Atualmente, com o avanço de populistas de direita, que possuem representantes em 14 das 16 assembleias estaduais e também no Parlamento alemão, essa abordagem tem sido colocada novamente em dúvida por esse grupo.
Em junho, o líder do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), Alexander Gauland, minimizou o nazismo. "Hitler e os nacional-socialistas não foram mais do que um cocô de pássaro em mil anos de uma história alemã de sucesso", disse. Outro integrante da legenda, Björn Höcke chegou a chamar o Memorial aos Judeus Mortos da Europa, localizado em Berlim, de "monumento da vergonha".
Diante dessas tentativa de minimizar o passado, para muitos educadores essa visão de ensino se faz mais necessária do que nunca. "O Holocausto é um ponto central da história da Alemanha, numa época em que a Alemanha trouxe muita desgraça para o mundo. O significado central deste período não deve ser subestimado. As ameaças da democracia e o que ocorre com o fim democracia também são aspectos importantes", destaca Tobias Funk, diretor na Conferência de Secretários de Educação.


O líder do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), Alexander Gauland, minimiza o nazismo O líder do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), Alexander Gauland, minimiza o nazismo

Getty Images
Carrier ressalta que o ensino sobre o Holocausto é importante para lembrar as pessoas dos perigos aos quais elas estão vulneráveis.
Já Wetzel destaca que o conhecimento sobre esse passado é fundamental para o entendimento de debates e decisões políticas atuais da Alemanha. A pesquisadora acrescenta ainda que a compreensão sobre o Holocausto, o nazismo e o assassinato de minorias praticados nesta época pode ajudar a desenvolver empatia por temas atuais, como a crise migratória e os refugiados que vieram para o país.
O avanço da extrema-direita e a divulgação de notícias falsas representam, no entanto, um desafio para educadores. "Os professores precisam aprender como ajudar os jovens a não acreditar em tudo que leem na mídia e a questionar", afirma Carrier. Para isso, memoriais oferecem excelentes materiais didáticos, muitos disponíveis na internet.
Para Wetzel, a abordagem pedagógica sobre Holocausto é um processo em constante transformação. "A cada nova geração, a abordagem e transmissão desse tema aos jovens deve ser repensada. Atualmente, ela é mais histórica, mas não deve ser tratada como o Império Romano, por exemplo. A responsabilidade alemã deve ser deixada clara, porém, sem sobrecarregar os alunos e sem declará-los culpados", avalia a pesquisadora.