Yom Kippur dia do perdão no Recife

Yom Kippur dia do perdão no Recife
Foto: Dani Neves / Acervo JC Imagem

Além de rezas e súplicas, um jejum total de água e comida marca as 25 horas da austera festa em que os judeus clamam pelo perdão divino

'Escutar o som do shofar é escutar o momento em que você está diante do criador', afirma Renato Athias, judeu marroquino e professor universitário

Jennifer Thalis


O Yom Kippur é uma das celebrações mais importantes do calendário judaico, que já está no ano de 5779, e a partir do cair da tarde desta terça-feira (18), mais um 'dia do perdão' começa para todos os judeus espalhados ao redor do mundo.



Além de rezas e súplicas, um jejum total de água e comida marca as 25 horas da austera festa em que os judeus clamam pelo perdão divino. Nada também de roupas ou sapatos de couro, banho, cuidados com o corpo ou relações conjugais. O momento é de completa humilhação e remete à antiga prática hebraica, de mais de 3 mil anos, que consistia em jejuar e cobrir o corpo de cinzas, clamando pelo socorro divino ante uma ameaça inimiga ou uma eminente destruição.
Em Israel, às 3 horas da manhã, judeus já se reuniam em torno do Muro das Lamentações para rezar "selichot", preces matinais que antecedem o Yom Kippur. 

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Apesar das privações que marcam a solenidade, o momento é extremamente ansiado pelos judeus. No Recife, muitos se reunirão na sinagoga Kahal Zur Israel, localizada na Rua do Bom Jesus, e na sinagoga Beit Shmuel, na Rua Martins Júnior, ambas no Bairro do Recife. "É um momento esperado. Você se sente mais ligado com os judeus do mundo inteiro. Nesse dia, você será inscrito no livro dos justos, e um dia de se sentir justo também", afirma Renato Athias, professor universitário e judeu marroquino. Nascido no Pará e criado dentro dos costumes judaicos, Renato parou de ir à sinagoga na juventude por motivos de rebeldia. "Voltei a frequentar depois", relatou Renato, que estará nesta terça no local sagrado.


Foto: Ashlley Melo / Acervo JC Imagem



"Emocionante". É a palavra que o universitário Tiago Geraldo, judeu sefaradita, usa constantemente para descrever o Yom Kippur. Frequentador da sinagoga Beit Shmuel há cerca de 10 anos, Tiago revela que são três os momentos comoventes durante a celebração do dia do perdão. Primeiro, "abertura do serviço". "Começa com a anulação das promessas feitas, que podem ter sido cumpridas ou não. Muita gente considera isso um momento em que os judeus se livram das responsabilidades, mas a gente tem consciência de que [a reza] não serve para isso. Esse momento só vale para as promessas feitas sobre coação, e mesmo que não passemos por situações assim hoje em dia, é algo que ficou da nossa tradição", conta.

Súplica pelos pais

 O segundo momento marcante é durante a oração ''kadish". "É o momento em que é feita uma oração pelos pais e familiares mortos. Quem tem pais e mães vivos, nesse momento, se retira do ambiente, na tradição judaica. É emocionante. É o momento em que eu lembro dos meus pais, das pessoas que não estão mais comigo, um momento particular e de intima reflexão".

Momento final

O terceiro momento relatado por Tiago é o que vem ao final das 25 penitentes horas de jejum e rezas. "É o momento em que a porta em que é guardado os rolos da Torah [livro sagrado do judaísmo] é fechada. E então é tocado o shofar [um dos instrumentos de sopro mais antigos do mundo] e se encerra o jejum. É como um rei que saiu do seu reino e passeou pela cidade. Nós, na multidão, gritamos e suplicamos a ele: "Rei, olhe por mim, lembre-se da minha mãe, do meu pai". O rei termina sua caminhada e volta ao palácio. Enquanto os portões deste se fecham, continuamos clamando, e então não há nada mais a se fazer. É como se eu tivesse apresentado ao juiz todas as minhas defesas. É emocionante."
A mesma sensação é partilhada por Renato Athias. "Escutar o som do shofar é escutar o momento em que você está diante do criador. ''Kippur'' é uma palavra em hebraico que significa cobrir, e a gente espera que tudo que foi feito contra Deus seja perdoado", conclui.
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