Dúvidas sobre saúde de Abbas alavancam disputa sucessória

Dúvidas sobre saúde de Abbas alavancam disputa sucessóriaJerusalém -Israel   Ele enfrenta rumores diários a respeito de sua saúde e sanidade. Mas, paradoxalmente, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, tem se tornado um pouco mais popular.
Aos 83 anos e no poder há 13, Abbas, conhecido como Abu Mazen, entra e sai de hospitais rotineiramente, sempre envolto numa bruma de boatos sobre doenças graves e uma possível demência.
As dúvidas sobre sua capacidade de continuar liderando a ANP, porém, não parecem abalar mais seus índices --apesar da popularidade baixa, Abbas ainda aparece como favorito em uma hipotética eleição imediata.
Segundo pesquisa do Jerusalem Media and Communications Center (JMCC) divulgada em agosto, a aprovação de Abbas oscilou de 10,6% para 11,1% na comparação com janeiro. Mas 35,3% disseram que votariam em Abbas se houvesse eleições neste momento (algo que não parece estar no horizonte).
O arquirrival do presidente da ANP, Ismail Hanyia, líder político do grupo extremista Hamas, foi citado por 19,3% dos entrevistados.
Paralelamente, o apoio ao movimento Fatah --do qual Abbas faz parte e que é considerado por muitos como corrupto e ineficiente-- aumentou de 22,3% para 25%.
Pode parecer pouco, mas o resultado reverte uma tendência de impopularidade que ganhou força em meio à incerteza quanto ao futuro da liderança palestina.
A idade avançada e os problemas de saúde de Abbas alavancaram uma esperada guerra entre os possíveis sucessores.
Veterano no palco político, contudo, o líder palestino parece ter encontrado uma fórmula para se manter relevante, pelo menos por agora.
A ajuda inusitada e involuntária acabou vindo do presidente americano, Donald Trump. Quando, em dezembro de 2017, Trump anunciou o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel --passo condenado pelos palestinos, que pleiteiam a cidade como capital de um futuro Estado independente --, Abbas reagiu cortando laços com Washington.
A dramática medida, que perdura até hoje, foi aprovada pelo público interno.
Se, até então, os palestinos consideravam Abbas um líder morno e hesitante, o corte de relações foi encarado como uma decisão firme e determinada, própria de líderes fortes.
Ainda de acordo com a pesquisa do JMCC, 61% dos palestinos se opõem ao plano de paz que os americanos pretendem apresentar, do qual quase nada se sabe, e 80% acham que ele não vai oferecer nada de bom para os palestinos. (As negociações de paz entre israelenses e palestinos estão congeladas desde 2014.)
"Há uma guerra pela herança política de Abbas há muito tempo", diz o cientista político Menachem Klein, da Universidade Bar Ilan. "Mas ele está demonstrando uma força inusitada depois do anúncio de Trump."
Na avaliação de Klein, Abbas está tentando deixar um legado político possivelmente porque ele mesmo sente que está prestes a deixar o cargo: "Ele está endurecendo suas posições em relação aos EUA e a Israel, retomando discursos do passado. Assim, está conseguindo mais popularidade".
Para muitos, entretanto, as boas notícias para Abbas e o Fatah são efêmeras.
"O pequeno aumento na popularidade da liderança palestinos é temporário e tem a ver com a tensão atual com os EUA e com Israel", disse Ghassan Khatib, fundador do JMCC e ex-membro do gabinete palestino, ao site Al Monitor.
Para Khatib, o principal dado nas pesquisas é o do crescimento do número de palestinos que não se identificam com nenhum partido ou facção --fenômeno que encontra eco em outras partes do mundo. Nada menos do que 45,4% dizem que não sabem em quem votariam se as eleições fossem agora. (O pleito deveria ter sido realizado em 2009, mas é adiado constantemente).
A apatia e o desânimo são resultado de 13 anos de governo Abbas durante os quais os palestinos não sentem ter avançado em suas ambições nem na reconciliação interna entre o Hamas, que controla a faixa de Gaza desde 2017, e o Fatah, que governa a Cisjordânia.
"A apatia é resultado do pessimismo e da ausência de uma reconciliação verdadeira entre o Fatah e o Hamas", diz Khaled Abu Arafeh, ex-ministro palestino.
Em meio a tanta incerteza, o que parece mais realista é a percepção de que o governo Abbas não vai durar muito tempo dada a idade avançada do líder. Nos bastidores, e às vezes publicamente, os candidatos a sucessor de digladiam.
O mais popular é Marwan Barghouti, 59, uma celebridade do Fatah elevado a ídolo principalmente depois de ser preso numa cadeia israelense, em 2004, condenado por organizar vários atentados contra israelenses.
Pela lei palestina, caso algo aconteça com o presidente da ANP, o primeiro da fila é o líder do Conselho Legislativo Palestino. Atualmente o cargo é ocupado por Aziz Duwaik, 70, membro do grupo rival Hamas.
Se a prolongada disputa interna entre Hamas e Fatah não arrefecer, é difícil acreditar que o Fatah (e sua instituição-mãe, a Organização para Libertação da Palestina, OLP) aceite um membro do Hamas com presidente.
Outro possível candidato é Mahmoud al-Aloul, 68, vice-líder do Fatah. Se Abbas deixar a liderança do movimento, ele ocupará o cargo interinamente. Mas não seria imediatamente endossado, já que o Fatah convocaria o Conselho Revolucionário para escolher um novo líder e candidato à presidência.
Mais um nome é o do polêmico Jibril Rajoub, 65, ex-chefe dos Serviços de Segurança da Palestina.
Rajoub, conhecido pelo temperamento indócil, preside o Comitê Olímpico Palestino e a Federação Palestina de Futebol, da qual foi suspenso por um ano no último dia 24 por ter incitado torcedores palestinos a queimar camisas do jogador argentino Lionel Messi caso ele e a seleção argentina desembarcassem em Jerusalém para um amistoso com a seleção israelense.
As ameaças levaram os argentinos a cancelar a partida.
Correndo por fora, mas com chances aparentemente mais limitadas, aparecem nomes como o do general Majed Faraj, 55, diretor dos Serviço de Inteligência Palestino, e Mohammad Dahlan, 57, ex-líder do Fatah em Gaza.
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