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    Homem que baleou mulher e se matou integraria grupo de ódio


    Suspeita é de que ele teria usado o codinome Kyo em fóruns de racismo e ódio às mulheres, negros e homossexuais.

    O jovem André Luiz Gil Garcia, 29 anos, que atirou na nuca de uma mulher na noite de sexta-feira (15), em Penápolis, e depois se matou, supostamente estaria envolvido em pregação de ódio na internet. Ele teria usado o codinome Kyo em fóruns de racismo e exaltava o ódio às mulheres, negros e homossexuais.
    A professora de literatura em língua inglesa da UFC (Universidade Federal do Ceará), Dolores Aronovich Aguero, conhecida como Lola, diz ter sido uma das vítimas de ameaça de morte por parte de Garcia e de amigos dele. Ela relatou a história em seu blog, uma das principais páginas feministas do Brasil.

    Por telefone, ela contou à Folha da Região como soube da morte dele. Segundo a professora, os ataques por parte de Kyo e de outros membros do grupo denominado Sanctus começaram há nove anos, na rede social Orkut. Eles participavam de comunidades de misoginia (repulsa, desprezo ou ódio contra as mulheres) e de neonazistas, e passaram a atacar a professora e outras mulheres.

    Conforme Lola, a maioria desses homens é chamada de “incels”, termo em inglês para celibatários involuntários. Eles integram um grupo organizado que participa de fóruns de discussões na internet, em que falam sobre a solidão, insegurança ou frustração por não conseguirem se relacionar. Lola acredita que por esse motivo Garcia pode ter atirado contra a jovem, na sexta-feira.

    ASSÉDIO NEGADO
    Segundo a Polícia Militar, a jovem de 27 anos estava com uma amiga quando Garcia se aproximou para assediá-las. Diante da negativa sacou uma arma e atirou na nuca dela. A outra gritou, e ele fugiu. Ao ver uma viatura da PM, o homem baleou o próprio peito e morreu.

    A vítima passou por cirurgia na Santa Casa de Araçatuba para retirada de fragmento de bala em uma das vértebras. Ela está na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em estado grave, e não há informações se haverá algum tipo de sequela.

    Ainda na sexta-feira, Garcia postou em um dos fóruns que administra uma mensagem dizendo que iria se matar. Os seguidores apoiaram e pediram que ele “levasse a escória junto”, referindo-se a mulheres, gays e negros. Vários amigos postaram mensagens de apoio ao jovem, um deles dizendo que “condenou a vagabunda a uma cadeira de rodas, e que isso é pior que a morte”. Lola soube da morte porque os acompanha na internet.

    ENVOLVIMENTOS
    No mês passado, a Polícia Federal desencadeou a Operação Bravata, um desdobramento da Operação Intolerância, realizada em 2012, em que várias pessoas foram presas acusadas de associação criminosa, ameaça, racismo e incitação ao crime. Um dos presos na Bravata, Marcelo Mello, seria bastante ligado a Garcia. Mello, inclusive, foi preso na operação de 2012, mas saiu da cadeia pouco mais de um ano depois.

    Quando ele e outro jovem foram presos em 2012, Garcia continuou administrando um site de ódio que todos mantinham. A professora Dolores Aguero revela que “André Garcia permaneceu incógnito até 2015, quando se apaixonou por uma moça depressiva residente no Rio de Janeiro, neonazista, que lhe deu o mínimo de atenção. Ele conseguiu enganá-la, passando o nome de outra pessoa. Só que mostrou o rosto em vários vídeos misóginos”.

    O delegado que está apurando o caso em Penápolis, Jovair Gruppo, disse que ouvirá os familiares dele, e não tinha informações concretas do envolvimento nesses sites. A irmã de Garcia contou à Folha que o jovem era depressivo, fazia tratamento e não costumava sair de casa. Há algum tempo ele disse que recebia ameaças de morte, e chegou a registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil.

    A Polícia Federal de Araçatuba afirma que não possuía informações sobre o jovem, uma vez que as operações realizadas em 2012 e 2015 foram desencadeadas pela superintendência da PF. A Folha procurou a Polícia Federal, em Brasília, que informou que o órgão não se manifesta sobre investigações em andamento.

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