Drogas: Um Fogo Estranho
Por Simon Jacobson
Caro Rabino,
Agradeço por ter falado comigo outro dia. Suas palavras encorajadoras realmente me ajudaram em meu processo de desintoxicação. Como partilhei com você, fui um daqueles adolescentes sem juízo que começaram usando álcool e drogas para recreação – como uma coisa social, procurando diversão. Então tornei-me mais e mais dependente delas até que me tornei totalmente viciado. Procurar uma droga se tornou minha obsessão durante dia e noite. Eu mentia, roubava dinheiro, traía as pessoas que amava e aqueles que me amavam – qualquer coisa para conseguir me drogar.
Mesmo com a minha vida totalmente fora de controle, não consegui sair dessa armadilha até que cometi um dano real irreversível, que eu não podia mais ignorar (como partilhei com você, e prefiro não colocar por escrito). Somente então, quando cheguei ao “fundo do poço”, comecei a procurar ajuda.
Nenhuma magia pode abrir sua alma
Após anos, literalmente anos de reabilitação, estou apenas começando a ver alguma luz no fim do túnel. Minha pergunta a você é: além dos efeitos viciantes, destrutivos e doentios do abuso de substâncias, há algo errado em atingir um ponto alto com substâncias estranhas? Em outras palavras: se drogas e álcool não tivessem nenhum efeito adverso, a Torá teria algum problema com o uso delas para atingir uma elevação espiritual por intermédio delas?
Sei que essa pergunta pode parecer trivial comparada com minhas assustadoras experiências. Pode até parecer como se eu estivesse tentando encontrar alguma justificativa para seu uso. Garanto a você que não é isso. Mas me intriga entender a natureza daquele altamente induzido pelas drogas, e se eu puder desempenhar um papel, quando usado adequadamente, (se é que isso é possível), para atingir a transcendência. Agradeço pela sua ajuda, seu voto de confiança e acima de tudo a sua esperança contagiante que me dá força para continuar a minha luta.
David [nome trocado]

Resposta:

Caro David,
Além das palavras pessoais de encorajamento… primeiro hesitei em responder à sua pergunta exatamente porque parece completamente sem sentido. Você conhece totalmente o horrível abismo do vício em drogas. Então por que trazer à tona até a mais leve consideração sobre os possíveis benefícios de um estado induzido de consciência alterada?
Mas então reconsiderei e percebi que muitos outros podem ter a mesma pergunta. Além disso, parece importante discutir não apenas os sintomas, mas as verdadeiras raízes do vício.
Você pode ficar surpreso ao saber que sua pergunta é dirigida exatamente à própria Torá. Sim, muito antes da praga do abuso de substâncias em nossos tempos, temos um precedente que esclarece para nós esse tópico, bem como muitas outras questões sobre a eterna busca pela transcendência espiritual.
A Torá descreve e conclui um misterioso evento que ocorreu três capítulos antes:
Após o Santuário ser terminado, a Torá nos diz que os dois filhos mais velhos de Aharon, Nadav e Avihu: “Ofereceram um fogo estranho perante D'us, que Ele não tinha ordenado.”

O resultado:
“Um fogo veio de D'us e os consumiu, e eles morreram perante D'us.”

Após as mortes de Nadav e Avihu, D'us ordenou especificamente que seu exemplo não fosse repetido: “E D'us falou a Moshê, após a morte dos dois filhos de Aharon, que chegaram perto de D'us e morreram… Fala com Aharon teu irmão, que ele [seja cuidadoso para] não ir todas as vezes até o Eterno… para que ele não morra… [mas]com isso Aharon irá chegar ao local sagrado.” (Vayicrá 16:1-2)
A Torá continua com as condições sobre como entrar no Santo dos Santos. Rashi explica que esta ordem vem imediatamente após a declaração da morte dos filhos de Aharon, para adverti-lo que seu serviço a D'us não deveria ser como o de seus filhos.
O que está por trás das ações de Nadav e Avihu? Eles se comportaram corretamente ou não? Por um lado, eles foram obviamente homens notáveis que “se aproximaram de D'us;” por outro lado, “eles morreram” porque “ofereceram um estranho fogo perante D'us, que Ele não tinha ordenado.” E D'us está avisando Aharon para não se comportar como eles.
E qual é o significado do “estranho fogo” que eles ofereceram?
Acima de tudo, se os filhos de Aharon se comportaram erradamente por que é importante documentar sua triste história, que os apresenta sob uma luz negativa?
A chave para essa história está na palavra “fogo”. Fogo é paixão. Toda paixão vem do fogo da alma: “A alma do homem é o fogo de D'us.”
Como uma chama, uma alma sempre atinge o alto, lambendo o ar em sua busca por transcendência, somente para ser restringida pelo pavio descendo a chama até a terra. O fogo da alma quer desafiar os confins da vida; o espírito livre deseja planar ainda mais alto, sempre atingindo os céus. Como o fogo, o espírito aceso não pode tolerar a mediocridade e a monotonia do “pavio” inanimado do materialismo. Sua paixão não conhece limites quando anseia pelo que está além.
Mas assim como pode ser a fonte de nossa maior força, o fogo da alma, como qualquer fogo, também pode ser a causa de grande destruição.
Aqui está a história de Nadav e Avihu, duas almas extraordinárias:
Quando o Santuário sagrado foi terminado os filhos de Aharon, indivíduos profundamente espirituais, foram atraídos para entrar no santuário mais sagrado sobre a terra. Eles queriam sentir o êxtase do puro espírito do Templo. Na verdade, o comportamento dos dois filhos de Aharon não foi um pecado; era um ato de grande santificação, como Moshê diz a Aharon imediatamente após a tragédia:
“Isso é o que D'us falou, dizendo: ‘Eu serei santificado por aqueles que estão próximos de Mim.’”

Os sábios explicam, Moshês disse: “Aharon, meu irmão, eu sabia que o Santuário seria santificado por aqueles que eram amados e próximos a D'us. Quando D'us disse: ‘Eu serei santificado por aqueles próximos a Mim,’ eu penseique isso se referia a mim ou a você; agora vejo que eles – Nadav e Avihu – são maiores que nós dois.”
Rabi Chaim ibn Attar (o Ohr Hachaim) explica, que a morte deles foi:
“Por Divino ‘beijo’ como aquele sentido pelos perfeitamente justos. Somente [o problema foi que] os justos morrem quando o “beijo” Divino se aproxima deles, enquanto eles morreram por terem se aproximado dele… Embora eles sentissem sua própria morte, isso não os impediu de se aproximarem [de D'us] em apego, alegria, deleite, companheirismo, amor, beijo e doçura, a a tal ponto que suas almas saíram deles.”

A morte de Nadav e Avihu descrita na parashá Shemini foi um resultado de seu profundo anseio por uma experiência Divina. Seu erro foi que eles a iniciaram por si mesmos, e “egoisticamente” permitiram que o êxtase os consumisse. Seu pecado não foi se aproximarem do Divino, mas que morreram ao fazê-lo. Num sentido, eles queriam tanto isso, que correram até o fogo e se queimaram no processo. Seus corpos não puderam mais conter suas almas.
Assim a Torá diz “eles chegaram perto de D'us e (com tanta paixão que) eles morreram.” Por que a Torá acrescenta “e eles morreram” quando já tinha sido dito “após a morte dos dois filhos de Aharon?” Embora seja saudável se afastar de preocupações materiais, no momento em que você se coloca no supremo êxtase da alma, deve voltar novamente ao trabalho que a alma deve fazer para transformar a existência física. Nadav e Avihu atingiram o êxtase, mas não o retorno. Este foi seu pecado e o motivo para sua morte. Eles “chegaram perto de D'us e morreram.” Eles permitiram que sua paixão espiritual superasse sua tarefa de transformar o mundo. Eles escaparam além do mundo e além da própria vida.
Se sua motivação era pura, estimulada pela fogosa paixão da alma, por que então isso foi chamado de “um fogo estranho”?
Porque mesmo se sua intenção fosse boa, era motivada pelo seu desejo pessoal, embora um desejo espiritual, mas ainda definida pelos seus anseios subjetivos. Isso pode ter começado por razões Divinas, mas eles permitiram que se tornasse seu próprio interesse pessoal, chegando ao ponto da intensidade que os destruiu, assim tornando o “fogo” num “fogo estranho”, que “D’us não tinha ordenado.” Eles entraram em seus próprios termos, em seu próprio passo, pela própria escolha – não em termos de D'us.
E essa foi a razão pela qual eles realmente terminaram morrendo no processo. Porque o mesmo D'us que nos imbuiu com almas apaixonadas também nos ordenou a usar a paixão para não expirar em êxtase,  escapar do universo, não importa quão forte possa ser a escolha, mas a canalizar a paixão para baixo e transformar o mundo material no qual vivemos num lar Divino. Este é o propósito do Templo: “constrói-me um santuário (com materiais físicos) e Eu descansarei entre vocês.”
Assim, o supremo teste das intenções dos filhos de Aharon era sua incapacidade de integrar a experiência: se eles tivessem entrado pacientemente e humildemente em termos Divinos, eles teriam conseguido integrar a experiência em suas vidas e voltar a santificar seu mundo. A integração teria confirmado que eles não estavam fazendo isso para si mesmos, mas pela causa, por D'us. O fato de que eles se permitiram ser consumidos pelo próprio fogo espiritual, demonstrou que esse era sua “própria coisa”, não a de D'us, um fogo estranho, não ordenado.
“Após a morte dos filhos de Aharon,” Aharon é advertido a não entrar no Santo dos Santos como seus filhos fizeram. Mas sim, “com isso deve Aharon entrar no local sagrado” – em reverência, obediência e auto-abnegação. E dessa maneira ele poderia “fazer expiação para si mesmo e para sua casa” no dia mais sagrado do ano, Yom Kipur, e pronunciar uma prece para o sustento de Israel – atos de preocupação pelo mundo.
Em outras palavras, o fator determinante se o fogo da alma será uma força construtiva ou destrutiva depende da motivação da pessoa, como ela começa sua jornada espiritual: se é uma experiência auto-indulgente, motivada basicamente por desejo e interesse pessoal, então você não deseja voltar de seu êxtase particular para as necessidades do mundo, e o fogo inevitavelmente irá consumir você. Se, no entanto, é motivado pela dedicação altruísta e total rendição ao Divino, então dentro desse êxtase, o desejo de retornar e santificar o mundo sempre estará implícito, e o fogo elevará você e seu mundo a alturas exaltadas.
Na famosa história talmúdica dos “quatro que entraram no jardim” (uma experiência mística) somente Rabi Akiva começou a jornada com a atitude correta: ele “entrou em paz e (portanto) saiu em paz.” Como ele entrou com humildade, em obediência à vontade Divina e procurando unir os mundos mais elevados e mais baixos, por isso ele saiu em paz. Sua intenção de retornar estava implícita no início de sua jornada de êxtase religioso. Embora os outros três – Ben Azzai, Ben Zoma e Acher – todos entrassem por outras razões, que determinavam como eles emergiram. Ben Azzai entrou procurando êxtase, não retornou; portanto ele “olhou e morreu”. Ben Zona “olhou e foi abalado” (enlouqueceu). Acher “mutilou os planos” (i.e., tornou-se um apostata).
Somos informados sobre a história dos filhos de Aharon a fim de nos ensinar uma lição valiosa sobre nossas próprias experiências de vida: cada um de nós contem uma alma poderosa, com fogo em seu interior. Cada um de nós irá, a certa altura, encontrar oportunidades espirituais; momentos apaixonados que irão aumentar e acender nosso fogo, imbuindo transcendência – a necessidade de conquistar além da lida diária. Transcendência pode adotar muitas formas: espiritualidade, música, romance, viagem, ou sexualidade, para citar apenas algumas.
Como você age nessas horas – quando as chamas da sua alma estão acesas –irá definir o destino de sua vida.
Isso explica por que a porção dessa semana é conhecida pelo nome “depois” ou “depois da morte”. Por que dar um nome estranho à porção da Torá – “após a morte”? Por que enfatizar a morte trágica deles?

A Torá está nos dizendo que a “morte” dos dois filhos de Aharon – tanto a morte em si, como “após a morte” – nos ensina uma lição vital, na verdade uma lição dupla:
1 – A busca e necessidade pela transcendência, o anseio e a vontade por uma altura espiritual é saudável e um ingrediente necessário na jornada humana. Todas as grandes conquistas do homem, seus atos nobres, seus amores mais profundos – vêm do fogo apaixonado da alma.
2 – Porém, como ocorre com todas as coisas poderosas, deve ser tomado grande cuidado para que a experiência espiritual não “queime você totalmente”, mas seja integrada em sua vida.

O fogo de nossas almas, como qualquer fogo, pode ser a fonte de sustento (fogo saudável), ou… um inferno (“fogo estranho”). O desafio é grande. A escolha é nossa. Aqui está a dupla lição positiva dos filhos de Aharon, ambas da sua morte e “após a morte”.
A morte deles nos ensina como não entrar no Santo dos Santos sem ser convidado, a não entrar pela nossa iniciativa, a qualquer hora que escolhermos, a não entrar como um resultado do nosso desejo pessoal; “após a morte” nos ensina a como entrar – “com isso Aharon deve entrar no local sagrado” – com total humildade, com sensibilidade e acima de tudo, imergindo totalmente e se sublimando na experiência.
Vamos agora voltar à questão das drogas e álcool. O problema essencial em induzir uma altura (espiritual) através de substâncias estranhas é triplo: 1) É motivado pelo desejo pessoal,  portanto 2) você não adquiriu seu direito de entrada, e 3) não será integrado na vida diária. Será uma fuga.
E esta é precisamente a razão pela qual substâncias estranhas são viciantes e assumem controle da sua vida. Como implicam seus nomes, elas e os estados alterados de consciência que induzem são substancias estranhas – “um fogo estranho” – que não pertence a você. Por um momento breve, mas temporário, elas têm o poder de transportar você a outro lugar. Mas você não pertence ali e não conquistou seu caminho. Não tendo pago sua taxa, o “fogo estranho” vai voltar para cobrar a dívida; vai assumir controle da sua vida até consumir você.
Em contraste, quando você adquire seu direito – através do trabalho árduo, altruísta da anulação do ego – então a espiritualidade emergente leva você a grandes alturas.
A fórmula é assim: experiências superficiais são exatamente aquilo – experiências que são sentidas com suas ferramentas sensoriais. Experiências reais – amor, verdade, saúde, felicidade, sexualidade, espiritualidade – são exatamente o oposto: assim que você as sente, assim que se torna cônscio de si mesmo, suas necessidades e sua busca – você perde a capacidade de “possuir” a experiência.

Por quê? Porque uma experiência real não é uma experiência; é um estado de ser. Saúde por exemplo não é um verbo, mas um substantivo. Não tem sensação. Apenas é. O mesmo com amor verdadeiro: o amor pode se manifestar nos sentidos e ser expresso através dos sentidos: mas o amor em si mesmo não é uma ação, mas uma condição, como é a verdade e todas as outras realidades dentro e fora.
Espiritualidade, a altura espiritual, é um estado permanente do ser que está abaixo da superfície da existência. O “contêiner” pode ser artificialmente forçado a abrir com um “fogo estranho” (substâncias estranhas), mas apenas temporariamente. Nenhuma ação única pode ser feita para acessar as verdades espirituais internas; nenhuma magia pode abrir sua alma. Quando você dedica sua vida altruisticamente a uma causa mais elevada, quando transcende seu ego e manda embora as forças do auto-interesse material que o impedem de acessar sua alma, então o espiritual vai emergir. A palavra operativa é emergir. Você não cria isso, você não induz isso, não importa isso; você elimina as ervas daninhas e a flor surge. Quando você tenta assumir controle, perde o controle. Quando deixa ir, começa a ganhar controle. Quanto tenta conter, você perde. Quando deixa livre, se torna seu.
O fogo da alma se manifesta em muitas maneiras. Talvez sua expressão mais profunda esteja nos fogos do amor e da sexualidade. Como um fogo, desejo ardente pode ser a raiz de nossos atos mais nobres, mas também a fonte de nosso comportamento mais decadente. Sexualidade como anseio egoísta, separado da intimidade, nos leva às maiores profundezas; infundido com santidade, intimidade, compromisso e integração, nos eleva às nossas maiores alturas, infundindo-nos com o poder de criar – permitindo que entremos no “Santo dos Santos” perto de D'us.
Mas isso é paradoxalmente possível somente quando nossos desejos ardentes não são impulsionados apenas por necessidades humanas. Quando são, a mesma força é transformada num vício destrutivo.

Todos os vícios são resultado de um profundo vácuo exigindo atenção. A busca desesperada pela paixão vai procurar um resultado. Se a sede espiritual não for saciada de maneira sadia, vai exigir nutrição a todos os custos – mesmo que signifique métodos auto-destrutivos.
O vício pela própria natureza significa profunda dependência. Por que alguém iria se tornar viciado em algo. Por que iríamos precisar de algo tão mau que nos tornamos viciados naquilo? Sim, pode ser devido à substância em si. Algumas substâncias são quimicamente viciantes; elas têm o poder de estimular e alterar algumas químicas no cérebro que criam um anseio compulsivo e dependência incontrolável daquela substância. Mas isso ainda não explica por que um indivíduo específico se permite ficar viciado. Que necessidade essa substância induziu para um estado alterado; que vácuo está preenchendo?
O vício demonstra duas coisas juntas: uma fome profunda, mas a fome está sendo saciada com uma força fora de si mesmo, engaiolando você, matando você. A solução é não eliminar a necessidade (tornando-se um recipiente passivo) mas aliviar suas dores alimentando-a com a rendição ao Divino.
O supremo alívio da profunda tensão da alma é bitul – anulação, uma humilde submissão ao mundo espiritual. Quanto maior a fome e a paixão da alma, maior sua necessidade por altruísmo.
A história dos filhos de Aharon nos ensina que o estado espiritual preenche a necessidade humana pela transcendência. Mas esse saudável não pode ser preenchido em maneiras não saudáveis, servida por ferramentas prejudiciais; o desejo pode ser puro, enquanto o objetivo do desejo pode não ser, transformando a chama numa armadilha.
Dos filhos de Aharon aprendemos por que a Torá rejeita profundamente qualquer estado induzido de consciência alterada. Além das óbvias questões de saúde, vicio e concordar com a lei – todas preocupações fundamentais na Torá – o mero fato de que alguém se volta a um “fogo estranho” para acessar espiritualidade (mesmo se a experiência foi genuína em algumas formas) reflete as distorções acima mencionadas.
Um anseio dirigido por auto-interesse, não conquistado, escapista e não-integrante.
Mesmo quando usar métodos sadios e naturais e meios para atingir alturas espirituais, a chave está em sua verdadeira atitude e anseio: se a transcendência se torna outra extensão de si mesmo, e é levada pela sua necessidade ou desejo de subir, então mesmo se você usar métodos saudáveis, a suprema transcendência irá enganar você. Somente quando você percebe que precisa se livrar – se livrar dos seus anseios, necessidades e até fome – então a altura espiritual vai emergir. E então, será também uma experiência integrante em vez de uma escapada. Vai abrir você para a liberdade espiritual, em vez de se tornar algo viciante.

O êxtase que é dirigido pela política humana não é êxtase; etéreo talvez, mas ainda feito pelo homem. A espiritualidade em termos humanos, não em termos espirituais.
O fogo da alma é nossa maior conquista. A paixão que arde no espírito não afetado pode superar qualquer desafio. Porém, nosso sucesso em domar essas chamas poderosas está em proporção direta à nossa humildade e altruísmo em apreciá-las. E protegendo e nutrindo cuidadosamente essas chamas.

A pergunta que devemos sempre fazer é dupla: Meus fogos estão ardendo?
O que farei com esses fogos – vou ser indulgente com eles ou irei permitir que me elevem e ao mundo ao redor para locais mais elevados?