Behaalotchá

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Nossa Parashá nos conta um fato muito interessante. Tzipora, esposa de Moshe Rabeinu deixou vazar um desabafo que daria a entender de que seu marido, por ser um profeta, não tinha mais tempo para ela.

Aaron e Miriam também eram respectivamente profeta e profetiza e mesmo assim tinham tempo para viver com seus cônjuges.

Moshe era o irmão mais novo deles e eles contestaram o comportamento de Moshe achando que todos os profetas são iguais e Moshe não é exceção.

Quase que eles tinham razão! Mas…nessa hora Hashem se revela para os três,  Moshe Aharon e Miriam, e mostra para eles que existem níveis diferentes de revelação profética.

Essa passagem aparece em uma linguagem exclusiva que é explicada pelo Zohar e pela Guemará :


A profecia não é somente uma informação Divina mas para ela acontecer ela tem que se incorporar no mundo causando uma transformação nele.


Para a profecia se incorporar no mundo ela tem que primeiramente ser incorporada pelo profeta e por meio dele ela se reveste no mundo material causando a mudança da natureza naquele assunto específico que foi profetizado.

A revelação da profecia para Moshe Rabeinu era direta, como alguém que olha por uma janela de vidro transparente e vê claramente o que há do outro lado, uma profecia clara e objetiva, na linguagem dos nossos Sábios “Aspaklaria Meirá” (vidro transparente)


A revelação da profecia para todos os outros profetas é oculta e indireta, um nível mais baixo e também levando em consideração a capacidade do profeta de incorporá-la .


Nesse caso ela acontece por meio de visões e sonhos, por meio de exemplos e enigmas, como alguém que olha para um espelho que reflete a imagem e não está vendo ela diretamente mas sim um reflexo dela que tem que ser decifrado, na linguagem dos nossos Sábios “Aspaklaria Sheeina Meirá” (um vidro que não é transparente)

(Curiosidade- Algumas palavras no aramaico da Guemará tem origem no latim por causa da colonização romana em Israel. Provavelmente a palavra  aspaklaria vem de “specularia” que em latim é o vidro da janela , sendo que ela não e palavra aramaica comum)


Os critérios da profecia :


A Revelação Divina só acontece em um lugar adequado, em um ambiente adequado e sobre uma pessoa adequada para recebê-la, e também tem que ser de acordo com o nível que o profeta pode incorporar senão ele não sobrevive à própria profecia


Por esse motivo o profeta Yoná (Jonas) tentou fugir para o “lugar inadequado”, ou seja, para fora da Terra Santa, para que a profecia em relação à Nínive não descesse ao mundo por meio dele

Nahar Kvar, o rio que “já foi”

O profeta Yehezkel recebeu sua profecia na Babilônia, lugar inadequado, como ele próprio diz :- “e eu estou dentro da Golá (exílio) sobre o rio Kvar

Explica Rashi que dentro da “Golá” quer dizer fora da terra de Israel

Diz o Zohar que se não fosse o próprio acontecimento comprovando que isso aconteceu não saberíamos que isso poderia acontecer.

A Guemará no tratado de Moed Katan nos conta que a profecia não paira sobre o profeta fora da terra de Israel e explica que quando o profeta Yehezkel diz que estava no rio “kvar” na Babilônia ele está indicando dessa forma que a profecia dele já tinha começado antes

A palavra kvar quer dizer que já foi ou já estava, nos indicando que essa profecia já começou a acontecer antes, na terra de Israel  (essa é a segunda explicação de Rashi lá)

Rashi explica essa passagem da Guemará também de outra forma, que a palavra kvar (já foi) quer dizer que a profecia de Yehezkel mesmo sendo desde o começo fora da terra de Israel, “já foi” mas não será mais dessa forma

Diz o Zohar (Lech Lechá) que aquela profecia aconteceu na Babilônia naquela ocasião porque o povo de Israel precisava dela naquela hora por causa do sofrimento que eles estavam passando

Dessa linguagem entendemos que o Zohar não opina como Rashi mas sim que a profecia pode acontecer às vezes, quando necessário, fora da terra de Israel, principalmente por causa dos sofrimentos do nosso povo.

E até Rashi que diz que o profeta Yehezkel não teve outra profecia porque estava fora da terra Santa, não determina que isso está impedido de às vezes acontecer

Da linguagem do Zohar (em Ytró) vemos que ele opina que a profecia pode acontecer fora da terra de Israel também de maneira fixa para comunicar ao povo as palavras Divinas

O Rambam nos trás a lei na prática, e aparentemente ele opina como o Zohar em Ytró, sendo que o Rambam abrange todos os detalhes sobre o assunto das profecias mas omite o fato de que estar na terra de Israel seja uma condição(Rambam Hilchot Yessodei Hatorá)


Avraham Avinu, nosso primeiro patriarca  era a pessoa adequada no lugar adequado, mas Lot estava morando ao lado dele e se comportando como em Sodoma, fazendo com que o ambiente ficasse inadequado .


Hashem se revelou para Avraham naquele mesmo lugar somente depois que Lot saiu de lá e foi morar em Sodoma, e o ambiente de Avraham voltou a ser adequado.

Mesmo assim a profecia era somente no nível que ele tinha a capacidade de incorporar.


Yaakov Avinu, nosso terceiro patriarca teve uma revelação profética quando fugiu de Essav.


Essa revelação foi por meio de um sonho que é o nível mais baixo do recebimento de uma profecia.

Diz o Zohar que o motivo disso foi o fato de Yaakov ainda não estar casado, e mesmo estando em Beit E-l, lugar adequado, ainda não era a pessoa totalmente adequada por estar solteiro.

Depois que ele se casou em Haran, teve uma revelação profética novamente por meio de sonho, aí ele já era a pessoa adequada mas o lugar, Haran na Síria, fora da terra de Israel, não era adequado, e por isso o nível da profecia foi o mais baixo.


Quando ele voltou casado, para a  “Terra Santa”, a revelação profética já aconteceu para ele estando acordado e por meio de uma visão.


Mas ela ainda era no nível dos patriarcas, não tinha chegado ao nível de Moshe, e mesmo assim diz o Zohar que esse nível só foi alcançado porque seu pai Itzhak já havia falecido, mais um critério na profecia

Enquanto um profeta está no mais alto nível possível da sua época outro profeta não tem como acessar à esse nível.


Diz o Zohar que Moshe teve o maior de todos os níveis​ de profecia, ele incorporava a revelação profética para trazê-la ao mundo diretamente, em pé e com toda a sua força e energia, ele via a revelação claramente.


diferente dos outros profetas que na hora de incorporar a profecia caíam sobre suas faces, enfraqueciam e não tinham a capacidade de incorporar a profecia claramente.


E qual era o motivo dessa fraqueza? Diz o Zohar que era pelo fato de o “anjo de Essav” ter ferido a perna de Yaakov e Yaakov ter saído mancando desse acontecimento.


Espiritualmente o anjo ”sugou” a força das pernas de Yaakov causando com que depois disso nenhum profeta conseguisse incorporar, trazer para esse mundo a profecia do que Hashem vai fazer para os “Bnei Essav”, e se a profecia não descesse ela não aconteceria

(de acordo com Don Itzhak Abarbanel os Bnei Essav são os povos da Europa e suas ramificações coloniais)

Somente o profeta Ovadiahu (Abadias), um profeta que originalmente se converteu ao judaísmo e era proveniente de Edom que eram os descendentes diretos de Essav conseguiu incorporar a profecia do final dos Bnei Essav, porque sobre ele o assunto espiritual do anjo de Essav não recaiu pelo fato de ele ser um “guer” dos Bnei Essav

Ele pôde incorporar claramente a profecia do final de Essav e não enfraqueceu, e nenhum outro profeta pôde incorporar isso.

Moshe é a excessão de todas essas regras por estar em um nível tão alto que poderia incorporar claramente qualquer revelação sem enfraquecer.


Diz o Zohar que Moshe recebia a profecia em um nível de Sefirat HaTiferet de Atzilut , nível espiritual que nenhum profeta teve acesso



Diz o Ari Zal que o Mashiach vai ser a reencarnação de Moshe Rabeinu e vai revelar para todos nós as maravilhas ocultas da Torá.


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A Parashá nos conta que Miriam, por ter falado de Moshe ficou “metzoraat” como neve por uma semana

A tzaraat não é um tipo de lepra, não é uma doença mas sim uma manifestação espiritual

don Itzhak Abarbanel  nos conta que se a tzaraat fosse doença a Torá pediria para encaminhar o portador dela para o médico sendo que a Torá deu permissão, ou seja, deu uma força espiritual para o médico curar

e no caso da tzaraat, a pessoa não é levada para o médico em nenhuma etapa mas é feito um diagnóstico pelo Cohen (o sacerdote) e no final um ritual religioso.

A fonte desse erro de tradução que entrou na nossa cultura são os padres portugueses que traduziram a Torá na idade média e vendo que está escrito “metzoraat como neve” traduziram erroneamente a tzaraat como lepra

diz também don Itzhak Abarbanel que se a tzaraat fosse doença ela seria encontrada em seres humanos, e o fato da mesma manifestação aparecer igualmente nas roupas, nas paredes e nas pessoas é mais uma prova de que ela é um assunto espiritual e não um tipo de lepra

Em algumas traduções da Torá esse erro já está corrigido e a maior dificuldade em corrigí-lo é assumir que isso é um erro que erramos sessenta anos em seguida, mas “antes tarde do que mais tarde”!

Aprendemos daqui que se até Miriam a profetiza fez um erro de avaliação em relação à alguém tão próximo à ela como o próprio irmão, quanto mais nós que estamos longe de estar no nível dela

Então o certo é sempre nos apoiar no ”benefício da dúvida” e julgar o nosso próximo de maneira positiva,


e mesmo quando não temos a mínima dúvida temos que saber que talvez o fato de não termos dúvida é por nossa falta de informação, como foi no caso de Miriam


Então, com o benefício da dúvida ou até mesmo quando não há dúvida nenhuma temos que julgar o nosso próximo somente de maneira positiva e assim também seremos julgados lá em cima




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Agradecemos à Fernanda e Elias Messer que por meio da sua empresa Line Life apóiam a  nossa ONG TORÁ


Nossos agradecimentos também à querida família Nasser



às famílias Gueler e Rabinovich



à empresa Neeman despachantes aduaneiros



à Francis e Fábio Grossmann (grupo Facislito)



à Roger Ades e família



à querida família Guttmann



à família Worcman grupo hotel Rojas



À Samy e Ester Metta e família



ao Sr Idevaldo Mamprim, grupo Remaza, à Família Grinszpan, à Lígia Marie,





à empresa Adar Tecidos , à nossas voluntárias e à todos vocês que lêem a nossa Parashá.




Que Hashem dê à eles e à todos vocês muito sucesso, muita saúde, muito dinheiro e felicidades judaicas de toda a família!




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Receba-o com carinho, e mesmo se você não puder doar alguma coisa responda o e-mail com um Yashar Coach para a Edna, nossa voluntária que está dedicada à esse projeto de corpo e alma




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