Alemanha cancela prêmio de música em dia de mobilizações contra antissemitismo

Alemanha cancela prêmio de música em dia de mobilizações contra antissemitismoO principal prêmio de música da Alemanha foi cancelado, nesta quarta-feira, devido a um escândalo antissemita, em um contexto de temor a um ressurgimento do ódio contra os judeus em um país ainda atormentado por seu passado nazista.

A controvérsia surgiu no último dia 14, quando os rappers Kollegah e Farid Bang, autores de letras bastante polêmicas, foram agraciados com o prestigioso prêmio musical alemão ECHO de álbum de hip hop mais vendido.
Depois de que vários artistas, incluindo o diretor de orquestra argentino-israelense Daniel Barenboim, devolveram seus prêmios em sinal de protesto, a federação da indústria musical alemã anunciou finalmente a extinção do ECHO, para que este não seja "uma plataforma para o antissemitismo, o desprezo em direção às mulheres, a homofobia ou a banalização da violência".
Minutos depois, a gravadora dos rappers, BMG, anunciou que rompeu seu contrato.
- Berlim usa quipá -
Os anúncios coincidiram com a organização, nesta quarta-feira, de concentrações de solidariedade com a comunidade judaica em várias cidades alemãs, uma semana depois de um refugiado sírio ter agredido dois jovens que usavam quipá em um bairro nobre de Berlim.
Organizou-se uma concentração sob o lema "Berlim usa quipá", convocada pela comunidade judaica. Outras cidades, como Colônia, Potsdã, Erfurt e Madeburgo, anunciaram sua adesão ao movimento.
Para aqueles que não têm um quipá, o solidéu usado pelos judeus, o jornal berlinense TAZ publica em sua edição de hoje instruções para fazer um em casa, com um modelo em papel.
Ontem, o presidente do Conselho Central de Judeus da Alemanha, Joseph Schsuter, causou polêmica ao aconselhar os judeus a não usarem o quipá nas grandes cidades alemãs por questão de segurança.
Para a ministra da Justiça, Katarina Barley (social democrata), a manifestação é um sinal importante de solidariedade.
"Os judeus não devem ter medo de mostrar que são judeus na Alemanha", declarou hoje.
Em entrevista ao "Tagesspiegel", o ministro das Relações Exteriores, Heiko Maas, considerou que qualquer ataque contra um judeu é um ataque contra a sociedade alemã como um todo.
O antissemitismo tem várias facetas na Alemanha, diz o TAZ, em editorial publicado hoje.
"Pode se expressar de forma amável, teórica, ou às vezes grosseira. E, às vezes, brutalmente, como na semana passada", acrescenta, considerando que "chegou o momento" de reagir.
O debate foi estimulado pelo avanço da extrema direita e pelas preocupações com o aumento no fluxo de refugiados, sobretudo, de árabes - mais de um milhão desde 2015 na Alemanha.
O centro Simon Wiesenthal alerta que é preciso ter cuidado, porém, para não atribuir o recente aumento do antissemitismo apenas à população muçulmana, ou árabe.
* AFP
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