Os últimos judeus da China

Os últimos judeus da China
Dificilmente alguém poderia supor que esse texto, recitado há tanto tempo pelo povo judeu naquela noite, poderia ser tão atual e relevante.
Como ocorre todos os anos na noite do Sêder na festa de Pessach, também neste ano os membros da comunidade judaica da cidade chinesa de Kaifeng cantaram a seguinte estrofe da Hagadá, a história do êxodo do Egito: “Em cada geração e era levantam-se malvados contra nós para nos aniquilar...” Dificilmente alguém poderia supor que esse texto, recitado há tanto tempo pelo povo judeu naquela noite, poderia ser tão atual e relevante.

New York Times foi o primeiro jornal a noticiar que o governo chinês começou a fechar gradativamente as instituições judaicas na antiga cidade imperial de Kaifeng – sem nenhum aviso prévio. Ao que parece, tenta-se aniquilar todo e qualquer testemunho de uma história judaica. Os ancestrais desses judeus estabeleceram-se ali nos séculos VIII e IX, tendo encontrado seu caminho pela Rota da Seda partindo do Irã e do Iraque. A comunidade, composta hoje de aproximadamente 1.000 pessoas, é a mais antiga comunidade judaica da China. Entrementes passaram-se alguns meses e os membros da comunidade precisaram acostumar-se a orar em suas próprias residências. Todavia, mesmo ali correm o risco de a qualquer momento serem proibidos de exercerem a sua religião.
Os últimos judeus da ChinaTudo isso vem ocorrendo por ordem direta do presidente em exercício da República Popular da China, Xi Jinping, que desde o 18º Congresso do Partido Comunista da China, em 2012, vem acumulando cada vez mais poder. 
Todas as casas de educação e oração da cidade foram fechadas por ordem pessoal dele. Os planos de instalar um museu na antiga sinagoga foram cancelados. Placas que davam conta do orgulho que a cidade tinha de séculos de cultura judaica foram retiradas. Uma fonte, último remanescente da grande e antiga sinagoga, foi obstruída com concreto. Mais chocados ainda, porém, ficaram os integrantes daquela comunidade quando receberam da cúpula do governo a proibição de se reuniram nos seus feriados. Assim, nesta primavera decretou-se pela primeira vez, por ocasião da festa da Páscoa, a proibição de convidar outros judeus para a própria residência a fim de celebrar.
Não se trata, no caso, do início de alguma campanha antissemita, porque os decretos resultam da cosmovisão comunista, que considera a religião um perigo para o regime. A China reconhece hoje oficialmente apenas cinco profissões de fé: o Cristianismo católico e protestante, o Budismo, o Islamismo e o Taoismo. Todas as outras religiões são impedidas de manifestar-se publicamente. No entanto, nas últimas décadas a comunidade judaica de Kaifeng gozava do privilégio de poder aparecer publicamente, sob tácita tolerância das autoridades. Permitia-se aquilo porque, por um lado, a comunidade não é muito grande e, por outro, ela atraía numerosos turistas a Kaifeng, sendo por isso economicamente atraente. Nesse sentido, também desempenharam o papel de fechar bons e estreitos contatos econômicos com Israel, que vinham crescendo ultimamente. No momento, porém, tudo indica que o período de tolerância da manifestação pública da comunidade judaica chegou ao fim.
“Hoje adota-se uma linha intransigente”, declarou ao New York Times o guia turístico Go Yan, de 35 anos. “A China manifesta grande desconfiança diante das atividades de estrangeiros. Eles têm medo do tema religioso, não dos judeus.”
Atualmente, as orações judaicas ainda são permitidas em casas particulares, mas os judeus residentes em Kaifeng informam que o serviço secreto e a polícia os observam atentamente. Não obstante, até agora muitas famílias preservam seu estilo de vida judeu. Assim, continua-se a ver nas janelas de algumas casas os candelabros do Shabbat, bem como imagens da sinagoga destruída e mapas da terra de Israel. Se também estes desaparecerem, então definitivamente terá irrompido uma nova era. “Não pareço judeu, mas sou um judeu declarado”, disse um membro daquela comunidade a um repórter do New York Times enviado à cidade para relatar sobre o tema, “e no judaísmo a perseverança desempenha um papel importante”.
O embaixador israelense comentou a respeito: “Fui notificado muito recentemente a respeito dos desdobramentos e vou tratar de me informar no local para poder entender melhor a questão e todos os processos relacionados a ela”.
Autor:  Mori Lidar
Fonte: chamada.com.br
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