Hezbollah lança videogame sobre a guerra na Síria

Hezbollah lança videogame sobre a guerra na Síria
O movimento islamita organizou uma cerimônia nos arredores de Beirute para apresentar o jogo intitulado "Defesa sagrada - Proteger a pátria e os santuários".
Beirute - Com uma arma curta e várias granadas, Ahmed passa de uma batalha a outra em território sírio. Ele é o herói de um videogame sobre a guerra na Síria, concebido pelo movimento xiita libanês Hezbollah e lançado nesta quarta-feira em Beirute. O movimento islamita, que luta na Síria junto ao poder de Bashar al-Assad contra rebeldes e extremistas, organizou uma cerimônia nos arredores de Beirute, seu reduto, para apresentar este jogo, intitulado "Defesa sagrada - Proteger a pátria e os santuários" religiosos.

O jogo reflete "a experiência do Hezbollah na Síria", afirma um de seus criadores, Hasan Allam, da unidade de meios eletrônicos do movimento, um departamento que já idealizou outros videogames relacionados com a ação do Hezbollah contra Israel em território libanês.

"A ideia nasceu a partir de acontecimentos reais sobre o terreno, tanto na Síria como na fronteira sírio-libanesa, e no Líbano", acrescenta.

O jogo começa com a entrada de seu herói, Ahmed, no santuário de Sayeda Zeinab, um importante lugar sagrado do xiismo situado nos arredores de Damasco e que abriga o mausoléu de uma das netas do profeta Maomé. O santuário é bombardeado pelos rebeldes e Ahmed, que aparece usando uniforme militar, pega em armas para se unir a seus irmãos de combate no campo de batalha.

Explicar o que aconteceu 
Por meio das diferentes etapas do jogo, seus programadores escolheram se centrar, principalmente, no grupo Estado Islâmico (EI), embora a inscrição de sua bandeira preta tenha ficado esfumada. Aliado do Irã e muito influente na vida política libanesa, o Hezbollah é considerado por Washington como um grupo "terrorista". Oficialmente, participa da guerra na Síria desde 2013.

Principalmente graças a este apoio e ao da força aérea de Moscou, o governo de Bashar al-Assad, que não estava indo bem diante dos rebeldes e extremistas, conseguiu reforçar posições no conflito sírio. Visando sua comercialização, o videogame aponta especialmente para os simpatizantes do movimento xiita libanês.

O objetivo, explica Allam, é permitir que os jogadores entendam "o que aconteceu e o que faziam os combatentes que se 'sacrificaram'". Quando começou sua campanha na Síria, o Hezbollah justificou sua intervenção alegando a necessidade de defender o santuário de Sayeda Zeinab, um importante local de peregrinação para muitos xiitas procedentes de Irã, Iraque e Líbano.

Mas sua atuação militar evoluiu até se tornar, segundo a retórica do partido, em uma luta contra os grupos "takfiris", um termo árabe que designa os que se permitem qualificar os demais de "apóstatas". Para o movimento, esta denominação engloba um amplo leque de facções que combatem o governo sírio, desde grupos rebeldes até extremistas do EI.

Mais de 12 anos 
As batalhas do videogame se tornam cada vez mais complicadas à medida que passam as telas, até chegar à fronteira libanesa, na região de Al-Quseir, onde o Hezbollah admitiu em 2013 ter lutado contra facções insurgentes, muito antes do auge do grupo EI.


O jogo termina com a batalha de Ras Baalbeck, onde o Hezbollah e o Exército libanês travaram duas ofensivas distintas para expulsar o grupo EI de um enclave montanhoso libanês que conquistou na fronteira síria.
Esta batalha terminou no verão de 2017 com a derrota dos extremistas, cujos últimos combatentes foram evacuados para regiões da Síria que fugiam ao controle do governo.Em uma sala de recreação da periferia sul de Beirute, Husein Mhanna testa o novo videogame do Hezbollah, pensado para maiores de 12 anos.

"Não sei de onde os tiros vêm!", exclama o rapaz de 25 anos, grande fã dos videogames, mas que, no entanto, não conseguiu passar do nível 2.

A guerra na Síria, que começou em 2011 por conta de uma revolta contra o governo de Bashar al-Assad, ganhou complexidade ao longo dos anos com o envolvimento dos extremistas e de diferentes potências regionais e internacionais. Deixou mais de 340 mil mortos e milhões de deslocados e refugiados.
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