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    Com Paixão”: o homem que tentou dar a volta ao mundo de barco sem saber navegar
    O filme que conta o que aconteceu a Donald Crowhurst .

    O que é que levou um homem que praticamente não tinha experiência a navegar a embarcar numa viagem solitária pelo mundo inteiro, a atravessar furacões e desafiar ondas com dezenas de metros? A história de Donald Crowhurst é contada no filme “Com_Paixão”, realizado por James Marsh, que estreia esta quinta-feira, 15 de março, nos cinemas portugueses.

    Colin Firth interpreta aquele que era o concorrente menos provável dos nove que fizeram a prova do “Sunday Times” Golden Globe Race, em 1968. Todos queriam fazer história ao tornar-se o primeiro homem do mundo a circum navegar (navegar em volta de algo) o planeta sozinhos e sem fazer qualquer paragem.

    Esta era uma época de exploradores e aventureiros, numa altura em que a corrida ao espaço estava em altas — foi um ano antes de Neil Armstrong chegar à Lua. Um ano antes desta prova, em 1967, e mantendo a tradição britânica de grandes navegantes, Francis Chichester tinha-se tornado o primeiro homem a circum navegar o mundo sozinho — mas tinha parado a meio, em Sidney, na Austrália. Isso não o impediu, porém, de ter sido nomeado cavaleiro pela rainha.

    A fasquia agora era outra. O “Sunday Times” oferecia um prémio de cinco mil libras ao mais rápido a completar a prova sem parar — o que, tendo em conta a inflação, valeria algo como 85 mil libras na atualidade, cerca de 70 mil euros.

    Esta quantia de dinheiro era aliciante para Donald Crowhurst, nascido perto de Nova Deli, na Índia, numa altura em que o país asiático ainda era uma colónia britânica. Em 1968, aos 36 anos, estava casado, tinha filhos pequenos e geria uma loja de equipamentos eletrónicos. Gostava de navegar mas era um amador: tinha um pequeno barco azul, o Pot of Gold, onde levava a família a passear pelo canal de Bristol.

    Aquilo de que gostava mesmo era de tentar inventar os próprios instrumentos de navegação, e foi o que conseguiu com o Navicator, um rádio para determinar as direções certas de navegação.

    A empresa estava a atravessar algumas dificuldades financeiras nos anos 60 e o empresário Stanley Best apoiou a empresa e a tentativa de Crowhurst vencer a competição, como uma espécie de mecenas.

    Donald Crowhurst era um homem sonhador e determinado. A 31 de outubro de 1968, o último dia em que podia ter partido (a prova tinha arrancado a 1 de junho) despediu-se da família e rumou sozinho no Teignmouth Electron.

    Apesar de o navio ter partido com várias inovações tecnológicas a bordo, foi tudo montado à pressa e não tinha sido completamente testado. Como era demasiado tarde para desistir, Crowhurst foi na mesma. Não sem antes passar um dia especial completo, 30 de outubro, com a mulher, que é interpretada por Rachel Weisz no filme, e os filhos.

    Eram mais de 48 mil quilómetros, sem parar e sem ajuda externa durante longos meses. Sem ver outra pessoa, a comer comida de lata, a stressar e a pensar que qualquer uma daquelas ondas gigantes podia ser a última.

    Quando partiu, vários dos seus concorrentes já tinham desistido da prova. As comunicações de rádio tornaram-se cada vez mais complicadas, mas as suas posições indicavam que estava no caminho para fazer a prova mais rápida e tornar-se vencedor. Nunca chegou a completá-la. Resta-nos ver “Com_Paixão” para tentar ter mais respostas.

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