Projeto de lei em Israel que reconhece genocídio na Ucrânia


Holodomor da Ucrânia
Em foto de 1932, mulheres passam por camponeses famintos em Kharkiv,
na Ucrânia: país define como genocídio as milhões de mortes
 por fome sob Stalin, o chamado Holodomor - WikiCommons
Rússia critica projeto de lei em Israel que reconhece genocídio na Ucrânia.

Fome matou milhões de ucranianos durante regime soviético.

JERUSALÉM - Um alto diplomata russo advertiu Israel nesta quarta-feira contra um projeto de lei que reconheceria formalmente a morte de milhões de ucranianos sob o regime soviético como genocídio. Uma legislação preliminar apresentada por um deputado da coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu quer declarar 6 de dezembro, em Israel, como "Dia da Memória do Genocídio na Ucrânia".

— Este não é um bom momento para discutir tal proposta — disse Leonid Frolov, vice-embaixador da Rússia em Tel Aviv, à Rádio do Exército de Israel. — Será ruim, um passo errado.

O Holodomor da Ucrânia, como ficou conhecida a morte por fome de até 10 milhões de pessoas entre 1932 e 1933, foi negado pela União Soviética durante décadas. A Ucrânia aprovou uma resolução em 2016 apelando pelo reconhecimento mundial do Holodomor sob o regime de Josef Stalin como genocídio, o que irritou a Rússia.

Kiev também vive atritos com Moscou sobre a anexação em 2014 da Península da Crimeia e o papel direto dos vizinhos na guerra separatista no Leste ucraniano.

O projeto de lei israelense ainda está longe de ser ratificado, e enfrenta oposição dentro da própria coalizão governista. Enquanto o escritório de Netanyahu não comentou a lei de imediato, o ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, chamou o autor da lei, Akram Hasson, de "delirante".

Holodomor da UcrâniaHasson disse à Reuters que propôs a lei após visitar a Ucrânia por três meses para examinar a questão.

Presidente Petro Poroshenko e a mulher, Maryna, depositam flores diante de estátua de menina que representa as vítimas da fome em massa na Ucrânia no início da década de 1930, sob Stalin - Presidência da Ucrânia
— Eu não sei como alguém pode ficar bravo com isso, e não tenho obrigação de agradar a ninguém — afirmou o deputado. — Eu trabalho para o Parlamento de Israel, uma democracia, com valores humanos, fundada após um genocídio. Por que não devemos reconhecer este genocídio?

Israel está atento à influência russa sobre seus principais inimigos: Síria, Irã e o grupo xiita Hezbollah, no Líbano. O governo de Netanyahu há tempos buscou manter bons laços com o Kremlin, maior antagonista dos EUA (principal aliado de Tel Aviv). 

Israel permaneceu fora da crise de Crimeia de 2014, mesmo quando os americanos condenaram a Rússia diretamente.

— Israel precisa de apoio não só dos EUA. Israel precisa de apoio de muitos outros países que pensam de forma diferente — disse o vice-embaixador russo.
Presidente Petro Poroshenko e a mulher, Maryna, depositam flores diante de estátua de menina que representa as vítimas da fome em massa na Ucrânia no início da década de 1930, sob Stalin - Presidência da Ucrânia.

Ele se referiu ainda à oposição que Israel fez à nova lei da Polônia que criminaliza menções de que os poloneses teriam sido cúmplices no Holocausto comandado por Adolf Hitler.

— A Polônia agora quer excluir algumas páginas da História, e estamos do lado de Israel — afirmou Frolov, acrescentando que a proposta do deputado israelense sobre a Ucrânia também visava a "reescrever a História, como no caso polonês".

O governo da Ucrânia destaca que 17 países — oito deles ex-repúblicas ou Estados-satélite soviéticos — reconheceram o Holodomor como genocídio.




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