Parashat Tetzavé

Coisas Judaicas«E farás vestimentas para o teu irmão Aarão, para sua dignidade e esplendor.»   (Êxodo, 28, 2)
A Torá dedica mais de quarenta versículos à descrição das vestimentas que Moisés teria que fornecer como “vestimentas sagradas” para os sacerdotes. Nesta parashá lemos uma descrição detalhada de tais vestimentas e dos materiais com os quais estas deveriam ser confecionadas. O vestuário dos sacerdotes no templo é descrito com o maior cuidado. As vestimentas eram sumptuosas, como fica especificado no versículo: “para sua dignidade e esplendor”. Porque eram tão importantes as vestimentas do Sumo Sacerdote?
Geralmente, o judaísmo não se preocupa com aspetos exteriores como o vestuário, concentrando-se na qualidade espiritual da vida. O que têm em comum as “vestimentas sagradas” com a “dignidade” e o “esplendor”? Parece que a Torá se relaciona de um modo peculiar com as vestimentas dos sacerdotes e com o vestuário no geral. O interesse no vestuário não está relacionado com a sua funcionalidade – no que diz respeito à proteção contra o frio e similares – mas sim com o seu aspeto ético.
É possível interpretar a necessidade de fornecer aos sacerdotes vestimentas sumptuosas a partir de dois pontos de vista: o pessoal e o público. O aspeto pessoal refere-se à influência clara e poderosa exercida pelas vestimentas sobre a pessoa que as veste. Assim, as vestimentas sumptuosas servem de lembrete constante para os sacerdotes acerca do seu papel e da santidade de que este se reveste, criando uma atmosfera especial no seu trabalho. No plano público, o aspeto exterior cria um efeito psicológico positivo em quem presencia as cerimónias. O ser humano é sensível à atração pelo aspeto exterior das coisas, que determina em grande medida a sua atitude perante elas. Aqui, a beleza é considerada um elemento legítimo que influencia o espírito e põe-no ao serviço de De’s. Quer dizer, o cuidado com o aspeto exterior no que diz respeito às vestimentas constituiu um meio natural para exercer uma influência espiritual positiva sobre o próprio sacerdote, que depois se reflete sobre o povo que o rodeia e presencia o desempenho das suas funções no Templo.
Na Bíblia, o vestuário está relacionado com os primeiros elementos da cultura humana, quando se “abriram os olhos” de Adão e Eva depois de terem provado o fruto proibido da árvore do conhecimento e de terem começado a envergonhar-se da sua nudez. (Génesis, 2:25)
A primeira tarefa que De’s levou a cabo para dar começo à cultura humana não foi a construção de casas ou instrumentos de trabalho mas sim “O Eterno fez para o homem e para a sua mulher túnicas para cobrirem a pele e vestiu-os.”(Génesis 3:21). O primeiro aparecimento ativo de De’s no que diz respeito ao ser humano – seja homem ou mulher – foi na sua qualidade de alfaiate!
O Criador colocou o Homem no centro do universo, colocando este nas suas mãos. Encomendou-lhe conquistar todo o mundo, chegando inclusivamente até à lua. O homem empreendeu o longo caminho da civilização e construiu o mundo com as suas próprias mãos. Descobriu o fogo, inventou a roda, aprendeu a utilizar o ferro, descobriu o átomo, criou o satélite e o computador. As vestimentas, no entanto, não foram produto da sua criação. Segundo a Bíblia, o homem nem sequer sentiu necessidade de se vestir. Não era necessário para a sua comodidade material, nem compreendeu a sua importância espiritual. Segundo a conceção Divina, o vestuário não cumpre só uma função material; pelo contrário, constitui a própria essência da cultura. O vestuário não consiste só na proteção contra o frio e também não é só um adorno. É o símbolo exterior da humanidade e é essencial para a sociedade humana. O vestuário, em si, constitui um símbolo de honra para o Homem. O vestuário é a essência do Homem, assim como a nudez é a essência do animal.
De acordo com a conceção judaica, são as vestimentas que transformam um homem em sacerdote e santificam o mundo. Permitem-lhe refinar a sua vida, dando-lhe um significado que ultrapassa a mera satisfação das necessidades materiais básicas. Por isso se exige do sacerdote que se apresente no templo para exercer o seu trabalho vestindo as roupagens sumptuosas que lhe foram dadas por De’s. De’s é o fazedor do vestuário do primeiro homem e quem determina a roupagem dos sacerdotes. O vestuário também pertence, portanto, ao campo da responsabilidade de De’s no mundo.
Rabino Eliahu Birnbaum
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